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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Entrevista exclusiva

Líder no Nordeste, Moura Dubeux quer manter foco na região e na rentabilidade

Em entrevista exclusiva, o CEO da incorporadora de Recife fala sobre a vida da empresa antes e depois do IPO, diz que por ora não vê sentido em sair do Nordeste e que prioriza rentabilidade a crescimento

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
26 de outubro de 2020
5:30 - atualizado às 2:23
Diego Villar, CEO da Moura Dubeux
Diego Villar, CEO da Moura Dubeux - Imagem: Divulgação

Em fevereiro deste ano, a Moura Dubeux tornou-se a primeira incorporadora de atuação regional a ter ações negociadas na B3. Com seus papéis cotados a R$ 19 - centro da faixa indicativa - a companhia captou R$ 1,25 bilhão, com o objetivo, nem sempre bem visto pelo mercado, de abater dívidas. Noventa por cento do valor foi destinado a esta finalidade.

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De lá para cá, a ação chegou a cair para a faixa dos R$ 4 no auge da crise do coronavírus nos mercados, mas depois retornou para a atual faixa de R$ 11, um ganho de cerca de 170% desde a mínima. Ainda assim, o papel ainda acumula uma perda de 42% desde o IPO, uma das maiores quedas entre as empresas que abriram capital neste ano.

As prévias operacionais do terceiro trimestre, porém, deram uma animada nos investidores e analistas. Após um segundo trimestre de obras paradas por conta da pandemia e sem um lançamento sequer, a Moura Dubeux lançou quatro empreendimentos num total de R$ 275 milhões, um dos quais, de alto padrão, totalmente vendido no mês do lançamento.

As vendas brutas no trimestre totalizaram R$ 317 milhões, um crescimento de 210,9% ante o trimestre anterior e 264,4% em relação ao mesmo período de 2019. Houve também geração de caixa no trimestre no valor de R$ 65 milhões.

As três instituições que atualmente cobrem os papéis da Moura Dubeux - Itaú BBA, Credit Suisse e Eleven - recomendam compra para as ações, sendo que as duas últimas reiteraram a sua posição logo após as prévias do terceiro trimestre.

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Eu conversei por telefone com Diego Villar, CEO da Moura Dubeux, para falar sobre a vida da companhia antes e depois do IPO e seus planos para o futuro. Durante uma hora de entrevista, ele me contou sobre como o IPO deixou a empresa mais livre para fazer negócios melhores, o potencial do mercado nordestino e o foco da companhia na rentabilidade.

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A seguir eu separei os principais tópicos da nossa conversa e trechos da entrevista:

O Nordeste is the best

Fundada em Recife há 37 anos pelos irmãos Aluísio, Gustavo e Marcos José Moura Dubeux, todos engenheiros, a Moura Dubeux começou focada em imóveis de alto padrão e segunda residência, mas hoje atua em todos os segmentos. Atualmente, tem presença em cinco estados nordestinos: além de Pernambuco, também Alagoas, Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará.

Líder na região e com marca reconhecida, a companhia não tem intenção, ao menos por ora, de se expandir para fora do Nordeste. Segundo o CEO, Diego Villar, há muito potencial ainda para se explorar na região, que é o segundo maior mercado imobiliário do Brasil, e a empresa está bem posicionada para isso.

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“Enquanto não explorarmos este mercado ao máximo, não vemos sentido em expandir para outras regiões”, me disse Villar.

Segundo ele, os empreendimentos da Moura Dubeux têm quase R$ 10 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) nos últimos dez anos, enquanto o segundo colocado na região (PDG) tem apenas R$ 3,5 bilhões, e o terceiro (Queiroz Galvão) tem R$ 2,6 bilhões.

Ao mesmo tempo, nas cinco praças onde a companhia atua, o tamanho do mercado entre 2019 e 2030 é de R$ 9,6 bilhões por ano, em média, me diz Villar, citando dados da consultoria Urban System. Esse valor corresponde a quase metade do mercado paulistano, de R$ 20 bilhões por ano, segundo o mesmo levantamento.

“Ou seja, nossa área de atuação corresponde à metade da cidade de São Paulo, mas com baixa concorrência. Em São Paulo há muito mais construtoras, muitas das quais fizeram IPO recentemente e estão capitalizadas, comprando terrenos. A Moura Dubeux tem uma situação mais favorável. O dono do terreno não tem muito para quem vender”, diz Villar.

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Com a forte sensibilidade do Nordeste às variáveis macroeconômicas, a atual situação de crise poderia ser mais preocupante, não fosse a forte queda na taxa de juros.

Apesar do alto nível de desemprego atual, a Selic a 2% e o forte recuo nos juros do crédito habitacional tornaram muita gente elegível a um financiamento, o que se costuma chamar no mercado imobiliário de “affordability”.

Assim, pessoas cuja renda antes não era suficiente para enquadrá-las em um financiamento habitacional passaram a ter acesso a esse tipo de crédito.

“O Nordeste, comparado a outras regiões, tem um dos maiores potenciais de affordability. Nas praças onde atuamos, se o juro cai um ponto percentual no ano, cerca de 35% a 60% mais famílias se tornam elegíveis a um financiamento, dependendo da localidade”, me explicou o CEO da Moura Dubeux.

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Segundo ele, esse fenômeno mais que compensa a quantidade de famílias que perderam acesso ao crédito por terem perdido renda durante a crise.

Ainda que a Selic volte a ser elevada mais cedo do que o mercado esperava - risco que corremos neste momento - Villar acredita que ainda não será o suficiente para mudar totalmente o cenário para o mercado imobiliário.

“Mesmo que a Selic suba um pouco, ainda existe espaço para os juros do crédito imobiliário baixarem mais, pois há um spread [diferença] alto entre os juros dos financiamentos habitacionais e a taxa básica de juros”, diz.

Ele lembra que o último corte de juros do financiamento imobiliário da Caixa foi recente (14 de outubro), e não acredita que o governo vá optar por um caminho de irresponsabilidade fiscal, a ponto de a Selic disparar.

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“O Brasil anda sempre na beira do precipício, mas nos momentos extremos a gente acaba buscando um consenso de responsabilidade e tomando as medidas necessárias”, diz.

A tese do IPO

Ao contrário de muitas incorporadoras que abriram capital no passado para expandirem sua atuação, a Moura Dubeux acabou optando por se expandir - pelo Nordeste mesmo - via dívida, e não buscando sócios no mercado.

Durante a crise de 2015-2016, quando a Selic retornou para os dois dígitos, pequenas incorporadoras quebraram e muitas das grandes saíram do Nordeste, a Moura Dubeux passou a ter muitos distratos e estoque elevado.

“A curva de vendas passou a não ter mais a velocidade esperada, e o custo da nossa dívida começou a ficar muito alto. Muitas vezes precisamos vender mais rápido e mais barato do que poderíamos para poder fazer frente às obrigações. Nossa operação financeira estava custando caro”, me explicou Diego Villar.

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A abertura de capital veio justamente para desonerar o ativo, tirando essa despesa financeira do balanço. “Agora não temos mais a pressão de gerar caixa para pagar banco, podemos gerar caixa para fomentar nosso negócio. Agora, a Moura Dubeux gera caixa, mesmo fazendo lançamento e vendas. A dívida líquida está próxima de zero”, diz o CEO.

“A empresa que não tem essa pressão pode focar mais no produto e vendê-lo pelo preço que gera uma rentabilidade maior. Esse é o propósito da empresa”, completa.

Foco na rentabilidade

A rentabilidade, aliás, é chave para a companhia. Durante a entrevista, Villar deixou bem claro que o objetivo não é “vender por vender” e nem que a companhia se torne necessariamente grande, mas sim “crescer de forma sustentável” e “ter a mais alta rentabilidade”.

“Vamos abrir mão de crescimento para ter margens mais altas, se necessário”, disse. Nos últimos trimestres, a margem bruta ajustada tem ficado próxima aos 30%.

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Planos para o futuro e digitalização

Das mudanças pós-IPO, Villar destaca as melhorias de governança e também a ampliação do relacionamento com o cliente após a entrega das chaves, para entender como ele utiliza o produto e que outras demandas podem surgir desse uso.

A ideia é não só melhorar os empreendimentos, como também identificar oportunidades de oferecer produtos e serviços a esses clientes que já estão morando nos imóveis, para que eles deixem de ser apenas passivos para a companhia.

“Por exemplo, entregamos um prédio em Fortaleza que, após dois anos de acompanhamento, percebemos que a lavanderia tinha muito uso, mas a academia não. Aí entendemos que, para aquele público, atividade física ainda não havia se tornado uma prioridade”, exemplifica.

O maior investimento da companhia no momento, diz o CEO, tem sido no ambiente digital. Ele atesta que a pandemia não mudou, mas apenas acelerou as coisas. O plano é que, até 2022, ao menos 60% da jornada de compra do cliente possa se dar em ambiente digital.

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“É difícil um percentual maior que este porque os produtos da Moura Dubeux não são padronizados, os empreendimentos são muito diferentes entre si”, explica.

No início do ano que vem, a nova loja virtual já estará no ar. O objetivo do projeto é que a loja vá sendo customizada à medida que conhece os desejos do cliente.

“Um produto imobiliário exige muitas informações para ser customizado. O cliente prefere academia ou piscina? Quer uma garagem mais larga? A plataforma vai entender o comportamento e o histórico de busca do usuário”, explica Villar.

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