‘Efeito batom da economia não apareceu’, diz presidente do Boticário
Como o custo dos produtos é baixo, mesmo em cenários de retração, os cosméticos costumam ter bom desempenho; Mas não é o que está ocorrendo durante a pandemia da covid-19, segundo Artur Grynbaum

O setor de cosméticos, em tempos de crise, é visto como um privilegiado porque é beneficiado pelo que os economistas chamam de "efeito batom". Como o custo dos produtos é baixo, mesmo em cenários de retração, os cosméticos costumam ter bom desempenho.
Mas não é o que está ocorrendo durante a pandemia da covid-19, segundo o presidente do Grupo Boticário, Artur Grynbaum. "Nessa crise, o efeito batom não apareceu porque o convívio social ficou prejudicado", disse o executivo, que participou na terça-feira, 26, da série de entrevistas ao vivo Economia na Quarentena, do jornal O Estado de S. Paulo.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:
Como será a retomada das lojas O Boticário?
O plano já está em marcha. Hoje, temos 4 mil lojas, sendo que cerca de 2,5 mil já abertas em diversas regiões. Obviamente, são cidades menores. Estamos orquestrando com nossos franqueados e distribuidores para retomarmos de maneira segura. Para isso, temos de ter as nossas fábricas em funcionamento e nossa distribuição. Os nossos escritórios estão em home office.
O setor de cosméticos é de experimentação. Vocês estão revendo alguns desses processos?
Leia Também
Estamos revisitando tudo. É muito importante a segurança dos consumidores que iremos voltar a receber. Teremos padrões de distanciamento dentro e fora das lojas. Retiramos todos os testes, que foram colocados todos atrás do caixa. A consultora pegará uma fita ou um produto de forma altamente higienizada. Na maquiagem, estamos colocando instrumentos digitais no ponto de venda para que se possa fazer maquiagem virtual.
O grupo tem a maior rede de franqueados do País. Eles estão recebendo auxílio?
Num primeiro momento, tratamos da questão financeira. Fizemos prorrogações dos títulos de março e abril para que eles tivessem mais tempo para olhar operações e times, além de contratos de locação. Fizemos um longo parcelamento de produtos.
Os setores vão se recuperar de forma desigual. Como o setor de cosméticos deve se comportar?
Num primeiro momento da pandemia, as pessoas se voltaram para as necessidades essenciais. A busca foi para álcool em gel, sabonetes. Na sequência, itens de uso rotineiro, como xampus, desodorantes - coisas que as pessoas continuaram a consumir. Nesse período, surgiu a figura do faça você mesmo. Então, as pessoas estão buscando produtos para aplicar em casa.
Como está o movimento das lojas?
A volta é bastante lenta. Nos primeiros dias, tem um certo consumo represado. Fora isso, o movimento é lento. As lojas de shoppings ainda estão com movimento bastante baixo, assim como as das regiões centrais da cidade. Nas lojas de bairro e de hipermercados, o movimento está melhor. As pessoas associam a questão os cosméticos como um setor resiliente à crise. As pessoas associam ao 'feito batom' Só que, nesta crise, o efeito batom não apareceu porque o convívio social está prejudicado. Esperamos que retorne na sequência.
O cenário econômico está muito difícil de prever?
Está bastante turvo o cenário, está difícil entender a dimensão da crise. A crise não é só de saúde, é econômica e aqui no Brasil ainda tem o componente político. Isso dificulta números mais assertivos de retomada. A gente entende que não vai ser uma questão de três ou quatro meses. Vai demorar para voltar ao ponto em que estávamos em março de 2020. É um ledo engano pensar que vai ser rápido. Quanto mais volatilidade, mais fica difícil de prever. Temos nossas curvas de demanda, e temos de estar preparados para acelerações ou recuos. Mas está turvo, porque hoje estamos dependendo de humores. E precisamos olhar para fundamentos para tomar melhores decisões.
A empresa lançou mão de medidas do governo de suspensão de contratos ou corte de salários por causa da pandemia?
Estamos tentando preservar o máximo possível de empregos. Lançamos mão da MP 936 e colocamos contratos em suspensão. Depois desse período, a gente espera ter uma visão melhor e mais condições de tomar decisões lá na frente.
Como o Grupo Boticário decide a reabertura de lojas? Há um acompanhamento próprio da situação em diferentes regiões?
Fazemos um acompanhamento próprio, com cuidado na reabertura das lojas. O pilar essencial é a segurança das pessoas. Temos acompanhando decretos municipais e estaduais, mas fazemos acompanhamento separado de número de casos, mortes e leitos disponíveis. Em posse disso, conversamos com os franqueados de cada região. Em Belém, fechamos as lojas em 22 de março. A autoridade pública só determinou o fechamento em 25 de abril, mais de um mês depois.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO
A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
18 de setembro de 2026 - 16:46LOJA COMPLETA
Assaí (ASAI3) enche o tanque com a compra de postos por R$ 80 milhões; entenda o que isso significa para o investidor
18 de setembro de 2026 - 14:03VOLTA AO PRESENCIAL?
Itaú (ITUB4) quer ocupar mais espaço em SP: banco aluga 100% de empreendimento da Eztec (EZTC3); entenda a estratégia
18 de setembro de 2026 - 10:18POTE DE OURO
O ‘trade’ de Vivara (VIVA3) que poucos perceberam: ouro comprado na baixa agora ajuda a turbinar o caixa
18 de setembro de 2026 - 6:07DISTRIBUIÇÃO DE PROVENTOS
Dividendos e JCP: Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3), Cemig (CMIG4) e B3 (B3SA3) pagam juntas mais de R$ 2 bilhões aos acionistas
17 de setembro de 2026 - 18:34COMPROMISSO AMBIENTAL
Natura (NATU3) emite R$ 700 milhões em debêntures com meta ligada ao uso de plástico sustentável
17 de setembro de 2026 - 18:24TODO CUIDADO É POUCO
As 3 ações do varejo que se dão bem com o aumento do Bolsa Família — e a pegadinha desvendada pelo J.P.Morgan
17 de setembro de 2026 - 18:00MUDANÇAS NO ALTO ESCALÃO
Taesa (TAEE11) escolhe ex-CFO da Petrobras para o comando do conselho — e ela já foi eleita uma das mulheres mais poderosas do mundo
17 de setembro de 2026 - 12:06COMBUSTÍVEIS
Mais caixa e dividendos no tanque: Santander divulga novo preço-alvo para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), com potencial de alta de 27%
16 de setembro de 2026 - 16:31NA BERLINDA
“Sem saída fácil”: Braskem (BRKM5) despenca mais de 13% após UBS BB rebaixar ação e cortar preço-alvo em 74%
16 de setembro de 2026 - 14:09LA BELLE DE JOUR