Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Estadão Conteúdo

Um dos bilionários mais velhos

Aos 99 anos, Aloysio de Andrade Faria, o ‘banqueiro invisível’ ainda dá as cartas

Criador do Banco Real, Aloysio de Andrade Faria continua à frente de um império que inclui o banco Alfa e mais uma dezena de empresas.

Estadão Conteúdo
5 de julho de 2020
19:13
O banqueiro e empresário Aloysio de Andrade Faria com sua esposa Clea Dalva Faria no Masp, durante o lançamento de exposição de Degas em agosto de 1999.
O banqueiro e empresário Aloysio de Andrade Faria com sua esposa Clea Dalva Faria no Masp, durante o lançamento de exposição de Degas em agosto de 1999. - Imagem: Renata Jubran/Estadão Conteúdo

Até pouco tempo antes de a pandemia do coronavírus colocar o Brasil em quarentena, o banqueiro Aloysio de Andrade Faria dava expediente na sede do banco Alfa, na região da Avenida Paulista, pelo menos uma vez por semana. Agora, de sua fazenda de Jaguariúna, no interior de São Paulo, o mineiro de Belo Horizonte continua decidindo, com mãos de ferro, os rumos de seu império.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Aos 99 anos, Faria é o banqueiro mais velho da lista da revista Forbes e o terceiro mais idoso entre todos os bilionários, com uma fortuna estimada em US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões). Prestes a completar um século de vida em novembro, o magnata, que estudou medicina e herdou aos 28 anos o banco que viria a ser o Real, quando seu pai morreu, prefere a discrição dos bastidores às luzes dos holofotes.

Contemporâneo de uma linhagem de banqueiros como Olavo Setubal (Itaú), Walther Moreira Salles (Unibanco) e Amador Aguiar (Bradesco), Faria sobreviveu a inúmeros presidentes e regimes de governo, ministros da Fazenda e presidentes do Banco Central, pacotes e crises econômicas.

“Aloysio é um dos mais sofisticados operadores financeiros do Brasil. É um banqueiro invisível que sempre fez questão de ficar longe de Brasília e das rodas do governo”, define o economista e ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto, de 92 anos. “Ninguém o vê fumando charuto cubano, bebendo Romanée Conti. Está sempre submerso.”

Mais do que banqueiro, Faria tornou-se um profícuo empreendedor em mais de 80 anos de vida empresarial. O grupo controlado por ele engloba não apenas o banco Alfa, mas também uma dezena de empresas, como a rede de hotéis Transamérica, emissoras de rádio, a fabricante de água mineral Águas da Prata, a gigante de material de construção C&C e a produtora de óleo de palma Agropalma, entre outros negócios. “Ordem sem progresso é inútil, progresso sem ordem é falso”. Esta frase, estampada em placas nas empresas do banqueiro, é a sua filosofia de trabalho.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Há ainda na lista um capricho particular: a sorveteria La Basque. Simplesmente porque ele adora sorvetes. Faria costumava dizer que no Brasil não tinha um sorvete bom e mandou chamar um especialista americano para criar o seu próprio. “Ele fazia questão de escolher os sabores”, diz um ex-executivo do grupo.

Leia Também

Retiro

Viúvo há quase três anos, depois de um casamento de mais de sete décadas, Faria vive agora recluso em sua fazenda em Jaguariúna, em uma propriedade em estilo clássico, construída com pedras trazidas da Inglaterra (país no qual costumava passar longas temporadas), em frente a um lago. Não abre mão de hastear todos os dias as bandeiras do Brasil e de Minas Gerais na fazenda, contam pessoas próximas a ele.

Embora esteja fora do dia a dia dos negócios - o grupo financeiro e as empresas têm há anos gestão profissionalizada, a cargo de executivos de sua confiança -, o banqueiro tem sempre a palavra final em decisões, dizem pessoas que convivem com ele. Uma geração de executivos foi moldada para cuidar dos negócios - os chamados “prata da casa”, tão discretos quanto ele. Faria não deu entrevista para essa reportagem.

Nem a venda do Real em 1998, por US$ 2,1 bilhões, na época o quarto maior banco privado do País, jogou luz sobre o banqueiro. Faria atuou nos bastidores da venda do seu banco ao holandês ABN Amro (posteriormente comprado pelo Santander), a despeito do receio da abertura do mercado financeiro ao capital estrangeiro às vésperas da desvalorização do real, na campanha à reeleição de FHC. Os grandes bancos reagiram e foram às compras nos anos seguintes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O negócio, curiosamente, foi fechado no dia do jogo entre Brasil e Holanda, que levou a seleção brasileira para a final da Copa da França. No dia da assinatura, Faria não apareceu. Delegou a tarefa aos executivos. Em vez de fazer uma comemoração para celebrar o negócio, preferiu se reunir com a família.

Nascido em Belo Horizonte, Faria veio de família rica. Seu avô era latifundiário no norte de Minas Gerais e criou-se na política, assim como seu pai, que decidiu fundar em 1924 o Banco da Lavoura de Minas Gerais, cuja regra era “emprestar pouco para muitos”. Foi um banco que cresceu na política do “café com leite” do Brasil da época - quando o poder nacional era dividido entre as oligarquias mineira e paulista.

Maior banco privado

Em poucas décadas, a instituição se tornou o maior banco privado na América Latina. Inicialmente, Faria não pensava em seguir a carreira de banqueiro. Havia estudado medicina na UFMG e se especializado em gastroenterologia pela Universidade Northwestern, de Chicago. Com o morte do pai, em 1948, herdou, ao lado do irmão mais novo, Gilberto, o banco.

“Os filhos herdaram o banco do pai em um momento histórico para o sistema financeiro do País, quando os bancos paulistas ainda não eram tão proeminentes, e o País era dominado por instituições estrangeiras”, lembra o economista Fernando Nogueira da Costa, professor de Economia da Unicamp e estudioso sobre o sistema financeiro brasileiro. Foi o primeiro banco privado a abrir, nos anos 1960, uma filial em Nova York, na 5.ª Avenida, próximo a um apartamento que a família mantinha na metrópole.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Aloysio Faria até tentou por pouco tempo conciliar o consultório médico e a gestão do banco, sem sucesso. Enquanto o banco crescia, Faria recebeu uma proposta para comprar o Unibanco, de Walther Moreira Salles. Os dois mineiros chegaram a sentar para conversar. Falaram de tudo, menos do negócio. “Como ele não me falou nada (sobre a venda do banco), também não perguntei”, relatou após o encontro, segundo uma pessoa íntima da família.

Por duas décadas, Aloysio Faria se revezou na gestão do banco com seu irmão. Mas Gilberto decidiu seguir a carreira política em um momento crítico de polarização nos anos 1960. Como genro de Tancredo Neves (então primeiro-ministro durante o governo João Goulart) e padrasto do hoje senador Aécio Neves, foi deputado federal pelo PSD e pela Arena entre 1963 a 1971.

Foi nesse último ano que os irmãos se desentenderam sobre a gestão. Os dois cindiram o Banco da Lavoura. Aloysio ficou com os ativos que se tornaram o banco Real, e Gilberto, com o Banco Bandeirantes. A contenda entre os irmãos extrapolou os negócios. Ao dividirem a fortuna, Aloysio e Gilberto nunca reataram suas relações. “Os avós nunca mais se falaram, mas os netos se dão bem”, diz uma pessoa próxima à família.

Anos atrás, Aloysio foi obrigado a se defender nos tribunais contra uma ação milionária trabalhista movida por um de seus ex-genros. Carlos Ortiz Nascimento, que administrava os negócios não financeiros do grupo, exigiu um naco da fortuna do sogro, alegando ter construído parte do império de Faria, como os Hotéis Transamérica e a Agropalma. Em quase todas as batalhas na Justiça, Aloysio venceu, mas ainda há processos em curso. Procurado por meio do seu advogado, Ortiz Nascimento não quis se manifestar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Avesso a colunas sociais, Aloysio também nunca foi de frequentar rodas da high society. Esse papel cabia à esposa Cléa Dalva e às cinco filhas. O banqueiro tem 17 netos. “Ele discorre sobre vários assuntos com grande erudição”, diz o empresário David Feffer, presidente do conselho de administração do grupo Suzano. “Como meu pai, ele dividia uma paixão pelas artes e cavalos árabes.” Nos anos 1960, Faria importou cavalos árabes dos EUA, ampliando a disseminação da raça no Brasil e se mantém como um dos maiores criadores. Também tomou gosto por gado holandês.

Entusiasta das artes, foi diretor do Museu de Arte Moderna de Belo Horizonte e também do Museu de Arte de São Paulo. Sua esposa era colecionadora de esculturas e quadros e tinha obras originais de Portinari, Djanira e Maria Leontina. Ao longo dos últimos anos, fez doações milionárias para saúde e educação. Mesmo afastado da medicina, nunca deixou o assunto de lado. Ajudou a cuidar da própria saúde e também da de sua esposa. Há alguns anos, curou-se de um câncer e montou um “mini-hospital” no seu hotel em São Paulo, conta um amigo. “Ele costuma ler e sempre me manda artigos científicos de fora para trocar impressões”, também confidencia o médico urologista Miguel Srougi, amigo de longa data.

Faria também tem suas extravagâncias, entre elas um jatinho (ele também é dono de uma empresa de táxi aéreo) e um Porsche que dirigiu há até pouco tempo. E também não abandonou o sorvete. “Ele é rigoroso durante a semana, mas toma quatro bolas no fim de semana”, diz um dos seus netos.

“Gosto é mesmo de ficar sentado na minha varanda lendo em frente ao lago”, confidenciou a um amigo próximo. E é o que ele tem feito nestes tempos de quarentena. Como um bom médico, decidiu pelo isolamento. A festa planejada pela família para comemorar seu centenário está, por ora, suspensa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
SKINS EM CRISE

A conta chegou para a Epic Games, criadora de um dos games mais jogados do mundo; por que a empresa que inventou o Fortnite demitiu mais de mil funcionários

27 de março de 2026 - 12:06

Epic Games, empresa criadora do Fortnite, faz corte brutal na equipe e coloca a culpa no principal game da casa

INCERTEZA SOBRE CONTINUIDADE

Braskem (BRKM5) tem prejuízo de R$ 10,28 bilhões no 4T25, alta de 82%, alavancagem dobra, e auditoria expressa preocupação

27 de março de 2026 - 9:10

O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG; no entanto, houve o registro de uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia”.

NO RASTRO DA CRISE

Mais uma peça cai: Banco Central decreta liquidação extrajudicial do conglomerado Entrepay em meio à crise do Banco Master

27 de março de 2026 - 8:44

Regulador cita fragilidade financeira e irregularidades; grupo já estava no radar de investigações

RETORNO AO ACIONISTA

Dividendos à vista: Hypera (HYPE3) anuncia R$ 185 milhões em JCP e conclui aumento de capital

26 de março de 2026 - 19:47

Data de corte se aproxima enquanto caixa turbinado muda o jogo para quem pensa em investir na ação da farmacêutica

PROVENTOS NO RADAR

Acionista da Copel (CPLE3) vai encher o bolso? BTG calcula bolada em dividendos e diz o que fazer com as ações

26 de março de 2026 - 19:36

Projeções de proventos ganham fôlego com revisão do banco; veja o que muda para o investidor

NOVA ESTRUTURA

A nova aposta do Bradesco (BBDC4): como nasce a BradSaúde e o que muda no grupo segurador

26 de março de 2026 - 17:44

Nova estrutura separa operações e cria uma “máquina” dedicada a um dos segmentos mais promissores do grupo; veja o que muda na prática

RESULTADOS PRESSIONADOS

JBS (JBSS32) encara custos altos no gado e no milho, mas ainda é preferida do BTG no setor; entenda o que move a ação

26 de março de 2026 - 17:01

A JBS ainda considera que o cenário de oferta de gado nos EUA seguirá difícil em 2026, com o boi se mantendo caro para os frigoríficos devido à baixa no ciclo pecuário

MENOR E MAIS LEVE

Americanas (AMER3) sai da recuperação menor e com foco em lojas físicas; ela tem forças para correr atrás da concorrência?

26 de março de 2026 - 15:03

No entanto, enquanto ela olhava para dentro de seu negócio, as concorrentes se movimentavam. Agora, ela precisará correr se quiser se manter como uma competidora relevante no jogo do varejo brasileiro

IMERSÃO MONEY TIMES

Como o Magazine Luiza (MGLU3) conseguiu lucrar mais com IA do que a dona do ChatGPT e o próprio Google?

26 de março de 2026 - 11:54

Em participação no Imersão Money Times, em parceria com a Global X, Caio Gomes, diretor de IA e dados do Magalu, explica quais foram as estratégias para adoção da tecnologia na varejista

VAI DECOLAR PARA LONGE

Adeus, Gol (GOLL54): empresa vai sair da bolsa nesta sexta-feira e tem data para ser extinta; relembre a ‘novela’ da companhia

26 de março de 2026 - 11:26

Após a recuperação judicial nos Estados Unidos, quase fusão com a Azul e OPA, a companhia vai voar para longe da bolsa

ADEUS, PENNY STOCK

Marisa (AMAR3) recebe enquadro da B3 por ação abaixo de R$ 1, e avalia fazer grupamento; presidente do conselho renuncia

26 de março de 2026 - 10:14

Com papéis na casa dos centavos, varejista tem prazo para reagir; saída de presidente do conselho adiciona pressão

REESTRUTURAÇÃO EM CURSO

Casas Bahia (BHIA3) dá novo passo na virada financeira e levanta R$ 200 milhões com FIDC de risco sacado

26 de março de 2026 - 9:33

Após reduzir alavancagem, varejista busca agora melhorar a qualidade do funding; entenda

SAIU DO FUNDO DO POÇO?

Americanas (AMER3) pede fim da recuperação judicial, vende Uni.Co e reduz prejuízo em mais de 90%

26 de março de 2026 - 8:57

A Americanas estava em recuperação judicial desde a revelação de uma fraude bilionária em 2023, que provocou forte crise financeira e de credibilidade na companhia. Desde então, a empresa fechou lojas, reduziu custos e vendeu ativos

AINDA PRECISA VOTAR

A torneira dos dividendos vai fechar? A proposta da Equatorial (EQTL3) que pode mudar a distribuição aos acionistas

25 de março de 2026 - 19:59

Companhia propõe cortar piso de distribuição para 1% do lucro e abre espaço para reter caixa; investidor pode pedir reembolso das ações

ATENÇÃO, ACIONISTA

Dividendos e JCP: Bradesco (BBDC4) anuncia R$ 3 bilhões em proventos; veja quem mais paga aos acionistas

25 de março de 2026 - 19:25

Pagamento anunciado pelo banco será realizado ainda em 2026 e entra na conta dos dividendos obrigatórios

BARATA OU ARMADILHA?

Mesmo a R$ 1, Oncoclínicas (ONCO3) ainda tem espaço para cair mais: o alerta do JP Morgan para as ações

25 de março de 2026 - 17:02

Após tombo de mais de 90% desde o IPO, banco vê espaço adicional de queda mesmo com papel aparentemente “barato” na bolsa; entenda

O QUE FAZER COM AS AÇÕES?

Não é hora de colocar a mão no fogo pela Hapvida (HAPV3): por que o Citi ainda não comprou o discurso de virada da empresa

25 de março de 2026 - 16:09

Apesar de sinalizar uma possível virada operacional e reacender o otimismo do mercado, a Hapvida (HAPV3) ainda enfrenta ceticismo do Citi, que reduziu o preço-alvo das ações

DON'T STOP ME NOW

Mercado Livre (MELI34) anuncia investimento gigantesco no Brasil e tem planos para entrar em novo segmento bilionário, mas há um porém no curto prazo, diz BTG

25 de março de 2026 - 13:37

Com o aumento dos investimentos, as margens continuam comprimidas, então o retorno para acionistas não deve vir no curto prazo, acredita o banco. Entrada no segmento farmacêutico também deve ser gradual, com projeto piloto lançado ainda neste ano

VENCENDO A TURBULÊNCIA

Dividendos extraordinários da Vale (VALE3) baterão à porta do investidor em breve, segundo o BTG

25 de março de 2026 - 12:42

Banco vê espaço para revisões positivas de lucro, impulsionadas por minério mais caro, disciplina de capital e resiliência da demanda chinesa

ATUALIZAÇÃO

iOS 26.4 combina novos emojis, Apple Music mais esperto e verificação de idade em obediência à la Lei Felca

25 de março de 2026 - 11:54

Apple lança update com foco em segurança, entretenimento e acessibilidade, em sintonia com discussões como a Lei Felca

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia