Rombo das contas externas chega a US$ 50 bilhões; resultado de 2019 foi o pior em 4 anos
Ainda assim, o resultado não chega a preocupar os especialistas, já que o déficit foi largamente superado pela entrada de recursos via Investimentos Diretos no País

O Brasil terminou o ano de 2019 com um déficit na conta corrente do balanço de pagamentos de US$ 50,762 bilhões, segundo o Banco Central. Este foi o maior rombo anual desde 2015, quando a conta ficou negativa em US$ 54,472 bilhões.
Ainda assim, o resultado não chega a preocupar os especialistas, já que o déficit foi largamente superado pela entrada de recursos via Investimentos Diretos no País (IDP), que somaram US$ 78,559 bilhões no ano passado.
A conta corrente reflete o saldo da relação do Brasil com outros países nas áreas comercial (exportações menos importações), de serviços (receitas e despesas com viagens, seguros e aluguel de equipamentos, entre outros itens) e de rendas (pagamentos de juros e remessas de lucros, entre outras operações).
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Em 2019, a balança comercial do País seguiu positiva, com saldo total de US$ 39,404 bilhões. A cifra foi resultado de exportações totais de US$ 224,436 bilhões para outros países, menos as importações de US$ 185,032 bilhões. A conta de serviços, no entanto, foi negativa em US$ 35,141 bilhões no ano passado, enquanto a rubrica de renda primária apresentou déficit de US$ 55,989 bilhões.
Apesar de o rombo de US$ 50,762 bilhões na conta corrente em 2019 ter superado o que foi visto em anos anteriores, o Brasil continuar a receber investimentos estrangeiros, o que ajuda a fechar as contas.
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No ano passado, enquanto o déficit em conta representou 2,76% do Produto Interno Bruto (PIB), o IDP total, de US$ 78,559 bilhões, foi equivalente a 4,27% do PIB.
Dívida externa
Já a dívida externa bruta brasileira aumentou de 2018 para 2019, de US$ 320,612 bilhões para US$ 323,593 bilhões, o que representa uma alta de 0,93%.
Neste caso, a situação também é confortável, já que o Brasil há anos é credor - e não devedor - em moeda estrangeira, com reservas internacionais atualmente na casa dos US$ 357 bilhões.
Investimento Direto
Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 78,559 bilhões em 2019, ainda segundo o BC. Em 2018, a entrada de recursos nessa conta havia somado US$ 78,163 bilhões.
O resultado do ano passado ficou em linha com o esperado nas estimativas do mercado financeiro, que iam de US$ 75,7 bilhões a US$ 83,1 bilhões, com mediana de US$ 80,050 bilhões. Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de 2019 indicaria entrada de US$ 80,0 bilhões.
Este saldo de investimento estrangeiro acumulado em 2019 representou 4,27% do Produto Interno Bruto (PIB).
Somente em dezembro, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 9,434 bilhões. A estimativa do BC para o mês passado era de US$ 11 bilhões. Já o mercado financeiro projetava IDP entre US$ 6,6 bilhões e US$ 14,0 bilhões em dezembro (mediana de US$ 11,0 bilhões).
Taxa de rolagem
O Banco Central informou que a taxa de rolagem de empréstimos de médio e longo prazos captados no exterior ficou em 80% em 2019. Esse patamar significa que não houve captação de valor em quantidade para rolar compromissos das empresas no período.
O resultado ficou abaixo do verificado em 2018, quando a taxa havia sido de 92%.
De acordo com os números apresentados nesta segunda-feira pelo BC, a taxa de rolagem dos títulos de longo prazo ficou em 51% em 2019. Em 2018, havia sido de 92%. Já os empréstimos diretos atingiram 92% no ano passado, mesmo porcentual do ano anterior.
Somente em dezembro, a taxa de rolagem total ficou em 28%. Os títulos de longo prazo tiveram taxa de 144% e os empréstimos diretos, de 25% no período. O BC estimava taxa de rolagem de 100,0% para 2019 e também para 2020.
*Com Estadão Conteúdo
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