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Presidente do BC disse que a autoridade monetária tem posição de “absoluta tranquilidade” em relação à inflação e afirmou não acreditar que a alta nos preços de alimentos neste ano possa impactar a inflação em 2021
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, avaliou nesta quinta-feira que a velocidade do processo de retomada do crescimento doméstico indica que o Brasil está bastante acima da média de emergentes, tanto em 2020 como nas expectativas para 2021.
Campos Neto destacou que os juros altos na parte longa da curva denotam prêmio fiscal, com uma preocupação em relação à política de saída dos estímulos dados durante a pandemia. "Não é um fenômeno de expectativas de inflação. A PEC do orçamento de guerra é instrumento estabilizador do mercado e não um instrumento de política monetária", afirmou.
Campos Neto também disse que a autoridade monetária tem posição de "absoluta tranquilidade" em relação à inflação e afirmou não acreditar que a alta nos preços de alimentos neste ano possa impactar a inflação em 2021.
"Existem efeitos na inflação provenientes da subida de commodities e provenientes do pagamento de auxílios durante a pandemia. Também mostramos relação do IPA e do IPCA e possível contaminação. Estamos tranquilos e entendemos que existia uma pressão em 2020, mas não entendemos que esses reajustes recentes irão contaminar as inflações futuras", completou.
O diretor Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, ressaltou que, dada a ociosidade da economia, o repasse de preços para 2021 será muito baixo.
Roberto Campos Neto repetiu que o BC olha o horizonte relevante, que é o importante para a política monetária e admitiu que o espaço para que a inflação fique dentro da meta em 2020 é pequeno ou nulo.
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"Introduzimos o 'forward guidance' porque a precificação do curto prazo não estava de acordo com o que entendíamos no BC sobre a inflação. Olhamos sempre o horizonte relevante", respondeu.
Fabio Kanczuk, lembrou que o horizonte relevante do BC é 2021 e, em menor, grau 2022.
Roberto Campos Neto disse, ainda, que o Relatório Trimestral de Inflação de hoje traz simulações da autoridade monetária que mostram tranquilidade em relação ao impacto do câmbio para as projeções de inflação.
"Estamos absolutamente tranquilos em relação ao cenário. Entendemos que os preços de alimentos sofrem sim um aumento, mas tendem a se estabilizar. Sempre olhamos o balanço de riscos e levamos em consideração cenários adversos, mas entendemos que o pior do efeito pandemia parece ter ficado para trás", afirmou.
O presidente do Banco Central reforçou que o órgão tem uma preocupação fiscal sobre o auxílio emergencial e entende que o governo não tem condições de continuar pagando R$ 600 por mês do auxílio.
"A massa salarial do Brasil foi recomposta, mas o consumo caiu. Então temos aí uma poupança circunstancial. Acho que o cenário ideal para o BC é aquele no qual o auxílio deixa de existir ou diminui. O governo deve ter algum novo programa, mas não cabe a nós especular. O efeito poupança deve ser reincorporado ao consumo", afirmou.
Campos Neto apontou ainda que países que tiveram formato de contaminação de sino pelo novo coronavírus tiveram uma segunda onda de covid-19. Segundo ele, porém, ainda é cedo para se falar em segunda onda no Brasil.
O presidente do BC também disse que a autoridade monetária tem olhando de forma geral como mercado está se adaptando ao ambiente de juros mais baixos.
"São vários fatores que tendem a um desequilíbrio quando os juros caem. Obviamente, depois de um tempo, isso se acerta. Muitos produtos do mercado na indústria financeira são em taxa fixa ou porcentual do CDI. Quando os juros caem, a relação entre o custo do produto e o custo operacional é alterada. Não vemos nenhum grande problema, mas entendemos que isso requer cautela", afirmou.
Campos Neto avaliou que, em anos de grande crise, a tendência é ter queda do Investimento Direto no País (IDP). "Mas entendemos que haverá retomada do IDP em 2021, inclusive como proporção do PIB", disse.
A projeção para o Investimento Direto no País (IDP) em 2020 foi de US$ 55,0 bilhões para US$ 50,0 bilhões. Já a projeção para 2021 é de US$ 65,2 bilhões.
Sobre a saída de investidores em portfólio do País em 2020, Campos Neto considerou que a fuga em renda fixa é causada pelo juro menor no Brasil e risco maior. "Na bolsa, houve saída de estrangeiros, equilibrada por entrada de locais", disse.
Roberto Campos Neto entende ser necessário estar explícito na PEC do Orçamento de Guerra a possibilidade de intervenção pelo BC no mercado de títulos em 2021. Ele lembrou que a autoridade monetária ainda não realizou intervenções nesse mercado.
"Se entendermos que é preciso ter extensão da possibilidade de intervenção e que o mercado está indo por um caminho de disfuncionalidade, o BC pode fazer a sugestão ao Legislativo para a prorrogação por mais um ano, mas não é o nosso cenário hoje", respondeu.
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