Os melhores e piores investimentos de 2020: a palavra de ordem foi ‘proteção’
Em ano atípico e marcado por uma forte crise econômica, os ativos de utilizados como proteção foram os grandes destaques do ano

Ainda é cedo para saber por qual alcunha o ano de 2020 ficará gravado para sempre nos livros de história. As desventuras em série dos últimos doze meses abrem um leque quase que infinito de opções para os historiadores do futuro.
Quando olhamos para o mundo dos investimentos, esse sem dúvida foi o ano dos ativos de proteção. Isso porque, em meio ao vendaval de incertezas, ter ouro e dólar na carteira foi (e segue sendo) sinônimo de segurança. Quem foi mais ousado e apostou no bitcoin como alternativa tem motivos para celebrar.
[captacao]
Não é que eles não tenham sofrido com o coronavírus. A crise de liquidez que derrubou os mercados em março atingiu, em maior ou menor grau, todas as classes de ativos. Até mesmo aqueles considerados tradicionalmente mais seguros. Mas a recuperação que se viu logo em seguida, enquanto as bolsas globais patinavam, foi rápida e fez com que esses ativos ganhassem a preferência dos investidores.
Melhor investimento de 2020, com uma rentabilidade acima dos 400% em reais, o bitcoin teve um ano transformacional. A emissão desenfreada de moedas fiduciárias por parte dos governos — para conter os efeitos da crise do coronavírus — fizeram os olhos do mundo se voltarem para o mercado de criptoativos.
Isso porque, na direção contrária da atuação dos BCs, o bitcoin cortou o seu ritmo de emissão pela metade, ficando ainda mais escasso na "natureza", em um evento programado batizado de Halving e já muito antecipado em 2019.
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A ‘tempestade perfeita’ criada pelo coronavírus estimulou o amadurecimento do ecossistema de criptoativos e a chegada do dinheiro institucional aos ativos que um dia foram vistos como ‘fogo de palha’ e com grande desconfiança.
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As moedas digitais são uma opção relativamente nova no universo de ativos de proteção, e a altíssima volatilidade do bitcoin dificulta o investimento para esse fim. O dólar e o ouro, por outro lado, são tradicionalmente utilizados como reserva de valor. A moeda norte-americana em particular aqui no Brasil.
Então, não surpreende que esses sejam os ativos que fechem o pódio de melhores investimentos de 2020. A moeda americana se valorizou 29,3% e o ouro rendeu 24,3% nos últimos doze meses.
Na ponta contrária da tabela estão os fundos imobiliários (medidos pelo IFIX). Essa classe de ativos foi a única a ter rendimento negativo no acumulado do ano (-10,24%), fortemente afetada pelas medidas de distanciamento social que mexeram diretamente com shoppings e lajes corporativas.
A revolução na renda fixa provocada pela queda da Selic para 2% ao ano e a crise fiscal herdada do coronavírus afetou o desempenho dos títulos públicos, em especial aqueles com vencimentos mais longos.
Na semana que vem, a partir do dia 4 de janeiro, o Seu Dinheiro começa a publicar uma série de reportagens com as principais projeções do mercado para as diferentes classes de ativos: ações, fundos imobiliários, câmbio, ouro, criptomoedas e imóveis.
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Confira a seguir a tabela completa com os melhores e piores investimentos de 2020:

Bitcoin: ouro digital?
Depois de ser o melhor investimento de 2019, o bitcoin mais uma vez ficou com a liderança do ranking dos melhores do ano.
No ano passado, a valorização da moeda digital aconteceu na esteira do halving — um evento que acontece de quatro em quatro anos e que corta pela metade a emissão de novos bitcoins. Mas não foi só isso.
Todo o mercado de criptomoedas passou por um intenso processo de maturação em 2020, com o aperfeiçoamento regulatório e até mesmo a criação do primeiro ETF (fundos de índice) de criptomoedas do mundo.
Além disso, a crise do coronavírus serviu para estabelecer a classe de ativos como uma espécie de ‘ouro digital’, ou seja, um bom ativo para momentos de incertezas já que além de escasso também apresenta grande descorrelação do mercado financeiro tradicional.
Outro ponto que deve continuar sendo pauta em 2021 é a entrada cada vez maior dos grandes investidores institucionais no mercado de criptomoedas.
Se antes os grandes tubarões do mercado viam as moedas digitais com desconfiança, hoje eles já começam a ter uma fatia cada vez maior em seus portfólios. Esse aumento da demanda, aliado à menor oferta e uma maturação do mercado, deve seguir ditando o ritmo dos negócios no próximo ano.
Com esse renovado interesse, o bitcoin já supera em muito o patamar dos US$ 20 mil, atingido pela primeira vez em 2017.
Dólar: Economia na corda bamba
Para além da sua atuação como um ativo de proteção, o dólar também foi fortemente pressionado por outras questões envolvendo o coronavírus.
A aversão ao risco que tomou conta de boa parte do ano já seria um fato desfavorável o suficiente para as moedas de países emergentes como o Brasil. Mas, neste caldeirão, também tivemos uma economia brasileira fraca (o ano começou com PIBinho e terminou em recessão) e que, fortemente afetada pela crise do coronavírus, ressuscitou o medo do risco fiscal.
A atuação do governo para conter os estragos da pandemia, como o auxílio emergencial e a criação de um novo programa para substituir o bolsa-família, flertou em diversos momentos com o rompimento do teto de gastos, o que, claro, não agradou em nada o mercado.
Nos últimos meses, qualquer ruído relacionado às despesas públicas teve um impacto direto no câmbio, que chegou a encostar na casa dos R$ 6. Mesmo com o alívio recente na questão político-fiscal, a moeda americana ainda preservou mais de 30% de valorização, rondando a casa dos R$ 5,20.
Bolsa: Com sabor de goleada
Como boa corinthiana, sei reconhecer de longe aquele empate que parece uma vitória ou aquele 1 a 0 com gostinho de goleada. Olhar para o avanço de 2,92% do Ibovespa em 2020 tem o mesmo sabor.
Depois de avançar 31,58% em 2019, as projeções indicavam que esse poderia ser "O" ano para a para a bolsa brasileira. A expectativa era que os juros baixos, o andamento das reformas e a continuidade da recuperação econômica fizessem com que a bolsa voasse alto em 2020.
Em janeiro, antes de o mundo virar de ponta cabeça, a bolsa realmente seguiu os prognósticos e renovou diversas vezes o seu topo histórico. Depois disso, o coronavírus deixou de ser um problema local e se tornou a maior pandemia do século. Assim, o Ibovespa acompanhou a queda dos mercados globais e perdeu quase 50% do seu valor.
Nove meses depois de atingir o fundo do poço, no entanto, cá estamos nós novamente no patamar que começamos o ano. A bolsa brasileira engatou dois meses de valorização expressiva, apoiada na tão sonhada volta dos investidores estrangeiros, que contribuíram bastante para reverter o placar.
Pode até parecer que a valorização de cerca de 3% é pouca coisa se comparado ao que se esperava, mas dadas as circunstâncias de 2020, a recuperação das bolsas globais (e do Ibovespa) foi impressionante.
Na lanterna
Enquanto a bolsa brasileira conseguiu se recuperar do tombo de março, o mesmo não pode ser dito dos fundos imobiliários.
A classe de ativos, que esteve entre os melhores investimentos de 2019 e acreditava-se que teria um bom 2020, se recuperou apenas parcialmente dos estragos causados pela crise econômica. Depois de desabar mais de 35% no pior momento, o Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) encerrou o ano com queda de 10,24%.
O desempenho negativo dos fundos imobiliários pode ser explicado pelo fato de que muitos dos imóveis presentes nas carteiras de FIIs negociados em bolsa, como os shoppings e lajes corporativas, foram duramente afetados pelas medidas de distanciamento social.
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