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efeito coronavírus

Pandemia afeta planos de concessões

Número de leilões de rodovias federais previsto para este ano caiu em mais da metade, de sete para três concessões

Estrada passando por entre árvores
Imagem: Pexels

A pandemia do novo coronavírus já afeta diretamente o planejamento do governo na área de infraestrutura, com adiamento de concessões e risco de redução de investimentos em uma série de projetos que serão transferidos à iniciativa privada.

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O número de leilões de rodovias federais previsto para este ano caiu em mais da metade, de sete para três concessões. No planejamento dos aeroportos, a previsão de investimentos em obras de novas concessões deve ser reduzida.

Os estudos iniciais da 6.ª rodada de concessões de aeroportos, que vai transferir a operação de 22 terminais da Infraero à iniciativa privada, estimavam investimentos totais de R$ 6,7 bilhões ao longo das concessões.

Agora, no entanto, esses projetos passam por uma revisão em razão da crise, e a tendência é de que o desembolso por parte dos novos operadores seja menor. Esse número, por sua vez, ainda está sendo fechado. O leilão está programado para março de 2021. A previsão inicial era de o certame ocorrer ainda neste ano.

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Apesar de as concessões contarem com investimentos fixos, uma fatia relevante dos recursos que precisarão ser aplicados está atrelada à adequação dos aeroportos a curva da demanda, ou seja, ao número de passageiros que passarão a utilizar os terminais ao longo dos anos. São investimentos para ampliação de terminais, de processamento de bagagem e estacionamento, por exemplo.

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Além de a crise ter afetado o fluxo atual dos aeroportos - que encolheu mais de 90% -, a pandemia também mexeu com essa curva de demanda. Quando foram inicialmente projetadas, os estudos tinham como base um crescimento da economia brasileira de 2,7% neste ano e de 2,6% para 2021.

O número mais recente do Ministério da Economia mostra uma inversão brusca, com uma queda de 4,7% do PIB neste ano. Já o último boletim Focus prevê um recuo de 6,5%. Como a aviação é muito afetada pela situação econômica de um país, tudo indica que menos pessoas vão optar pelo transporte aéreo pelos próximos anos.

"Os investimentos que sofrem com a mudança na demanda, de fato, têm alteração, porque você trabalha com uma nova curva", disse o secretário nacional de Aviação Civil, Ronei Glanzmann.

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Diante do cenário difícil para a aviação, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, tem respondido que a atratividade dos leilões de aeroportos está garantida. Freitas atribui essa segurança justamente ao gatilho que vincula os investimentos à demanda. Na prática, isso faz com que a concessionária não invista na operação quando não há retorno de receita garantido, o que auxilia no equilíbrio do caixa.

No caso das estradas, o cronograma dos leilões não foi afetado somente pela crise, mas também por alterações nos projetos de concessão. Duas ofertas seguem de pé, da BR-153/080/414, entre Goiás e Tocantins; e a BR-163/230, entre Mato Grosso e Pará. Outros quatro certames inicialmente programados para 2020, porém, foram adiados, incluindo o da Dutra, que liga Rio e São Paulo.

Internamente, o ministério não se mostra preocupado com a redução no número de leilões para este ano. A avaliação de integrantes da pasta ouvidos pela reportagem é de que o importante é analisar o melhor para a concessão, mesmo que isso leve a uma etapa de estudos mais longa. Para o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), César Borges, o adiamento de leilões em razão da crise do novo coronavírus é "prudente".

Caso a caso

No planejamento dos aeroportos, as concessões estão divididas em três blocos: Sul, Central e Norte. A maior fatia de investimentos, segundo os estudos atuais, está concentrada no bloco Sul, com R$ 2,9 bilhões. Com nove ativos, o grupo conta com o aeroporto internacional de Curitiba (PR), um dos mais valiosos dessa rodada. Apenas esse terminal tinha previsão de receber R$ 310 milhões de capex (investimento) durante a concessão. Em 2018, o aeroporto registrou 64 mil operações.

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A forma como os investimentos serão afetados em Curitiba e em cada um dos outros 21 aeroportos não será linear, aponta o secretário nacional de Aviação Civil. O número depende do perfil desses terminais, se o predomínio é de passageiros domésticos, internacionais ou de carga, por exemplo. "Cada segmento sofre de uma maneira. O mercado de Manaus, por exemplo, tem muita carga em razão da Zona Franca. E o mercado de cargas está sofrendo bem menos", disse Glanzmann sobre o aeroporto internacional de Manaus, para onde os estudos iniciais preveem um investimento de R$ 239 milhões.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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