Menu
2020-02-03T08:54:00-03:00
Estadão Conteúdo
mudanças à vista

Mercado se prepara para oferecer sistema de pagamento instantâneo

Medida do BC começa a passar por testes de conectividade neste mês e deve ser implementada em novembro

3 de fevereiro de 2020
8:37 - atualizado às 8:54
pagamento cartão h
Imagem: Shutterstock

Transferir dinheiro de forma instantânea para qualquer tipo de conta corrente ou de pagamento, seja de pessoas físicas ou de um estabelecimento comercial, a qualquer hora, em qualquer dia da semana, sem nem precisar saber todos os dados do destinatário e em poucos cliques. É isso que o Banco Central prevê para o novo sistema de pagamentos, que começa a passar por testes de conectividade neste mês e deverá ser implementado a partir de novembro.

Após o lançamento, instituições financeiras de grande porte (como os bancos de varejo) e instituições de pagamento (como fintechs que trabalham com contas e carteiras digitais) serão obrigadas pelo BC a oferecerem esse serviço para os clientes.

"O sistema de pagamento instantâneo tem a característica de operar 24 horas por dia, sete dias por semana. Ele vai incluir todos as instituições financeiras e de pagamento. Hoje em dia, você tem o TED e o DOC, que englobam todo o sistema financeiro, mas eles não funcionam nesse esquema 24 por 7", diz Angelo Duarte, chefe do departamento de competição e de estrutura do mercado financeiro do BC.

Duarte explica que, no sistema atual, mesmo uma operação com cartão de débito não gera crédito em conta no mesmo momento da operação em uma loja. No novo sistema, esse problema promete ser resolvido, creditando o valor pago instantaneamente na conta do recebedor. Segundo a Febraban, o sistema permitirá enviar e receber dinheiro em dez segundos.

A mudança busca ainda reduzir os custos do sistema. "As transações do dia a dia com cartão de débito e crédito têm custos maiores do que no sistema de pagamentos instantâneos. Esses custos não são visíveis para quem usa o cartão", diz Duarte. Com custos reduzidos e um sistema aberto a qualquer instituição, a intenção é incentivar a competitividade. "Como o sistema financeiro no Brasil é concentrado, o custo de transferências, por exemplo, é relativamente alto. Com mais competitividade, em um sistema aberto, os custos das transações para os clientes também devem diminuir", diz Tulio Oliveira, vice-presidente do Mercado Pago, instituição de pagamento do Mercado Livre.

É justamente a característica de incentivo à competição que deve diferenciar o sistema de pagamentos brasileiro do que se observa, por exemplo, na China. No país asiático, duas carteiras digitais dominam o setor e praticamente substituíram o dinheiro. "O mercado daqui não vai ser igual ao chinês. Daqui a três ou cinco anos, creio que teremos cinco ou seis grandes ecossistemas de pagamento convivendo e competindo", diz Gueitiro Genso, presidente da carteira digital PicPay. É consenso também que os cartões e o próprio dinheiro não vão deixar de existir de uma hora para outra. "As formas de pagamento podem coexistir. Vale levar em consideração o diferente momento da economia do Brasil em relação a outros países", diz Carlos Nomura, diretor de pagamentos da PayPal.

Na visão do coordenador do curso de administração do Ibmec de Minas Gerais, Eduardo Coutinho, porém, a redução de custos do sistema e o ambiente aberto não são garantia da redução de custos para o cliente final. "Toda a cadeia de pagamentos vai ter redução de custos, mas temos de observar para saber como isso vai se refletir no consumidor." Ele acrescenta que a competição dependerá das condições de acesso ao mercado para as novas empresas.

Outros caminhos

Enquanto as mudanças não chegam, as carteiras digitais se movimentam para ganhar inserção no mercado. As chamadas e-wallets já permitem pagamentos instantâneos entre seus usuários e em estabelecimentos credenciados às suas redes. No entanto, trata-se de sistemas fechados que, no geral, não se comunicam com os concorrentes. Uma das características mais interessantes desse modelo é que não é preciso nem mesmo possuir uma conta bancária tradicional para utilizar as carteiras. É possível depositar dinheiro em cada uma delas por meio de boletos e, assim, fazer as demais transações normalmente dentro da rede credenciada. Para aumentar sua inserção, porém, essas fintechs têm buscado parcerias.

É o caso da Payly, fintech do grupo Cosan, que anuncia nesta semana parceria com a Cielo. "Somos muito otimistas com o ecossistema do Banco Central, mas não vamos esperar a concretização desse processo para avançar", diz o presidente da Payly, Juliano Prado.

Com esse tipo de parceria, é possível realizar transações com lojistas não credenciados, mas que tenham a máquina de cartões parceira. Para o executivo da área de produtos da Cielo, Norberto Sanches, mesmo sabendo que o BC desenvolve um sistema em que as transações possam acontecer da carteira digital do cliente diretamente para a conta do estabelecimento comercial - sem intermediários -, essas parcerias fazem sentido. "A solução do BC está em desenvolvimento e é complexa. A gente não sabe como o cliente vai utilizá-la. Apoiamos

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Maquininhas internacionais

De malas prontas: presidente da Getnet revela planos para o início das operações na Europa em 2022

A empresa se tornou peça-chave nos planos do espanhol Santander de criar uma plataforma global de pagamentos

Renda variável

Na batalha das corretoras, Rico vai zerar taxa em operações com opções

A medida busca tornar a corretora mais competitiva e reforçar a atuação do grupo no ramo da renda variável

Concursos públicos

De olho nos concurseiros, Yduqs anuncia aquisição da plataforma de EaD Qconcursos

Plataforma de cursos preparatórios para concursos públicos tem 412 mil alunos pagantes e mira mercado potencial de 17 milhões de pessoas; valor da operação não foi divulgado

Mostrando as garras

Dirigente do Fed fala em alta de juros em 2022 e admite postura mais agressiva contra inflação

Em entrevista à CNBC, Bullard disse que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) adotou uma posição mais dura no encontro deste mês

Entrando no pet shop

O plano da BRF: colocar comida na sua mesa e ração no potinho do seu pet

A BRF comprou o grupo Hercosul, produtor e distribuidor de ração para cães e gatos, entrando no mercado pet. Entenda o racional da operação

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies