Selic deve ir a 2,25% na próxima reunião e fechar ciclo a 1% ao ano, diz Kawall, do ASA Bank
O ex-secretário do Tesouro e diretor do ASA Bank, Carlos Kawall, crê que o BC cortará a Selic em mais 0,75 ponto na próxima reunião do Copom e que a taxa de juros poderá continuar caindo no futuro

O Banco Central (BC) foi claro: o ciclo de baixa da Selic poderá continuar na próxima reunião do Copom, mesmo após o corte de 0,75 ponto promovido nesta quarta-feira (6), para 3% ao ano. Pois Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro e diretor do ASA Bank, crê que a taxa básica de juros ainda tem muito espaço para continuar caindo.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, ele mostrou-se satisfeito com a postura da autoridade monetária e com as sinalizações para o futuro: segundo ele, a sinalização de que há espaço para mais uma redução de até 0,75 ponto no próximo encontro foi surpreendente — e bem-vinda.
Isso porque, para Kawall, será necessário continuar cortando a Selic para fornecer o estímulo necessário à economia: o ASA Bank trabalha com um cenário em que o PIB do Brasil cairá 6% em 2020, com viés negativo, e em que a inflação permanecerá em níveis bastante baixos — a combinação ideal para uma queda forte na taxa de juros.

Dito isso, o economista aposta num novo corte de 0,75 ponto na reunião de 16 e 17 de junho, o que levará a Selic ao nível de 2,25% ao ano. Mas, enquanto o BC diz que a próxima baixa seria a última, Kawall acredita que o ciclo de alívio monetário poderá ir além.
"No Copom de janeiro, eles fizeram um corte e disseram que não mexeriam mais. Aí, baixaram em 0,5 ponto [em março] e sinalizaram que era o fim do ciclo. Agora, cortam 0,75 e dizem que podem vir mais 0,75 na próxima", destacando que o BC tem ajustado suas comunicações de acordo com a evolução do cenário econômico — e tais mudanças sempre implicam em juros cada vez menores.
E até onde a Selic poderá cair? Kawall explica que o ASA Bank vê o ciclo de ajustes se encerrando em 1% ao ano. Ele destaca, no entanto, que esse patamar não necessariamente será atingido em 2020, e que pode haver uma pausa em algum momento do ajuste.
Leia Também
"A economia vai patinar no processo de recuperação, a realidade vai se impor aos poucos. Achamos que o juro de equilíbrio vai cair" — Carlos Kawall
O fator determinante
O ex-secretário do Tesouro aponta a trajetória do ajuste fiscal como a variável chave para o comportamento da Selic daqui em diante. O próprio BC bate nessa tecla: segundo a autoridade, políticas de resposta à pandemia que piorem a trajetória do ajuste de forma prolongada podem elevar os prêmios de risco e gerar pressões inflacionárias.
Mas Kawall acredita que, por mais que o cenário político esteja deteriorado no momento, não há uma postura deliberadamente contrária à responsabilidade fiscal e ao cumprimento do teto de gastos por parte do Congresso.
Para ele, persiste o entendimento de que é necessário preservar a agenda de ajustes no médio e longo prazo, embora a crise do coronavírus tenha gerado novas demandas orçamentárias e provocado um desvio significativo neste ano.
"Se retomarmos o caminho das reformas no segundo semestre ou em 2021, isso vai acabar jogando a favor de mais estímulos pelo Banco Central", diz.
E o dólar?
O corte de 0,75 ponto na Selic vem num momento de enorme pressão sobre o dólar: no segmento à vista, a moeda americana terminou a sessão de hoje a R$ 5,7024, marcando um novo recorde de encerramento em termos nominais — desde o começo de 2020, a divisa já avança mais de 42% ante o real.
Para Kawall, a escalada no dólar tende a continuar: o ASA Bank projeta que a moeda terminará o ano na faixa dos R$ 6,00, recuando para o patamar de R$ 5,50 em 2021. E, segundo ele, o Banco Central parece estar confortável com esse cenário de câmbio mais elevado.

"Mesmo com os juros a 1% ao ano, a inflação do ano que vem ficaria em 2,8%. Para chegar à meta do Banco Central, de 3,75% em 2021, teríamos que ter um dólar ainda mais alto", diz o economista, destacando que os impactos da valorização do câmbio sobre a dinâmica inflacionária se dá em seis meses.
Assim, os impactos dessa disparada do dólar serão sentidos ainda em 2020, período em que a inflação projetada é bastante baixa — o boletim Focus da última segunda-feira (4) trabalha com o IPCA fechando o ano abaixo de 2%.
"Isso sugere que o dólar não é um problema para a inflação, a não ser que a taxa de câmbio vá para R$ 8,00, R$ 9,00 ou além"
Orçamento de guerra
Kawall também destaca que o mercado estará atento à ata da reunião do Copom, a ser divulgada na próxima semana, buscando pistas quanto ao eventual uso de uma nova ferramenta por parte da autoridade monetária.
Isso porque o plenário da Câmara aprovou nesta quarta-feira, em segundo turno, a PEC do 'Orçamento de Guerra', que seara os gastos emergenciais por causa da crise do coronavírus das contas da União — o texto não precisa de sanção presidencial e é promulgado pelo próprio Congresso.
Entre outros pontos, essa PEC facilita a atuação do BC no mercado de títulos públicos e privados durante a pandemia. Assim, a autoridade ganhará o poder de atuar na curva de juros — um princípio semelhante ao que já é feito no mercado de câmbio, via leilões de swap e outros mecanismos.
"O entendimento é o de que o BC usará essa ferramenta de forma pontual", diz Kawall, destacando que a curva de juros encontra-se demasiadamente inclinada. "Ao divulgar a ata, vamos saber o que ele tem em mente como estratégia".
ATÉ ONDE A SELIC VAI?
Copom vê a economia esfriar, mas não dá ao mercado a resposta que ele mais quer sobre os juros
22 de setembro de 2026 - 11:28ASSEMBLEIA VIRTUAL
Greve na Caixa: funcionários votam proposta do banco para o fim da paralisação; conheça a decisão
22 de setembro de 2026 - 7:10DEZENAS DE GANHADORES
Lotofácil 3785 premia aposta simples e bolão com 35 participantes; Mega-Sena promete R$ 32 milhões
22 de setembro de 2026 - 6:38ESTÁ NO PREÇO
O Brasil vai quebrar? Entenda por que o risco fiscal mexe com a renda fixa, as ações e até o dólar
22 de setembro de 2026 - 6:03DEPOIS DO ALERTA
Nvidia e outras empresas de IA enfrentam o “vale das sombras” após alerta da Anthropic; o que fazer com as ações?
21 de setembro de 2026 - 19:30MAIS SELETIVO
Safra pisa no freio e corta preço-alvo de 5 ações do setor imobiliário — e uma destoa ainda mais das outras
21 de setembro de 2026 - 16:30A ORDEM IMPORTA
Como fazer um ajuste fiscal de R$ 80 bilhões em 4 passos antes mesmo de mexer no salário-mínimo, segundo Felipe Salto, da Warren
21 de setembro de 2026 - 7:08DANÇA DAS CADEIRAS
+Milionária promete o triplo da Mega-Sena e lidera ranking das loterias da Caixa com prêmio de quase R$ 100 milhões
21 de setembro de 2026 - 6:48ATENÇÃO ESTUDANTES
Pé-de-Meia tem sexta parcela paga hoje; confira valor e quem tem direito em setembro de 2026
21 de setembro de 2026 - 5:50TOUROS E URSOS #288
Isenção de LCIs e LCAs é ‘uma balela’, diz Felipe Salto, que defende a revisão do benefício no ajuste fiscal previsto para 2027
20 de setembro de 2026 - 15:01ANOTE NA AGENDA
Ata do Copom e diplomacia entre EUA e China comandam as atenções do mercado na semana — mas não é só isso
20 de setembro de 2026 - 11:59BOMBOU NO SD
Lotofácil da Independência paga R$ 300 milhões, Europa oferece moradia de graça para quem ama gatos e Nubank perde brilho: os destaques da semana
19 de setembro de 2026 - 14:19Conteúdo BTG Pactual
‘Crise do petróleo’ em 2027? Estoques globais acendem sinal de alerta, e podem pressionar sua carteira de investimentos; entenda
19 de setembro de 2026 - 14:00NOBEL POLÊMICO
Fritz Haber: o Nobel de Química que inventou o fertilizante moderno e inaugurou a era da guerra química
19 de setembro de 2026 - 10:39TOUROS E URSOS #288
A ‘Faria Lima’ está errada? O que o mercado não enxerga sobre o risco fiscal, segundo Felipe Salto
18 de setembro de 2026 - 15:29O FIM DO FUTEBOL?
O futebol não vive sem bet? Por que os clubes se juntaram para publicar manifesto contra MP que proibiria apostas online
18 de setembro de 2026 - 14:15DÍVIDA VELHA NA MIRA
Governo prepara nova rodada de renegociação de dívidas antigas, diz jornal. Alívio para os bancos pode virar dor de cabeça?
18 de setembro de 2026 - 12:44PARA TODOS OS GOSTOS
Bolão fatura mais de R$ 100 milhões na Mega-Sena e ofusca prêmios milionários na Lotofácil e na Quina
18 de setembro de 2026 - 6:43POR DENTRO DA CARTEIRA
Brasileiros querem mais que renda fixa: interesse em LCA cresce 119%, mas outro investimento rouba a cena
17 de setembro de 2026 - 20:20VIDEOGAMES