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Maior contribuição negativa foi do grupo dos transportes, que recuou 0,90% – a queda foi de 16,75% no item passagens aéreas, que, segundo IBGE, não necessariamente reflete a crise do coronavírus
A inflação oficial do país desacelerou para 0,07% em março, depois de registrar alta de 0,25% em fevereiro, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, o preço dos alimentos avançou de 0,11% em fevereiro para 1,13% em março.
Analistas do mercado esperavam que o indicador chegasse a 0,12%. O IPCA de março é importante para ajustar as expectavas sobre um eventual corte de juros em maio. Segundo pesquisa Focus, do Banco Central, a Selic deve terminar o ano a 3,25% e o IPCA a 2,72%.
O resultado é o menor para o mês de março desde o início do Plano Real, em julho de 1994. No ano, o indicador acumula alta de 0,53% e, nos últimos 12 meses, 3,30%.
Os preços do grupo alimentos e bebidas aceleraram de 0,11% em fevereiro para 1,13% em março, principalmente por conta da alimentação no domicílio (1,40%), conforme o IPCA.
As maiores altas foram registradas nos preços da cenoura (20,39%), da cebola (20,31%), do tomate (15,74%), da batata-inglesa (8,16%), do ovo de galinha (4,67%).
Carnes caíram (-0,30%) pelo terceiro mês consecutivo, embora o recuo nos preços tenha sido menos intenso na comparação com fevereiro (-3,53%).
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A maioria dos outros grupos que compõem o indicador também registraram alta, com destaque para educação (0,59%), que apresentou a segunda maior variação positiva, seguida da habitação (0,13%), vestuário (0,21%), saúde e cuidados pessoais (0,21%) e comunicação (0,04%). Despesas pessoais recuou 0,23%.
Segundo o IBGE, a maior contribuição negativa para o mês foi do grupo dos transportes, que recuou 0,90% - a queda foi de 16,75% no item passagens aéreas e de 1,88 em combustíveis. Todos os combustíveis caíram em março: etanol (-2,82%), óleo diesel (-2,55%), gasolina (-1,75%) e gás veicular (-0,78%).
De acordo com o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov, a baixa registrada no preço das passagens aéreas não pode ser atribuída necessariamente ao coronavírus. “A variação de março reflete uma coleta de preços que foi feita em janeiro para quem ia viajar de avião no mês de março", disse.

O IBGE divulgou também o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referente às famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos.
O indicador teve alta de 0,18% em março, acima do 0,17% registrado em fevereiro. No acumulado do ano, o INPC variou 0,54% e, nos últimos 12 meses, teve alta de 3,31%.
Essa é primeira divulgação do IPCA e do INPC feita com preços coletados de forma remota. No último dia 18 de março, o IBGE suspendeu a coleta presencial nos locais de compra devido à pandemia do coronavírus.
A partir dessa data, os preços passaram a ser coletados por outros meios, como pesquisas realizadas em sites de internet, por telefone ou por e-mail.
Segundo Kislanov, a suspensão da coleta presencial reduziu a quantidade de preços coletados, mas isso não gerou problemas para a análise. “Estamos buscando maneiras de evitar uma redução drástica da nossa amostra”, disse.
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