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2020-12-02T18:24:19-03:00
Estadão Conteúdo
estagnação

Ideia de que investimento público pode ser substituído é engano, diz ex-ministro da Fazenda

Bresser-Pereira disse que o Brasil vive há 40 anos uma situação de semiestagnação econômica por causa de uma redução do investimento público,

2 de dezembro de 2020
18:23 - atualizado às 18:24
Luiz Carlos Bresser Pereira
Brasil, São Paulo, SP, 21/08/2013. Luiz Carlos Bresser Pereira durante o evento Internews. - Imagem: HENRIQUE MANREZA/AGÊNCIA O DIA/AE/

Em meio ao debate sobre as restrições fiscais do País, economistas que participaram na tarde desta terça-feira, 2, de um fórum virtual promovido pela Fundação Getulio Vargas defenderam a retomada dos investimentos públicos como o caminho ao crescimento sustentável da economia e saída da crise causada pela pandemia.

"A ideia de que o investimento público pode ser substituído por investimento privado é um enorme engano", afirmou Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor da Escola de Administração da FGV e ex-ministro da Fazenda.

Em sua participação no seminário, Bresser-Pereira disse que o Brasil vive há 40 anos uma situação de semiestagnação econômica por causa de uma redução do investimento público, de 7% para 2% ou 1,5% como proporção do PIB, que, conforme avaliou, tem um "efeito nefasto" sobre o crescimento sustentável.

Ele lembrou que, embora a situação atual seja diferente, com a Selic na mínima histórica e real desvalorizado, a redução histórica dos investimentos privados no País está relacionada à armadilha dos juros altos combinados ao câmbio apreciado.

Durante o mesmo painel do fórum virtual, Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute, sustentou que o Brasil já deveria estar realizando o chamado quantitative easing (QE, sigla em inglês de relaxamento quantitativo), a exemplo de países como Índia e Tailândia, que estão injetando dinheiro na economia.

"Brasil e Índia têm várias semelhanças. Não há razão para não estar fazendo QE agora", comentou Monica, que vê o debate econômico estagnado nas discussões sobre teto de gastos, pressão inflacionária do déficit público e limites impostos pela dívida à atuação fiscal. "São ideias que até valem em determinadas circunstâncias, mas não nas circunstâncias atuais. Vivemos um momento extraordinário", defendeu a economista.

Ela sustentou que o Brasil não conseguirá dar impulso à economia sem investimento público. "Se esse investimento vem atrelado à sustentação econômica, dos empregos e perspectiva de crescimento melhor, não há razão para contra-argumentar, apontando o déficit público como limitação", afirmou Monica.

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