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Bresser-Pereira disse que o Brasil vive há 40 anos uma situação de semiestagnação econômica por causa de uma redução do investimento público,

Em meio ao debate sobre as restrições fiscais do País, economistas que participaram na tarde desta terça-feira, 2, de um fórum virtual promovido pela Fundação Getulio Vargas defenderam a retomada dos investimentos públicos como o caminho ao crescimento sustentável da economia e saída da crise causada pela pandemia.
"A ideia de que o investimento público pode ser substituído por investimento privado é um enorme engano", afirmou Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor da Escola de Administração da FGV e ex-ministro da Fazenda.
Em sua participação no seminário, Bresser-Pereira disse que o Brasil vive há 40 anos uma situação de semiestagnação econômica por causa de uma redução do investimento público, de 7% para 2% ou 1,5% como proporção do PIB, que, conforme avaliou, tem um "efeito nefasto" sobre o crescimento sustentável.
Ele lembrou que, embora a situação atual seja diferente, com a Selic na mínima histórica e real desvalorizado, a redução histórica dos investimentos privados no País está relacionada à armadilha dos juros altos combinados ao câmbio apreciado.
Durante o mesmo painel do fórum virtual, Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute, sustentou que o Brasil já deveria estar realizando o chamado quantitative easing (QE, sigla em inglês de relaxamento quantitativo), a exemplo de países como Índia e Tailândia, que estão injetando dinheiro na economia.
"Brasil e Índia têm várias semelhanças. Não há razão para não estar fazendo QE agora", comentou Monica, que vê o debate econômico estagnado nas discussões sobre teto de gastos, pressão inflacionária do déficit público e limites impostos pela dívida à atuação fiscal. "São ideias que até valem em determinadas circunstâncias, mas não nas circunstâncias atuais. Vivemos um momento extraordinário", defendeu a economista.
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Ela sustentou que o Brasil não conseguirá dar impulso à economia sem investimento público. "Se esse investimento vem atrelado à sustentação econômica, dos empregos e perspectiva de crescimento melhor, não há razão para contra-argumentar, apontando o déficit público como limitação", afirmou Monica.
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