Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2020-08-08T13:05:46-03:00
Estadão Conteúdo
Entrevista

Fixar taxa é como ‘congelar preços’, afirma Febraban

Em entrevista ao Estadão, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, afirma que, no caso do cheque especial, a limitação dos juros pode tornar o produto acessível apenas para os mais ricos

8 de agosto de 2020
13:05
Isaac Sidney, presidente da Febraban
Isaac Sidney, presidente da Febraban - Imagem: Beto Nociti/BCB

A fixação de um teto de 30% ao ano para os juros cobrados em operações com cheque especial e cartão de crédito pode levar à desorganização e à contração do mercado de crédito, segundo o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney.

Ao Estadão, ele diz que não há dúvidas de que o estabelecimento de um teto será prejudicial ao consumidor de serviços bancários e à própria recuperação da economia.

A medida, aprovada pelo Senado, ainda precisa da aprovação da Câmara e da sanção do presidente Jair Bolsonaro, valeria para operações contratadas durante o período de calamidade da pandemia do novo coronavírus, que a princípio vai até 31 de dezembro.

O governo é contrário, mas a limitação encontra forte apelo popular e aceitação entre os parlamentares. Isso porque a taxa média de juros do cheque está hoje em 110,2% ao ano e a do cartão, em 300,2% ao ano.

"A fixação de um limite para a cobrança de juros se equipara a um congelamento de preços", diz Sidney, para quem a medida é "inviável". "A experiência tem nos ensinado que, cedo ou tarde, a imposição de limites de preços tem como consequência a interrupção da oferta do produto."

O presidente da Febraban afirma que, no caso do cheque especial, a limitação dos juros pode tornar o produto acessível apenas para "os ricos, deixando milhares de pessoas à margem do sistema financeiro". "A fixação de taxas de juros em níveis irreais, que nem sequer cobrem os custos associados à inadimplência (calotes), leva progressivamente a que o produto deixe de ser ofertado."

No projeto aprovado pelo Senado, porém, há um mecanismo que impede que as instituições financeiras reduzam durante a pandemia os limites do cheque e do cartão a patamares inferiores aos vistos no início de março. Na visão dos parlamentares, isso evitaria que os bancos, pressionados pelo tabelamento, reduzissem a oferta de crédito.

Nesse sentido, Sidney vê riscos para a oferta global de crédito. "Quando há uma combinação entre, de um lado, teto de juros e, de outro lado, congelamento de limite de crédito, isso gera potencial grande de prejuízos e de perda de capital", avalia. "E perda de capital reduz a capacidade de emprestar. Em síntese, uma medida para atender um segmento específico pode levar a uma redução da oferta de crédito, justamente quando o crédito é mais necessário para ajudar na recuperação da economia."

A limitação de juros cria ainda um problema regulatório para as instituições financeiras, segundo o presidente da Febraban. O limite de crédito concedido pelos bancos depende da avaliação de risco do cliente pessoa física ou empresa.

"O risco é um conceito dinâmico, que se altera com frequência. E os bancos têm por obrigação regulatória ajustar o limite para atender a regras prudenciais", alerta o presidente da Febraban. "Quando o risco de um cliente se eleva, é obrigação do banco reduzir o limite de crédito para evitar perdas, para proteger o capital e os recursos dos depositantes."

Para o presidente da Febraban, a saúde financeira dos bancos também é um "patrimônio" da sociedade. "Não dá para resolver uma crise criando outra crise."

A limitação de juros no cartão de crédito, na visão do presidente da Febraban, tem ainda potencial de afetar os negócios no varejo brasileiro.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo."

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Mercados Hoje

Mesmo com exterior sem direção e Nova York mais fraco, Ibovespa busca recuperação e avança hoje; dólar cai

Mesmo com o PIB vindo abaixo do esperado, os investidores buscam recuperar as perdas dos últimos dias

fundos imobiliários

Investimento em FIIS: O que devo saber para escolher os melhores?

Analista dá 5 dicas valiosas para os investidores se darem bem com fundos imobiliários

Tendências da bolsa

AGORA: Ibovespa futuro abre em alta, mesmo com PIB do 3º tri mais fraco, puxado por Nova York e dólar avança para R$ 5,70

O resultado do PIB do terceiro trimestre veio abaixo do esperado, mas dentro do intervalo das projeções

Negócio fechado

Empiricus conclui processo de venda das empresas do grupo para o Banco BTG Pactual

O processo marca o início de uma nova fase na trajetória da Empiricus no mercado financeiro, segundo o CEO do grupo, Caio Mesquita

O melhor do Seu Dinheiro

O melhor do Seu Dinheiro: O leão da maldade contra o poupador guerreiro

Em um país habituado a ver o surgimento de reformas tributárias que só aumentam a fatura para a média da população, o PGBL surge como uma das melhores armas

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies