Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2020-07-18T09:26:24-03:00
Estadão Conteúdo
Impacto da Covid-19

Desemprego vai bater recorde no 3º trimestre

Entre julho e setembro, 15 milhões de trabalhadores podem ficar sem ocupação, pelos efeitos da crise

18 de julho de 2020
9:26
desemprego coronavírus
Imagem: Shutterstock

Em alta desde os primeiros casos de covid-19 no País, o desemprego só deve atingir o pico no trimestre encerrado em setembro, quando alcançará 14,5%. As projeções são da consultoria IDados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, e consideram cenário que inclui a quebradeira nas empresas provocada pela pandemia e a maior procura por trabalho.

Entre julho e setembro deste ano, 15 milhões de trabalhadores podem ficar sem ocupação, pelos efeitos da crise. A estimativa considera tanto os trabalhos formais quanto os informais e, se confirmada, significaria uma taxa de desocupação recorde. Até agora, o maior porcentual registrado pela pesquisa foi de 13,7%, ou 14 milhões de brasileiros. O patamar foi observado em março de 2017, logo após a última recessão.

O economista Bruno Ottoni, pesquisador da IDados, lembra que o mercado de trabalho tem um comportamento mais lento do que o restante da economia. "Nesta crise, vamos ver esse efeito de volta dos trabalhadores no terceiro trimestre, quando as cidades reabrindo e as pessoas que ficaram desempregadas voltarem a buscar trabalho. O problema é que as vagas vão demorar a aparecer."

No caso da vendedora Maria da Guia dos Santos, de 50 anos, os últimos meses não têm sido nada fáceis. Trabalhando por toda a vida em uma feira de artesanatos na orla do Rio de Janeiro, ela se viu sem poder trabalhar. "A gente lutou por anos para legalizar a feira, tudo parecia bem. Então, apareceu essa doença maldita e o que a gente conquistou foi reduzido a pó."

O mercado de trabalho tem sentido os efeitos da quarentena. No trimestre até maio, o País teve pela primeira vez um número maior de desempregados do que empregados, entre os brasileiros em idade para trabalhar. Além disso, como uma reportagem do Estadão apontou, o desemprego não tem crescido tanto porque vem sendo atenuado por quedas significativas da taxa de participação - as pessoas deixam de procurar emprego por causa da pandemia e param de aparecer nas estatísticas de desocupação, fazendo o desemprego parecer menor.

"A taxa de desocupação funciona como um efeito 'nariz na porta', a pessoa é considerada desocupada se ela pôde procurar um emprego e não encontrou", diz o economista sênior da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes.

Uma estimativa do Itaú Unibanco apontava que no trimestre até abril, quando as medidas de isolamento social foram mais duras, o desemprego teria chegado a 16%, se os trabalhadores pudessem ter procurado por uma vaga, bem acima dos 12,6% registrados. Só que a saída das pessoas da força de trabalho deve se esgotar este mês, o que fará com que mais gente volte a procurar trabalho.

Recuperação lenta

Mais de 2 milhões de pessoas, que em sua maioria haviam deixado de procurar emprego por causa da pandemia, devem voltar a buscar uma colocação agora. "A questão é que os novos empregos que serão gerados mesmo com o início da recuperação da economia não virão em um ritmo suficiente para evitar o aumento do desemprego ao longo deste trimestre", diz Ottoni.

A estimativa da consultoria é que a taxa de desocupação termine o quarto trimestre em 13,4% - mais baixa do que no terceiro trimestre, mas bem acima do desemprego registrado no mesmo período do ano passado, quando ficou em 11%.

Na fila do supermercado, o autônomo César Pereira, de 50 anos, não tinha expectativas de trabalhar tão cedo. Ele só fazia contas: com a pandemia e as corridas de aplicativo escassas, as compras do mês seriam magras, o almoço de Páscoa ficou para o ano que vem e o presente que compraria dia das mães viraria uma lembrancinha. "Sem poder trabalhar, a gente até esquece de comemorar essas pequenas coisas. Você acaba mesmo só pensando em como chegar ao dia seguinte."

Na visão dos economistas, o desemprego deve começar a cair no fim deste ano e ao longo de 2021 por meio de ocupações precárias, como a de César. Sem poder retornar ao mercado formal, muitos brasileiros que perderam o emprego agora vão buscar uma recolocação com serviços via aplicativos. E quem já era informal deve levar mais tempo para se formalizar.

"Diante de tantas incertezas, é possível antever que o processo de recuperação do País vai ser bem complicado. As famílias vão sair da pandemia mais endividadas e tendo de lidar com um desemprego em alta. As empresas nacionais estarão mal e o mercado externo, se recuperando. É difícil pensar em uma recuperação sem investimento público, mas o governo não parece estar disposto a fazer isso", diz o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) João Romero.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

IPO adiado

Bluefit: nem desconto de 20% garante estreia da rede de academias na bolsa

Inicialmente estimado em R$ 600 milhões, IPO da rede de academias de baixo custo agora deverá ter o valor reduzido e envolver apenas investidores institucionais, como fundos e fundações

Tensão EUA-China

Executiva da Huawei detida no Canadá em 2018 volta à China após acordo com os EUA

Confinada à cidade de Vancouver há quase três anos, onde havia sido presa sob acusação de fraude, CFO da Huawei, Meng Wangzhou, protagonizou incidente diplomático entre Canadá, EUA e China

o melhor do seu dinheiro

Mercados na semana: O destino da Evergrande, uma análise da Vale e seis ações indicadas por analistas

A semana que termina nos mercados foi marcada pela incerteza quanto ao futuro da incorporadora chinesa Evergrande e seus desdobramentos sobre a economia global. A crise na empresa, que tem um passivo oscilando à beira da insolvência, é consequência do aperto monetário e regulatório sobre o setor promovido pelo governo chinês desde o final do […]

Estimativas

Carrefour (CRFB3) divulga projeção para Atacadão e estima R$ 100 bi em vendas em 2024

A projeção de vendas brutas da rede no exercício social que se encerrará em 31 de dezembro de 2021 é de R$ 60 bilhões

PODCAST MESA PRA QUATRO

Da Conga até o Tik Tok: Gretchen conta de sua carreira artística e como administra seu dinheiro

Aos 60 anos, Gretchen relata sobre sua independência financeira e histórias de família e de carreira

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies