Desemprego sobe para 12,9% em maio e ocupação chega ao menor nível da série histórica
Percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar ficou pela primeira vez abaixo de 50%, segundo o IBGE; número de empregados no setor privado sem carteira assinada caiu 20,8%

A taxa de desemprego subiu 1,2 ponto percentual em maio, em relação ao trimestre encerrado em fevereiro, para 12,9%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira (30).
O aumento foi de 0,6 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre de 2019. São 12,7 milhões de pessoas desempregadas no país, de acordo com o IBGE - 368 mil de pessoas a mais à procura de trabalho em relação ao trimestre anterior.
O percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar chegou a 49,5% - queda de cinco pontos percentuais em relação ao trimestre até fevereiro. É o mais baixo nível da ocupação desde o início da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2012.
Segundo a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, é a primeira vez que o nível fica abaixo de 50%.
"Isso significa que menos da metade da população em idade de trabalhar está trabalhando".
Adriana Beringuy, do IBGE
O IBGE informa que 7,8 milhões de pessoas saíram da população ocupada, uma queda de 8,3%. “É uma redução inédita na pesquisa e atinge principalmente os trabalhadores informais. Da queda de 7,8 milhões de pessoas ocupadas, 5,8 milhões eram informais”, diz Beringuy.
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Os trabalhadores informais somam os profissionais sem carteira assinada (empregados do setor privado e trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores e por conta própria) e sem remuneração.
O número de empregados no setor privado sem carteira assinada caiu 20,8%, significando 2,4 milhões a menos no mercado de trabalho. Já os trabalhadores por conta própria diminuíram em 8,4%, ou seja, 2,1 milhões de pessoas.
Com isso, a taxa de informalidade caiu de 40,6% para 37,6%, a menor desde 2016, quando o indicador passou a ser produzido.
“Numericamente nós temos uma queda da informalidade, mas isso não necessariamente é um bom sinal. Significa que essas pessoas estão perdendo ocupação e não estão se inserindo em outro emprego", diz a pesquisadora.
Ela explica ainda que, com a redução no número de trabalhadores informais, grupo que geralmente ganha remunerações menores, o rendimento médio habitual teve aumento de 3,6%, chegando a R$ 2.460, o maior desde o início da série.
Já a massa de rendimento real foi estimada em R$ 206,6 bilhões, uma queda de 5% frente ao trimestre anterior.
1,2 milhão de trabalhadores domésticos saíram do mercado de trabalho
O número de trabalhadores domésticos, estimado em 5 milhões de pessoas, teve uma queda de 18,9% em relação ao trimestre encerrado em fevereiro. São 1,2 milhão de trabalhadores a menos no mercado de trabalho.
Já o contingente de empregados no setor privado com carteira assinada (sem contar os trabalhadores domésticos) teve uma queda de 7,5%, ou seja, menos 2,5 milhões de pessoas no mercado, totalizando 31,1 milhões e atingindo o menor nível da série.
Com essas reduções, o contingente na força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) chegou a 98,6 milhões de pessoas, uma queda de 7,4 milhões (-7%) em relação ao trimestre encerrado em fevereiro.
"Esse mês de maio aprofunda tudo aquilo que a gente estava vendo em abril."
Adriana Beringuy, pesquisadora do IBGE
Comércio perde dois milhões de pessoas ocupadas
O único grupamento de atividade que teve aumento em relação ao trimestre encerrado em fevereiro foi o de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que cresceu 4,6% no período. Isso significa um aumento de 748 mil pessoas no setor.
Entre os outros grupamentos de atividade, o que apresentou a maior queda em relação ao número de pessoas ocupadas foi o Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-11,1%), com menos 2 milhões de empregados.
Ainda segundo dados do IBGE, a Indústria perdeu 1,2 milhão de pessoas (-10,1%) e a Construção, 1,1 milhão (-16,4%).
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