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Plano pró-Brasil pegou mal

Brasil pode perder uma segunda década consecutiva de crescimento com medidas atuais, diz ex-BC

O ex-presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que o governo deve assegurar que os recursos estão chegando aos mais necessitados e que não é o momento de grandes obras públicas

Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central
Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central - Imagem: Beto Nociti/BCB

O ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn acredita que o Brasil pode perder uma segunda década de crescimento caso o governo siga o plano traçado até agora - com aumento dos planos de investimento em obras públicas enquanto deveria prestar socorro aos vulneráveis e a ampliação da tensão política em Brasília.

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Na semana passada, o governo anunciou o programa Pró-Brasil, que prevê investimentos de até R$ 30 bilhões em 3 anos. O plano foi apelidado de 'Dilma 3' pela equipe econômica do governo, que não participou do lançamento da iniciativa e demonstra grande insatisfação da área.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Goldfajn disse que a medida não cabe dentro das possibilidades brasileiras no momento e que o governo de Jair Bolsonaro flerta com o voluntarismo.

Além disso, a defesa de algumas outras ideias, como a venda de reservas internacionais, destruiram avanços institucionais no país. Para o economista, sem as políticas corretas no momento de crise corremos o risco de transformar algo temporário em 'algo que passaremos décadas tentando resolver', já que o Brasil herdará uma dívida 'impagável', destruirá instituições e o teto de gastos.

"Já está claro que nossa dívida vai aumentar. Só que tem um detalhe: quem vai pagar no futuro somos nós mesmos, 95% da dívida é retido por nós. A classe média, que detém fundos, quem tem dinheiro no banco".

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Ainda segundo o economista, o governo foi na direção correta ao anunciar medidas de proteção para setores mais vulneráveis e pequenas empresas. Agora, a preocupação deveria ser em assegurar que os recursos cheguem aos mais necessitados.

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O ex-presidente do Banco Central também comentou as mudanças no comando de ministérios e a crise política que cresce em Brasília. Para Goldfajn, não há como isolar a economia da instabilidade institucional e uma possível troca na economia seria ruim, passando a percepção de falta de liderança. "Se além dessas crises se somam conflitos desnecessários, a economia vai sofrer".

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