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de olho na meta

BC não abandonou meta de inflação, diz Campos Neto

Campos Neto evitou comentar sobre o imposto sobre pagamentos - nos moldes da extinta CPMF - planejado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para compensar a desoneração da folha de pagamentos

Roberto Campos Neto
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central - Imagem: Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira, 22, que a autoridade monetária tem tentado ser transparente sobre as discussões para o limite mínimo para a taxa Selic, atualmente em 2,25% ao ano. Ele garantiu que a instituição não abandonou em nenhum momento a meta de inflação.

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"Tivemos um choque grande. Temos que adaptar o horizonte (relevante para a inflação) e temos comunicado isso. Temos que identificar o remédio, e não há constrangimento em utilizar. Precisamos determinar a dose do remédio. Você pode ter um movimento de juros e obter o efeito contrário em termos de condições financeiras", afirmou, em videoconferência organizada pelo jornal Valor Econômico.

Segundo o presidente do BC, o componente das reformas econômicas segue importante para a política monetária, assim como a evolução das taxa de juros estruturais internacionais. "Também várias mudanças estruturais na parte de captação do sistema financeiro que estão ligadas à taxa de juros", completou, citando a captação recorde nas cadernetas de poupança.

Reforma tributária

Campos Neto evitou comentar sobre o imposto sobre pagamentos - nos moldes da extinta CPMF - planejado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para compensar a desoneração da folha de pagamentos. "Sempre preocupa a qualquer banqueiro central qualquer imposto que gere desintermediação financeira, mas não comento sobre a parte tributária", afirmou.

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Campos Neto negou que a autoridade monetária tenha convencido o Ministério da Economia a recuar da reoneração da cesta básica, com o objetivo de evitar uma alta na inflação. "O Banco Central não se envolve em temas tributários. De fato, algumas casas estimaram um impacto entre 0,9% e 1,2% na inflação com a reoneração da cesta básica, mas não fizemos nenhum tipo de intervenção nesse sentido", afirmou.

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De última hora, o ministro da Economia decidiu retirar o aumento dos impostos dos produtos da cesta básica da proposta de reforma tributária enviada nesta terça-feira, 21, ao Congresso porque, na avaliação da equipe econômica, seria difícil explicar, neste momento, uma proposta que representasse um aumento do custo de vida para a classe média, segundo apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A ideia era propor o fim da isenção de todos os produtos da cesta básica com um mecanismo de devolução dos tributos para a população de baixa renda via Renda Brasil, o programa social que presidente Jair Bolsonaro vai lançar em agosto para substituir o Bolsa Família. No entanto, o preço da cesta para a população com renda mais alta subiria.

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