Menu
2020-03-25T08:42:14-03:00
Em tempos de pandemia...

Bancos podem manter dinheiro parado

demanda por crédito nos bancos disparou com a chegada do novo coronavírus no Brasil e o fechamento do mercado de capitais. Grandes empresas de diversos setores, como varejistas, montadoras e indústrias correram aos bancos para acionar linhas disponíveis

25 de março de 2020
8:42
Bancos - Itaú - Santander - Bradesco - Banco do Brasil
Imagem: Montagem Andrei Morais / Estadão Conteúdo / Shutterstock

As medidas anunciadas pelo Banco Central, que já passam de R$ 1 trilhão, para dar suporte aos bancos em meio à pandemia de coronavírus não resolvem o principal problema desta crise: o aumento do risco. Ao irrigar o sistema com recursos, na expectativa de que as instituições abram suas torneiras de crédito - seja por meio de linhas tradicionais ou para garantir folhas de pagamentos -, o BC pode, na opinião de especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, repetir os erros de 2008. À época, a liquidez dos bancos ficou "empoçada" (quando o dinheiro fica parado nas tesourarias das instituições) e somente Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil atuaram na linha de frente, enquanto seus pares privados se retraíram.

A demanda por crédito nos bancos disparou com a chegada do novo coronavírus no Brasil e o fechamento do mercado de capitais. Grandes empresas de diversos setores, como varejistas, montadoras e indústrias correram aos bancos para acionar linhas disponíveis. Ainda que não precisem delas neste momento, para reforçar o caixa, elas preveem dias mais difíceis e precisam ter recursos disponíveis à vista. O salto nos pedidos encareceu a obtenção de financiamento. Mesmo pagando mais caro pelos recursos, algumas empresas já encontram as portas fechadas, principalmente em instituições privadas, que naturalmente recuam diante do aumento do risco na economia.

Ao mesmo tempo, as pessoas físicas e as pequenas e médias empresas - até outro dia, o motor para o crédito no Brasil - podem ficar sem recursos para enfrentar os estragos deixados pelo novo coronavírus. A ameaça do desemprego e o comprometimento de caixa minam o apetite dos bancos, deixando esse público - que está no centro da crise - desamparado no momento em que mais precisa de novos recursos.

"O problema é fazer os recursos chegarem às pequenas e médias empresas, às pessoas de menor renda. Para isso, as políticas anunciadas são ineficazes e primárias. A questão do crédito está mal endereçada", diz um experiente especialista do setor bancário, na condição de anonimato. "O remédio não é crédito. É seguro e ajuda, tudo o que o governo Bolsonaro não quer, mas terá de fazer."

Neste contexto, medidas adicionais foram apresentadas pelos bancos à equipe econômica, incluindo empréstimos para subsidiar folhas de pagamentos e ainda a criação de um fundo - como outros que estão em estudo por conta da crise - com recursos públicos e privados. A ideia é que esse colchão de dinheiro dê suporte a empresas e indivíduos neste momento. O desafio, na visão de fontes do setor, é a coordenação que essas estruturas vão exigir.

Folha de pagamentos

No caso dos empréstimos para garantir folha de pagamento, diz a fonte, a alternativa em discussão é subsidiá-los, com taxas de juros baixas e carência de três a seis meses. Para evitar que o crédito seja concedido sem critério, a sugestão é montar um sindicato de bancos ou uma empresa de capital misto. Ou seja: combinar atores públicos e privados, o que garantiria as operações e a oferta de recursos com disciplina.

"Ou isso ocorre ou os bancos públicos terão de entrar sozinhos novamente", afirma a fonte. "Não basta dar liquidez para o sistema: é preciso segurança e conforto para que os bancos emprestem."

Os bancos públicos foram os primeiros a divulgar medidas para enfrentar a crise. Enquanto o BB anunciou R$ 100 bilhões, a Caixa liberou R$ 75 bilhões e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) outros R$ 55 bilhões. Além disso, tantos os públicos quanto os privados estão flexibilizando os pagamentos de pessoas físicas e jurídicas por 60 dias.

Questionado sobre o risco de os bancos "sentarem em cima" dos recursos em vez de emprestá-los, o presidente do Banco Central, Roberto Campos, negou que haja sinais no cenário atual, mas prometeu monitorar a postura das instituições. "Vamos tentar direcionar para pequenas e médias empresas, ou destinar para setores específicos. Os bancos têm um grande potencial em mãos e vamos monitorar isso", disse na segunda-feira em coletiva de imprensa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

Coronavírus no Brasil

Brasil tem 7.910 casos de coronavírus e 299 mortes

Índice de letalidade aumentou de 3,5% para 3,8%

Alívio na bolsa

Ibovespa fecha em alta; disparada do petróleo se sobrepõe à cautela com o coronavírus

O Ibovespa subiu mais de 1%, sustentado pelo bom desempenho das ações da Petrobras em meio à forte valorização das cotações do petróleo. O dólar à vista fechou em leve alta e cravou mais um recorde nominal

Proteção

Pandemia de coronavírus foi a ‘desculpa’ para mercados supervalorizados corrigirem, diz NCH Capital

Em sua carta mensal de março, gestora que vem se saindo bem diante da crise diz que seu modelo já via os mercados valorizados demais, o que a levou a proteger suas posições, embora muito mais cedo do que deveria

Comprando na crise

Investidor pessoa física entra com R$ 17,5 bilhões na bolsa em março

Quem vendeu a maior parte das ações para as pessoas físicas foram os investidores estrangeiros, cujo saldo na bolsa ficou negativo em R$ 24,2 bilhões em março

Por contra da crise

Bradesco antecipa 1ª parcela do 13º salário a funcionários por coronavírus

Bradesco vai antecipar para seus cerca de 100 mil funcionários o pagamento da primeira parcela do 13º salário; pagamento será feito em 29 de abril

Efeito coronavírus

Itaú Asset espera contração de 3,3% do PIB e vê Selic a 1,5% no fim de 2020

A taxa de câmbio esperada pelo Itaú Asset ao fim de 2020 é de R$ 4,85, mesma estimativa para 2021; inflação terminará ano em 2%, abaixo do centro da meta de 4%

AJUDA DO BILIONÁRIO

Bilionário Elon Musk vai enviar ventiladores pulmonares para hospitais, mas com uma condição

Fundador da Tesla e da SpaceX quer que os equipamentos sejam instalados e usados imediatamente para os pacientes, e não “guardados em um armazém”

Críticas

Presidente do BB tem de tratar de liquidez e não sobre isolamento, diz Maia

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia aproveitou a videoconferência que realizou hoje para criticar a postura do presidente do Banco do Brasil

Crescimento de ganhos

Lucro de companhias abertas sem Vale, Petrobras e Oi cresce 7% em 2019, diz estudo

Lucro cresceu 7,16% em 2019, passando de R$ 94,2 bilhões em 2018 para R$ 101 bilhões no ano passado, segundo levantamento da Economática

não está em diário oficial

Doze horas após Bolsonaro anunciar sanção de auxílio, MP ainda não foi publicada

Ajuda a trabalhadores informais, autônomos e microempreendedores durante a pandemia do coronavírus ainda não tem validade

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements