Menu
2020-09-04T16:29:37-03:00
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
cautela no ar

Asa Bank reduz projeção de queda do PIB em 2020 para 5,3%, mas vê Brasil crescendo menos em 2021

Brasil deve retomar nível pré-crise em 2023, diz o banco, que cita falta de eficiência do auxílio emergencial como “força contrária” à diminuição do desemprego

4 de setembro de 2020
16:13 - atualizado às 16:29
pib queda
Imagem: Shutterstock

O Asa Bank passou a prever uma menor queda do PIB do Brasil em 2020, reduzindo a sua projeção anterior de retração de 5,6% para 5,3%, de acordo com relatório divulgado nesta sexta-feira (4), assinado pelo diretor Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro Nacional.

O banco se disse, no entanto, cauteloso quanto a velocidade da retomada da economia brasileira, citando a ineficiência do auxílio emergencial como "força contrária" à diminuição da taxa de desemprego.

Por isso, também foi reduzida a projeção do crescimento para 2021, de 2,7% para 2,1%, da instituição. A expectativa é que o Brasil retornará ao nível pré-crise apenas em 2023.

Segundo o banco, a medida foi capaz de amaciar a queda do PIB no trimestre passado. Mas a sua extensão até dezembro apenas adiará os efeitos de uma queda na renda para o próximo ano, à medida que o mercado de trabalho amarga as consequências da crise do coronavírus.

De acordo com o documento, no PIB do segundo trimestre houve um desempenho "fortemente negativo" do setor de serviços, do consumo das famílias e dos investimentos, com surpresa positiva no setor de construção civil, que registrou uma queda menor do que a esperada.

O Asa Bank admite a relevância do auxílio emergencial para essa performance.

"A queda do nível de atividade econômica só não foi pior por conta dos programas governamentais de suporte a renda e atuação do Banco Central", diz o relatório, que menciona a política monetária como outro fator que fez com que o tombo fosse mitigado. "Estimamos que, na ausência do auxílio emergencial, o PIB teria tido recuo maior."

O auxílio emergencial, segundo o banco, foi capaz de manter o nível de consumo elevado, principalmente no setor de bens, além de ajudar a dinâmica na construção civil e na venda de móveis e eletrodomésticos.

Com isso, a atividade econômica, dizem os economistas, de fato terminou o segundo trimestre em recuperação. Mas a grande questão agora é quão rápida ela será à frente: é aqui que o Asa Bank tem um pé atrás.

Ineficaz

Apesar de diminuir o tamanho do tombo no segundo trimestre, a equipe da instituição acredita que o auxílio emergencial não está sendo eficaz naquilo que ele deveria ser: amortecer a queda da população ocupada (com trabalho) por meio da manutenção da demanda e, também, permitir acumulação de poupança que poderia suavizar o consumo após o fim do programa.

"O foco em regiões mais pobres sugere que o auxílio está sendo direcionado a uma parcela da população que consome menos serviços, tendo impacto menor, portanto, na manutenção da demanda neste setor", diz o relatório.

Para o Asa Bank, "ao ser direcionado aos estratos de renda mais baixos, que não necessariamente são os que estão sendo mais afetados pela crise", o auxílio não parece se transformar em aumento de poupança, já que estes consumidores têm elevada propensão a consumir.

"De fato, o aumento da poupança parece centrado nos estratos de maior renda da população", afirma o banco, em referência a uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) sobre o endividamento das famílias em agosto.

Com isso, a elevação do endividamento da parcela da população mais afetada pela atual crise e o desempenho bastante negativo do mercado de trabalho sugerem que os danos à economia advindos da atual crise são fortes e persistentes — o que embasa a projeção menor de crescimento do PIB no ano que vem.

Mercado de trabalho

O relatório diz que a pandemia, embora tenha fechado parcialmente setores específicos da economia, foi capaz de reduzir a demanda agregada geral e influenciar a demanda dos setores que não foram interrompidos. Deste modo, o choque negativo do mercado de trabalho é maior do que "somente" aquele gerado pelo fechamento de um setor específico.

"Esta relevante redução da demanda agregada, ao nosso ver, representará força contrária relevante a uma rápida normalização da população ocupada a partir de um nível bastante deprimido."

O quadro pintado pelo banco ressalta a "importância" da política monetária do BC. O Asa Bank reforça a necessidade de mais cortes de juros e prevê que a Selic, a taxa básica de juros do Brasil, terminará o ano a 1,5%, com flexibilizações nas reuniões de outubro e dezembro.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

uma bolada

Bradesco paga R$ 5 bilhões em juros sobre capital próprio

Valor representa R$ 0,416 por ação ordinária e R$ 0,458 por ação preferencial, após o desconto do Imposto de Renda

seu dinheiro na sua noite

Dólar abaixo de R$ 5, Selic de volta aos 7% e o investimento da Petz em página de gatinhos

Apesar dos avanços na vacinação e do relaxamento nas medidas de distanciamento social, o fato de ainda estarmos convivendo com o coronavírus e uma elevada mortalidade pela covid-19 faz com que 2021 tenha um sabor de 2020 – parte 2. Assim tem sido, pelo menos para mim. Imagino que também seja assim para todas as […]

atenção, acionista

Weg e Lojas Renner anunciam juros sobre capital próprio; confira valores

Empresa de fabricação e comercialização de motores elétricos paga R$ 86,1 milhões; provento da varejista chega a R$ 88 milhões

Alívio no câmbio

Dólar fica abaixo dos R$ 5,00 pela primeira vez em mais de um ano — e o empurrão veio dos BCs

O dólar à vista terminou o dia em R$ 4,96, ficando abaixo dos R$ 5,00 pela primeira vez desde 10 de junho de 2020. O Ibovespa caiu

Constitucionalidade em xeque

Autonomia do Banco Central: STF retoma julgamento no dia 25, mas recesso pode estender votação até agosto

A lei em análise restringe os poderes do governo federal sobre a autoridade máxima da política monetária do País

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies