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Volta e meia falo que, em meus mais de 60 anos de mercado, vi de tudo. Pois bem, exagerei. Esta pandemia pegou todo mundo de surpresa. Nunca testemunhei algo parecido.
Na última quarta-feira, 11 de março, desembarquei no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, procedente de Londres, após uma viagem de 20 dias por diversos países da Europa. Tossia e espirrava muito.
Em casa, constatei que minha temperatura começou a subir bastante: 37,1, 37,2... 37,9 graus. Chamei então um médico, que fez um pedido de teste de coronavírus. O laboratório veio aqui e colheu o material.
Acontece que o resultado só sai na próxima quinta-feira (19). Até lá, ficarei confinado em meu apartamento.
Nos últimos dias, perdi nove quilos. Simplesmente não consigo engolir nada, nem mesmo uma xícara de chá.
Se realmente estiver com o vírus, acho que desenvolvi uma forma branda da doença. Pois não tenho nenhuma dificuldade respiratória. Segundo o médico, meus pulmões estão limpinhos.
Por puro palpite, e sem nenhuma base científica, acho que tenho 50% de probabilidade de ter desenvolvido esta nova versão do corona.
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Já estou bem velhinho (faço 80 anos daqui a dois meses) e passei por diversas áreas de risco, inclusive Barcelona, onde estive por três dias e três noites.
Não podemos desconsiderar que a Catalunha é atualmente o epicentro da doença na Europa.
Acho melhor estar logo com o coronavírus duma vez. Quando ele chegar para valer no Brasil, e isso acontecerá em algumas semanas, faltarão kits de laboratório, remédios e leitos em CTIs de hospitais.
Volta e meia falo que, em meus mais de 60 anos de mercado, vi de tudo. Pois bem, exagerei. Esta pandemia pegou todo mundo de surpresa. Nunca testemunhei algo parecido.
Na gripe espanhola, ao final da Primeira Guerra Mundial, e que foi infinitamente pior que esta, eu ainda não tinha nascido.
As demais foram café pequeno perto do coronavírus.
Tenho aconselhado aos caros amigos leitores que perguntam se não está na “hora de voltar a comprar ações” que isso deve ser feito muito lenta e seletivamente.
Só que isso será uma atitude de bargain hunters (caçadores de barganhas) ou bottom pickers (prospectores de mínimas), de gente que quer comprar papéis baratos, muito baratos, cujos preços já tenham embutido tudo de ruim que aconteceu.
Sinto lhe informar: as empresas vão perder muito dinheiro, o desemprego voltará a crescer e pouquíssimos negócios resistem a uma economia paralisada.
Quem acha que a máxima de todos os tempos do Ibovespa, 119.527 pontos, alcançada no dia 23 de janeiro de 2020, voltará a acontecer este ano, pode tirar o cavalo da chuva.
Tão cedo a Bolsa não volta lá.
Quando o processo de recuperação for iniciado, cada patamar do índice será o patamar de alguém que comprou ações apenas para fugir dos fundos de “perda fixa” e levou uma fubecada.
Os caras, ou as caras, vão se sentir extremamente aliviados quando recuperarem seu preju e pularão fora imediatamente.
De uma coisa, todo mundo tem certeza: o cenário mudou. Isso não necessariamente significa perda para os que entrarem agora.
Chegou o momento de separar os meninos dos homens.
Em situações de conflito, fazer as malas para buscar um cenário mais tranquilo aparece como um anseio para muitas pessoas. O dinheiro estrangeiro, que inundou a B3 e levou o Ibovespa a patamares inéditos desde o começo do ano, tem data para carimbar o passaporte e ir embora do Brasil — e isso pode acontecer […]
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