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País tornou-se um pária no mundo por conta do que acontece no Pantanal e na Amazônia, diz colunista Ivan Sant’Anna; ele aponta uma série de tipos de ativos que podem estar imunes a uma eventual protesto da comunidade internacional
Antes de começar este texto propriamente dito, acho que é hora de fazer um pequeno glossário de termos que uso (não raro em inglês) em minhas crônicas, quase sempre sem a devida explicação dos sentidos de cada palavra, já que boa parte dos leitores os conhecem.
Na semana que termina hoje, tanto o FOMC (Federal Open Market Committee - Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve Bank – FED) quanto o COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil) assumiram posturas dovish.
A reunião do FOMC decidiu manter a taxa básica de juros entre 0% e 0,25% ao ano. Isso já era esperado pelos agentes econômicos. Mas o chairman do FED, Jerome Powell, em seu comunicado à imprensa, foi além em seu ponto de vista dovish.
Falando em nome do colegiado, ele deu a entender que a Reserva Federal vai manter os juros quase zerados pelo menos até 2023, acrescentando que irá prolongar o programa de compra de ativos para sustentar “condições financeiras acomodatícias”.
Embora os mercados americanos de ações (medidos pelo Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq) tenham caído no dia seguinte, isso pode ser mais atribuído ao preceito de Wall Street:
“Buy the rumor, sell the fact (compre o boato, venda o fato).”
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Logo, e apesar das eleições presidenciais de 3 de novembro, e da renitência da Covid-19, as cotações nas Bolsas americanas deverão atingir novas máximas históricas.
Aqui no Brasil, o comunicado do COPOM vê espaço para manutenção dos juros em 2,00% ao ano (mínima histórica) por longo período.
Isso significa rentabilidade real negativa, ou quase negativa, nos fundos e papéis de renda fixa.
Sugiro que o prezado amigo leitor comece (ou continue) a aplicar em Bolsa, mas seja bem seletivo.
Com as queimadas no Pantanal e na Amazônia (tanto as naturais como as provocadas por pecuaristas) o Brasil tornou-se o pária do mundo.
O país poderá sofrer sanções comerciais.
Ao declarar, anteontem, que nós somos os maiores preservadores do meio ambiente do planeta, o presidente Jair Bolsonaro soltou mais um dos seus disparates.
Por essas razões, aconselho que as compras de ações brasileiras se destinem a empresas que exportam para a China, por sinal nosso maior parceiro comercial.
Chinês não é bullish, não é bearish, não é dovish, não é hawkish. É pragmático. Só liga para a poluição ambiental quando a situação torna-se insustentável em suas grandes cidades.
Para eles, animais silvestres são apenas uma iguaria.
A China vai continuar importando matérias-primas e produtos agrícolas (incluindo carnes) do Brasil enquanto isso for um bom negócio.
Há outras ações brasileiras que independem dos mercados ocidentais, mesmo que haja algum tipo de embargo ou sanção econômica, principalmente se Joe Biden vencer as eleições.
Finalmente, este ano está sendo pródigo em IPOs no Brasil. O que significa que nosso mercado está crescendo também para o lado, o que é ótimo.
Cada papel novo deve ser estudado com muita atenção para ver se depende apenas dos fundamentos econômicos internos (que estão se recuperando aos poucos) e de importações ou investimentos chineses.
Desculpem-me se o meu ânimo está bearish e hawkish ao mesmo tempo, uma vez que essa duplicidade não costuma fazer sentido.
Pus uma boa grana em criptos. Me eximo de dizer o valor, mas dá pra comprar uma SUV zero quilômetro.
Felizmente, vez ou outra o tal do mercado nos dá ótimas oportunidades de comprar papéis por preços bem interessantes, exatamente o que aconteceu com Eneva nesta semana
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