🔴 ONDE INVESTIR EM MARÇO: ESPECIALISTAS TRAZEM INSIGHTS SOBRE MACRO, AÇÕES, RENDA FIXA, FIIS E CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Outubro ou nada

14 de outubro de 2020
10:21 - atualizado às 13:22
Imagem: Shutterstock

"Outubro ou nada
Ou tudo ou sangue
Outubro ou tumba
Outubro ou pão
Outubro ou túnel de emoção”
Affonso Romano de Sant’Anna

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Durante algum tempo, convivi em uma casa cuja família tinha duas filhas. A mais velha era histriônica, brava, briguenta, mimada. A mais nova era calma, amorosa, pacífica. A primeira infernizava a vida da segunda, que normalmente aceitava as provocações calada. Vez ou outra, porém, a paciência chegava ao limite. A caçula retrucava e o jantar virava um inferno.

Os pais, que pareciam criar os filhos para o próprio conforto e bem-estar, interrompiam o entrevero. Como não queriam se posicionar na briga para não ficar mal com uma ou outra, sob um ar aparentemente — apenas aparentemente, insisto — democrático e justo, repreendiam as duas igualmente. O mesmo castigo para ambas. Não importava se a segunda apenas reagia às insistentes e insuportáveis provocações da primeira, depois de semanas aguentando quieta as malcriações da irmã. É muito mais cômodo assim. Não se enfrenta de fato a situação. Toma-se de antemão que ambas estão igualmente erradas e não fica mal com ninguém, ainda que a mais jovem já pudesse ter sido canonizada por tolerar a irmã histérica por tanto tempo sem qualquer tipo de reclamação ou insurgência.

O Colégio São Luís também era meio assim. Se dois meninos — desculpe se isso lhe parece uma questão de gênero; não é, pois esse tipo de coisa vinha dos meninos mesmo — entrassem em qualquer tipo de discussão, advertência ou suspensão igual para os dois. Não importava se o diabo em forma de gente estava infernizando a vida do outro bem comportado, que apenas depois de muita provocação reagiria ao pequeno Mefistófoles.

Talvez seja uma característica brasileira, inclusive enaltecida com frequência. Somos tão pacificadores, tão receptivos, hospitaleiros, carinhosos, não queremos ficar mal com ninguém.

“Quanto tempo não te vejo. Vamos marcar um jantar?” “Claro, a gente combina.” A resposta na verdade significa, na melhor das hipóteses: “Olha, eu ate gostei de te encontrar, mas não a ponto de realmente marcar de jantar com você. Sabe, nada contra, acho você razoável. Só não neste nível de sair pra jantar e tal”. “A gente combina” significa qualquer coisa menos a real marcação deste jantar.

“Você vai no meu aniversário, né?” “Claro, vou dar uma passada.” Essa última resposta também conhecida como “não vou nem a pau”.

Evitamos qualquer tipo de conflito, mesmo que meramente retórico ou que apenas represente uma negativa de um convite, que, quero crer, seja prerrogativa de uma sociedade democrática. Eu posso não querer jantar com aquela pessoa que não vejo há séculos, com quem muito provavelmente entraremos naquele silêncio constrangedor. Quero evitar aqueles segundos em que convivo internamente com as autoindulgências: “Por favor, surja alguma coisa pertinente para eu falar com este cidadão”.

Mas não é porque você não trata um problema que ele deixa de existir. Tergiversando da verdade, ela acaba se voltando contra nós. Não repreender a filha mais velha de maneira mais rígida implica ferir a equidade vertical. Tratemos igual os iguais, mas diferente os diferentes. Há aqui um incentivo a continuar a ser uma chata e malcriada, porque a punição é a mesma da irmã adequada.

A simpatia, a cordialidade e o afeto brasileiros são lindos. Contudo, por vezes essas características escondem um outro traço da nossa personalidade, que é a recusa de se lidar com situações difíceis, de manter conversas duras, de olhar nos olhos do interlocutor e de dar-lhe uma notícia desagradável de forma honesta, sem dourar a pílula. Precisamos enfrentar os dilemas, sabendo que isso vai implicar o desgosto de determinados grupos de interesse.

A falta de capacidade em arbitrar conflitos cobra seu preço na forma de ajuste fiscal. A dificuldade de se avançar com o Renda Cidadã, por exemplo, decorre sobretudo do não reconhecimento do Executivo de que o dinheiro vai precisar sair de algum lugar, ou seja, de algum grupo hoje beneficiado. A alternativa é furar o teto de gastos. Aliás, talvez esse seja o maior mérito do teto de gastos — ao menos enquanto ele existir, formaliza-se a ideia de que agradar um novo grupo via gasto fiscal vai exigir desagradar outro.

Como muito bem lembrou Marcos Lisboa em coluna recente, “a opção do Palácio do Planalto por não enfrentar dilemas cobrou, mais uma vez, a sua fatura. A proposta para financiar a expansão do Bolsa Família resultou na piora dos preços dos ativos e das taxas de juros”.

Em boa entrevista recente ao NeoFeed, o gestor Luiz Parreiras, da Verde Asset, trouxe o assunto sob ótica parecida: “o conflito fiscal já está colocado há vários meses. O governo por ‘ene’ razões não quis tomar decisões duras. O próprio presidente tem falado que não vai mexer no seguro defesa, no abono, no reajuste das aposentadorias, no funcionalismo público, não vai mexer em nada. Então, o dinheiro tem que sair de algum lugar. Na segunda-feira, eles falam ‘então vou mexer no precatório e no Fundeb”. O mercado olha aquilo e pensa ‘o que você vai fazer é uma espécie de contabilidade criativa ou, como algumas pessoas colocaram, é a volta das pedaladas’”.

Chamo atenção para a necessidade de se enfrentarem os assuntos difíceis de frente porque não há mais tempo a perder. Havemos de ir contra a nossa própria natureza não beligerante e desenvolver a capacidade de endereçar os dilemas, sabendo que teremos choro e ranger de dentes de determinados grupos de interesse. Temos de avançar em nossa habilidade de desagradar quando necessário. O governo não é, ou não deveria ser, uma fábrica de benesses, mas justamente alguém que arbitra conflitos e faz escolhas que implicam renúncias.

Como destacou Luiz Fernando Figueiredo, da Mauá, em seu LinkedIn: voltamos a flertar com o precipício.

O mercado se dá conta dos riscos e cobra a conta. Se não fizermos algo rápido, possivelmente enfrentaremos restrições à rolagem de dívida no começo de 2021, dado o elevado volume de títulos vencendo, e disparada adicional do câmbio, que poderia bagunçar os balanços de empresas com dívida em dólar, destruir os lucros de importadores e chegar a patamares que necessariamente implicassem algum tipo de repasse cambial para a inflação. Isso seria terrível, pois obrigaria o Banco Central a subir a taxa de juros de forma intensa e nos jogaria muito possivelmente num processo recessivo intenso.

Felizmente, consigo enxergar uma boa notícia neste quadro, uma espécie de luz no fim do túnel. Ou, pelo menos, o túnel. Se não é da nossa natureza enfrentar conflitos de frente, também não me parece ser o caráter explosivo — não combina nem com a nossa personalidade. O herói duplamente preguiçoso não é dado a extremos. Entendo inclusive que a segunda característica sobrepuja a primeira.

Vejo alguns pequenos sinais nessa direção.

Voltamos a falar com mais vigor sobre a agenda de reformas, em particular da tributária, que, por definição, é a síntese da arbitragem de conflitos. Havemos de tirar de algum Estado ou de uma classe para dar para outros. Ainda que me pareça improvável fazê-la neste ano, os esforços nesse sentido são louváveis. Prorrogamos o prazo para 10 de dezembro e ainda estamos no jogo.

Paulo Guedes e Rodrigo Maia, depois de muito tempo, e sabe-se lá por quanto tempo, voltaram a falar a mesma língua. E essa é a língua do interesse nacional, não dos egos, que também depois de muito tempo estiveram em segundo plano com os pedidos de desculpas recíprocos.

Em paralelo, cobrávamos uma posição do presidente Jair Bolsonaro na batalha campal pública entre Rogério Marinho e Paulo Guedes. Não havia como acender uma vela para deus e outra para o diabo ao mesmo tempo, não necessariamente nessa mesma ordem. Segundo relata a imprensa, o presidente o teria feito nesse final de semana, ao dizer que não tem nenhum substituto para Paulo Guedes, mas tem uns 20 para Marinho. O recado está dado.

Para completar, pela primeira vez vi ontem uma admissão pública de formulador da política econômica sobre impactos materiais da política ambiental (ou da falta dela) sobre a atração de capital internacional. Roberto Campos Neto disse à CNN ter ouvido de investidores críticas nessa direção, o que explicaria, entre outras coisas, o fato de o Brasil ter capturado menos capital externo do que outros emergentes diante da recuperação dos mercados desde maio. Para enfrentar um problema, o primeiro passo é reconhecê-lo.

Se resolvermos enfrentar de frente os problemas, o espaço para melhora do preço dos ativos, também por conta do potencial começo da maior atração do capital internacional, seria brutal. O tempo, porém, urge. Outubro ou nada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O Oscar, uma aposta: de investidores a candidatos, quem ganha com a cerimônia, afinal?

14 de março de 2026 - 11:01

O custo da campanha de um indicado ao Oscar e o termômetro das principais categorias em 2026

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O equilíbrio delicado da Petrobras (PETR4), o Oscar para empreendedores, a recuperação do GPA (PCAR3) e tudo mais que mexe com os mercados hoje

13 de março de 2026 - 8:13

Saiba quais os desafios que a Petrobras precisa equilibrar hoje, entre inflação, política, lucro e dividendos, e entenda o que mais afeta as bolsas globais

SEXTOU COM O RUY

Número mágico da Petrobras (PETR4): o intervalo de preço do petróleo que protege os retornos — e os investidores

13 de março de 2026 - 7:11

O corte de impostos do diesel anunciado na quinta-feira (12) afastou o risco de interferência na estatal, pelo menos por enquanto

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O lado B dos data centers, a guerra no Oriente Médio e os principais dados do mercado hoje

12 de março de 2026 - 8:55

Entenda as vantagens e as consequências ambientais do grande investimento em data centers para processamento de programas de inteligência artificial no Brasil

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Petróleo em alta — usando dosagens para evitar o risco de uma aposta “certa” 

11 de março de 2026 - 19:57

Depois de uma disparada de +16% no petróleo, investidores começam a discutir até onde vai a alta — e se já é hora de reduzir parte da exposição a oil & gas para aproveitar a baixa em ações de qualidade

ALÉM DO CDB

Prêmios de risco do crédito privado têm certo alívio em fevereiro, mas risco de algumas empresas emissoras aumenta

11 de março de 2026 - 14:39

Os spreads estão menos achatados, e a demanda por títulos isentos continua forte; mas juro elevado já pesa sobre os balanços das empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Faturamento de R$ 160 milhões no combate ao desperdício, guerra no Oriente Médio, e tudo o que você precisa saber hoje

11 de março de 2026 - 8:26

Entenda como a startup Food to Save quer combater o desperdício de alimentos uma sacolinha por vez, quais os últimos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como lucrar com a Copa sem cometer crimes, as consequências de uma guerra mais longa para os juros, e o que mais afeta a bolsa hoje

10 de março de 2026 - 8:38

A Copa do Mundo 2026 pode ser um bom momento para empreendedores aumentarem seu faturamento; confira como e o que é proibido neste momento

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

O petróleo volta a ditar o humor dos mercados, mas não é só isso: fertilizantes e alimentos encarecem, e até juros são afetados

10 de março de 2026 - 7:32

O ambiente de incerteza já pressiona diversos ativos globais, contribui para a elevação dos rendimentos de títulos soberanos e amplia os riscos macroeconômicos

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A fila dos IPOs na B3, a disparada do petróleo, e o que mais move o mercado hoje 

9 de março de 2026 - 8:11

Depois de quase cinco anos de seca de IPOs, 2026 pode ver esse cenário mudar, e algumas empresas já entraram com pedidos de abertura de capital

TRILHAS DE CARREIRA

O fim da Diversidade? Por que a Inteligência Artificial (IA) me fez questionar essa agenda novamente

8 de março de 2026 - 8:00

Esta é a segunda vez que me pergunto isso, mas agora é a Inteligência Artificial que me faz questionar de novo

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

De volta à pole: com Gabriel Bortoleto na Fórmula 1 e a retomada da produção nacional, Audi aquece os motores

7 de março de 2026 - 9:01

São três meses exatos desde que Lando Norris confirmou-se campeão e garantiu à McLaren sua primeira temporada em 17 anos. Agora, a Fórmula 1 está de volta, com novas regras, mudanças no calendário e novidades no grid.  Em 2026, a F1 terá carros menores e mais leves, novos modos de ultrapassagem e de impulso, além de novas formas de recarregar as […]

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ainda dá para investir em Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3), o FII do mês, e o que mais move seus investimentos hoje

6 de março de 2026 - 8:35

Ações das petroleiras subiram forte na bolsa nos últimos dias, ainda que, no começo do ano, o cenário para elas não fosse positivo; entenda por que ainda vale ter Petrobras e Prio na carteira

SEXTOU COM O RUY

Petrobras e Prio disparam na Bolsa — descubra por que não é tarde demais para comprar as ações

6 de março de 2026 - 6:55

Para dividendos, preferimos a Petrobras que, com o empurrãozinho do petróleo, caminha para um dividend yield acima de 10%; já a Prio se enquadra mais em uma tese de crescimento (growth)

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A luta pelos dividendos da Petrobras (PETR4), o conflito no Oriente Médio e o que mais impacta o seu bolso hoje

5 de março de 2026 - 8:07

Confira o que esperar dos resultados do 4T25 da Petrobras, que serão divulgados hoje, e qual deve ser o retorno com dividendos da estatal

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Dá mesmo para ter zero de petróleo e gás?

4 de março de 2026 - 19:52

A concentração em tecnologia deixou lacunas nas carteiras — descubra como o ambiente geopolítico pode cobrar essa conta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Depois do glow up, vêm os dividendos com a ação do mês; veja como os conflitos e dados da economia movimentam os mercados hoje

4 de março de 2026 - 8:59

A Ação do Mês busca chegar ao Novo Mercado e pode se tornar uma pagadora consistente — e robusta — de dividendos nos próximos anos; veja por que a Axia (AXIA3) é a escolhida

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os desafios das construtoras na bolsa, o “kit geopolítico” do conflito, e o que mais move o mercado hoje

3 de março de 2026 - 8:37

Veja como acompanhar a temporada de resultados das construtoras na bolsa de valores; PIB, guerra no Oriente Médio e Caged também afetam os mercados hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Ormuz no radar: o gargalo energético que move os mercados e os seus investimentos

3 de março de 2026 - 7:00

Mais do que tentar antecipar desfechos políticos específicos, o foco deve permanecer na gestão de risco e na diversificação, preservando uma parcela estratégica de proteção no portfólio

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O gringo já tem data para sair do Brasil, o impacto do conflito entre EUA, Israel e Irã nos mercados, e o que mais move a bolsa hoje

2 de março de 2026 - 8:46

Em situações de conflito, fazer as malas para buscar um cenário mais tranquilo aparece como um anseio para muitas pessoas. O dinheiro estrangeiro, que inundou a B3 e levou o Ibovespa a patamares inéditos desde o começo do ano, tem data para carimbar o passaporte e ir embora do Brasil — e isso pode acontecer […]

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar