O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Há quem afirme que “a pessoa física deu uma aula nos estrangeiros”. Será mesmo? Devemos julgar apenas pelo retorno (sem considerar o nível de risco assumido), em especial em tão curto intervalo de tempo? Ou será que muitos assumiram riscos desproporcionais e tiveram sua irresponsabilidade premiada pelas intempéries da deusa Fortuna?
Roger Scruton foi talvez o grande expoente do conservadorismo moderno, o maior representante britânico dessa corrente possivelmente desde Edmund Burke. A obra de Scruton merece ser lida a qualquer momento, mas a situação pede-lhe um carinho especial.
Roger Scruton acreditava que o valor da existência e de uma vida se constrói sobretudo na relação com o outro. “A redenção vem do outro. Reconhecemos, em nosso ser, que não estamos sozinhos, que o que importa para nós — nossa salvação — é o amor, a compaixão e o perdão que os outros nos concedem. O significado da vida emerge deste diálogo entre o eu e o outro, quando cada um assume total responsabilidade pelo ser de ambos.” Em tempos de polarização e cólera, colocar-se no lugar do outro com empatia é uma rara e preciosa atitude.
O filósofo nutria uma preocupação estética grande. A beleza lhe revelava uma verdade fundamental, de que ser é um presente e receber esse presente é uma missão.
Um de seus livros mais recentes é “As vantagens do Pessimismo”, que relaciona tragédias e desastres da história da Europa a consequências de um falso otimismo e de idealizações enganosas que dele derivavam. Escorados em um desvirtuado idealismo, atraídos por um “pseudo paraíso”, poderíamos enveredar por meandros terríveis — o fascismo, o nazismo e o comunismo seriam exemplos desse falso otimismo. A solução estaria na proteção da cultura do perdão e da ironia. Aí está uma matriz conservadora implícita: preservaremos as tradições e instituições antes de embarcar em ideologias amparadas em falsos otimismos.
A questão do pessimismo sempre foi um tema caro à filosofia. Inclusive, costuma-se atribuir uma maior profundidade aos autores tidos como mais pessimistas. Uma elevação da melancolia como um certo valor ontológico, contrariamente à visão mais frívola e tida como superficial dos otimistas. Na hora de convidar para um almoço na sua casa, você vai atrás daquele amigo todo animado, falastrão e piadista, com uma perspectiva construtiva da existência (embora ele mesmo nem pense nessa história de “perspectiva de existência”). Já se for o caso de alguém para tocar seu dinheiro, o caminho mais frequente tende a ser aquele que aponta na direção do financista austero, responsável, circunspecto.
Schopenhauer, Montaigne e Nietzsche costumam ser relacionados como representantes do trio clássico de filósofos pessimistas, embora eu, sinceramente, tenha certa dúvida sobre o pertencimento dos dois últimos ao grupo.
Leia Também
Daniel Kahneman e Amos Tversky, a dupla falível das Finanças Comportamentais (sim, porque, a despeito da glória recente, também há falhas e limites nas Finanças Comportamentais, como em qualquer outro campo da Ciência Jovem), tinham uma brincadeira curiosa. Kahneman é um pessimista. Acha que o otimista nutre expectativas excessivas sobre o futuro, que, quando não materializadas, ensejam uma enorme frustração. Tversky era o contrário. Afirmava que o pessimista sofria duas vezes, por antecipação e quando da real realização do cenário negativo.
Proponho uma pergunta como exercício: onde você se coloca entre pessimista e otimista? Não vale responder “realista”. Colocar-se assim apenas denota uma autoavaliação excessivamente otimista, como alguém capaz de ler a realidade melhor do que os outros. Um narcisismo e um egocentrismo disfarçados de concretismo. Todos se acham realistas. O pessimista acha a realidade péssima; o otimista, ótima.
Reformulo a pergunta para dar o viés mais preciso a nossos fins: onde deveria o investidor se situar entre pessimista e otimista? E mais: essas características deveriam se alternar conforme o cenário?
Se eu fosse chamado a responder, diria que nem o investidor pessimista nem o otimista têm chances de prosperar ao longo do tempo. O viés adequado é o do cético, daquele que duvida das coisas, que não se pauta por um prognóstico específico. O pessimista tem certeza de que o cenário ruim vai se concretizar. Já o otimista tem certeza do contrário. O cético duvida dos dois cenários. Ele admite o não saber e está preparado para qualquer um dos dois eventos.
Em alguma medida, é a consagração da proposta romana do “amor fati”, posteriormente retomada por Nietzsche, de aceitar (e se preparar para) o destino seja ele qual for. É a essência do All Weather Portfolio de Ray Dalio, de se montar um portfólio para qualquer clima, sem tentar cravar qual dos cenários vai acontecer.
O cético apenas questiona e não se posiciona integralmente em favor dos pessimistas ou dos otimistas. É a nossa posição cabível diante da multiplicidade de acontecimentos que podemos ter à frente, sendo sempre impossível antevermos qual dos eventos vai, de fato, se concretizar.
O ceticismo nunca esteve tão ausente entre os investidores. E quando ninguém está preparado para eventos negativos, é aí que o nível de risco está mais alto. Você só escorrega na casca de banana que não enxergou. Estimulados pelos ganhos completamente fora do padrão histórico desde o mês de abril, investidores recém-chegados ao mercado se acham superiores a Warren Buffett. Não é uma hipérbole ou uma opinião pessoal. É um fato objetivo.
Entro pela manhã no MarketWatch e leio: “Warren Buffett is ‘an idiot’, says investor who claims daytrading is ‘the easiest game I’ve ever played’” (Warren Buffett é um idiota e o daytrading é o jogo mais fácil que eu já joguei). Bom, meu ceticismo me impede de achar Warren Buffett um idiota. Também não acho que daytrading é um jogo, tampouco fácil. Buffett vendeu sua posição de aéreas e, posteriormente, os papéis subiram 70%. Isso faz dele um idiota? Ou será que havia, de fato, uma matriz de risco e retorno muito desfavorável naquele momento? Não poderia ser o caso de que Buffett apostou no cenário mais provável (negativo para as aéreas), mas acabou se materializando, ao menos temporariamente, o improvável? O investimento é feito com base nas informações disponíveis ex-ante e se pauta (ou deveria se pautar) por probabilidade. Se um cenário de 1% de chance acaba se concretizando (e a cada 100 vezes, na média, um cenário de 1% vai se materializar), devemos dizer que o investidor que apostou no cenário de 99% de chance é um idiota?
Outro exemplo, da CNBC, no mínimo curioso: “The hot new thing to make your stock pop: go bankrupt”. (A nova coisa quente para fazer sua ação bombar: decrete falência). A matéria comenta a alta de pelo menos 70% das ações de Hertz, Whiting Petroleum, Pier 1 e J.C. Penney (todas quebradas) na segunda-feira. Estaremos fazendo a coisa certa em valorizar de forma tão abismal essas ações? Antes de responder, aponto o exemplo da Chesapeake, empresa de shale cujas ações se multiplicaram por seis vezes desde as mínimas — quebrou ontem, entrou em Chapter 11; os papéis derreteram 70%.
Eu poderia até entender a ausência de ceticismo em investidores recém-chegados à B3. Você entra e em dois meses ganha 50%. A tendência natural é mesmo de se achar um gênio, Buffett ser um idiota e o daytrading ser o jogo mais fácil que você já jogou. Até aí, tudo bem — ao menos até a próxima correção ou crise. O mais surpreendente, para mim, é essa abordagem, que despreza os ensinamentos elementares sobre gestão de risco, ser patrocinada por profissionais supostamente experientes do mercado. Há quem afirme que “a pessoa física deu uma aula nos estrangeiros”. Será mesmo? Devemos julgar apenas pelo retorno (sem considerar o nível de risco assumido), em especial em tão curto intervalo de tempo? Ou será que muitos assumiram riscos desproporcionais e tiveram sua irresponsabilidade premiada pelas intempéries da deusa Fortuna? Quanto mais louco e irresponsável você foi desde março, mais dinheiro você ganhou.
Nunca saberemos. A História só conta o que foi, nunca o que poderia ter sido.
A julgar pela disposição ao risco e pelo nível de liquidez no mundo, consubstanciada pelos recentes indicadores de atividade acima do esperado, se eu tivesse de chutar, com uma arma na cabeça, diria que os ativos de risco devem continuar subindo no curto prazo. Contudo, preciso confessar: o mundo em que daytraders iniciantes dão aula para Warren Buffett é, definitivamente, um lugar que exige uma grande dose de ceticismo.
Um último comentário hoje, um pouco alheio ao contexto. Peço desculpas pela falta de coesão, mas é algo que julgo ser importante e não está recebendo a devida atenção. O mercado brasileiro ficou pequeno para o tamanho dos grandes fundos locais. O que aconteceu recentemente com o dólar, com uma queda totalmente fora dos padrões em poucos dias, com volatilidade superior à da Bolsa, é um exemplo de como o acionamento de stops por poucas casas foi capaz de causar uma hecatombe nos preços. Não subestime o risco de liquidez. Mais do que nunca, vale o alerta talebiano: o mercado é um teatro grande com uma porta pequena.
Numa segunda-feira qualquer em dezembro, taças ao alto brindam em Paris. Estamos no 9º arrondissement das Galerias Lafayette, a poucas quadras do Palais Garnier. A terra do luxo, o templo do vinho. Mas, por lá, o assunto na boca de todos é o Brasil. Literalmente. O encontro marcou o start do recém-criado projeto Vin du Brésil, iniciativa que […]
Expansão de famosa rede de pizzarias e anúncio de Trump também são destaque entre os investidores brasileiros
O estrangeiro está cada vez mais sedento pelos ativos brasileiros, e o fluxo que tanto atrapalhou o Ibovespa no passado pode finalmente se tornar uma fonte propulsora
Veja por que o BTG Pactual está transformando FIIs em fiagros, e qual a vantagem para o seu bolso; a bolsa brasileira também irá reagir após o recorde de ontem na Super Quarta e a dados dos EUA
Por isso, deveríamos estar preparados para um corte da Selic nesta SuperQuarta — o que, obviamente, é muito diferente de contar com isso
Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, explica por que a Selic não deve começar a cair hoje; confira a entrevista ao Seu Dinheiro
A primeira Super Quarta do ano promete testar o fôlego da bolsa brasileira, que vem quebrando recordes de alta. Alianças comerciais e tarifas dos EUA também mexem com os mercados hoje
A expectativa é de que o Copom mantenha a Selic inalterada, mas seja mais flexível na comunicação. Nos EUA, a coletiva de Jerome Powell deve dar o tom dos próximos passos do Fed.
Metais preciosos e industriais ganham força com IA, carros elétricos e tensões geopolíticas — mas exigem cautela dos investidores
Sua primeira maratona e a academia com mensalidades a R$ 3.500 foram os destaques do Seu Dinheiro Lifestyle essa semana
Especialistas detalham quais os melhores mercados para diversificar os aportes por todo o mundo
Foque sua carteira de ações em ativos de qualidade, sabendo que eles não vão subir como as grandes tranqueiras da Bolsa se tivermos o melhor cenário, mas não vão te deixar pobre se as coisas não saírem como o planejado
A disputa entre títulos prefixados e os atrelados à inflação será mais ferrenha neste ano, com o ciclo de cortes de juros; acompanhe também os principais movimentos das bolsas no Brasil e no mundo
No ritmo atual de nascimentos por ano, a população chinesa pode cair para 600 milhões em 2100 — menos da metade do número atual
Evento do Seu Dinheiro tem evento com o caminho das pedras sobre como investir neste ano; confira ao vivo a partir das 10h
Mercado Livre e Shopee já brigam há tempos por território no comércio eletrônico brasileiro, mas o cenário reserva uma surpresa; veja o que você precisa saber hoje para investir melhor
A presença de Trump em Davos tende a influenciar fortemente o tom das discussões ao levar sua agenda centrada em comércio e tarifas
Companhias alavancadas terão apenas um alívio momentâneo com a queda dos juros; veja o que mais afeta o custo de dívida
O colunista Ruy Hungria demonstra, com uma conta simples, que a ação da Eucatex (EUCA4) está com bastante desconto na bolsa; veja o que mais movimenta os mercados hoje
A Eucatex é uma empresa que tem entregado resultados sólidos e negocia por preços claramente descontados, mas a baixa liquidez impede que ela entre no filtro dos grandes investidores