Menu
Matheus Spiess
Caçador de assimetrias
Matheus Spiess
É economista e editor da Empiricus
2020-02-10T15:52:01-03:00
HORA DE INTERNACIONALIZAR SEUS INVESTIMENTOS

Vou-me embora pra Pasárgada (lá é mais seguro investir)

Está aberta uma janela de oportunidade para você internacionalizar seus investimentos.

4 de fevereiro de 2020
9:13 - atualizado às 15:52
Placa mostra rua Wall Street, reduto do mercado financeiro, em Nova York
Placa mostra rua Wall Street, reduto do mercado financeiro, em Nova York - Imagem: Shutterstock

Saudações! Antes de iniciarmos, deixem que eu me apresente: meu nome é Matheus. Estudei finanças na University of Regina, no Canadá,  e trabalhei em duas das maiores publicadoras de conteúdo financeiro da América Latina. Hoje, faço parte do time de especialistas da Empiricus, tocando a série Palavra do Estrategista junto com o Felipe Miranda, um dos sócios-fundadores da casa. 

A partir de hoje estarei com vocês semanalmente para tentar passar  minhas melhores ideias de investimento, sempre trazendo paralelos com economia e alocação de portfólios como um todo.

Sua carteira é 100% nacional?

Começamos hoje com um de meus poemas prediletos do modernismo nacional. Manuel Bandeira prova sua maestria ao conseguir capturar em algumas estrofes toda a necessidade humana de fuga da realidade.

"Em Pasárgada tem tudo. É outra civilização. Tem um processo seguro. De impedir a concepção. Tem telefone automático. Tem alcalóide à vontade. Tem prostitutas bonitas. Para a gente namorar".

Sempre buscamos algo melhor, é inerente à nossa natureza. Talvez isso se torne mais imperativo ao se defrontar com a essência brasileira, confusa e frágil. 

Pedro Malan costumava dizer que no Brasil até o passado é incerto. Muito complicado aplicar 100% de seus recursos em terras tupiniquins. Muita incerteza amplia a volatilidade e, consequentemente, o risco dos portfólios de investimento, acarretando uma degeneração gradual dos parâmetros da relação risco-retorno. 

Assim, deveria ser imperativo o desejo do investidor médio brasileiro em reservar parcela de seu dinheiro para investir no exterior, eliminando, com isso, grau de risco significativo. Tirar do Brasil seu capital e o colocar em um país desenvolvido ou em moeda forte, por exemplo.

Curiosamente, contudo, o home bias (viés local) no Brasil parece ser consideravelmente maior do que em países pares, como o Chile. Para ilustrar, somente algo como 1% da poupança dos brasileiro é destinada a investimentos estrangeiros enquanto, no Chile, isso consegue chegar a 80%. 

É um abismo gritante, talvez derivado de um cunho narcisista de uma falsa concepção de que tudo para acontecer está atrelado ao Brasil. Esquecemo-nos que existe um universo inteiro de possibilidades lá fora - todo dia você perde inúmeras delas, é inevitável.

Para você entender como o Brasil ainda não é no brainer no meio gringo, peguemos uma amostra estatisticamente significativa da alocação dos grandes gestores. Periodicamente, o banco suíço UBS libera um relatório especial compilando as informações dos grandes escritórios que conduzem gestão de fortunas, os famosos wealth managements ou family offices. Abaixo, compilei a exposição média atual para tais empresas.

Note como países emergentes perfazem apenas um pedaço pequeno da carteira desses mega investidores - próximo de 12% do total. Isso sem falar que o Brasil, em tese, seria apenas uma fatia menor ainda dentro de uma cesta de emergentes. Tudo bem que guardamos situação melhor, tendo em vista a conjuntura de reformas abrangentes e estruturais, mas já dá para entender que o Brasil não é o centro do universo. 

Parece óbvio, mas não é. Se o fosse, mais investidores teriam posições montadas no exterior. Isso não se confirma na realidade, como já falei. 

Disso surge minha primeira provocação: internacionalize seus investimentos. Algo que varie de 10% a 15% do seu patrimônio total investido em ativos associados ao estrangeiro - preferivelmente em países desenvolvidos ou mais estáveis que o Brasil.

Existe motivo para se tranquilizar

Somos assombrados por fantasmas que fingimos conhecer. A volatilidade atacou os mercado recentemente devido ao vírus de Wuhan. Mais de 20 mil infectados e de 400 mortes… Uma tragédia terrível, sem dúvida.

No entanto, muito mais ruído do que sinal, temo ter que afirmar. Ao menos em se tratando de resultado de mercado, não foi visto até hoje nenhuma mudança estrutural de ciclo de crescimento por conta de um risco de pandemia. Faz barulho, causa espanto, medo e traz volatilidade. Pragmaticamente, entretanto, nenhuma alteração de longo prazo derivou de tais tragédias.

Por favor, peço que observe a tabela abaixo. Ela compila cada epidemia dos últimos tempos (coluna um), seu mês de conclusão (coluna  dois) e a evolução dos índices mercado seis e doze meses depois do final da suposta pandemia (colunas três de quatro, respectivamente). 

Fonte: Dow Jones Market Data

Meu entendimento indica que podemos estar observado uma interessante buy opportunity. Os mercados, antes caros pela toada até aqui do bull market pós-2008, abriram uma janela para que pudéssemos colocar em prática minha ideia de internacionalização. Assim, existe motivo para ficar tranquilo quanto ao longo prazo.

É um momento relativamente adequado para que o investidor médio inicie sua empreitada no estrangeiro. Para o exterior, tomei a liberdade de utilizar novamente uma média estatisticamente significativa das estratégias dos escritórios de grandes fortunas espalhados ao redor do mundo. 

A ideia de alocação abaixo serve para portfólios no exterior, os quais eu acredito que devem preencher de 10% a 15% das carteira dos brasileiros; isto é, as proporções não servem para a carteira inteira do brasileiro médio, mas sim apenas para sua parcela alocada no mercado internacional. As estratégias estão divididas por perfis de investimento.

Claro que um só texto não é o suficiente para que consigamos tratar com profundidade desse assunto tão complexo. Nós, na Empiricus, preparamos uma série específica para quem tem interesse em investir nos EUA ou em outros países.

Convido-os para saber mais da nossa série Money Rider, o conteúdo especial sobre investimentos no exterior. Se, por outro lado, você ainda estiver interessado em investimentos em solo brasileiro, a série Palavra do Estrategista do Felipe Miranda, Estrategista-Chefe da Empiricus, será ideal para que se norteie.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Recuperação da estatal

Lucro da Petrobras salta 55,7% em 2019 e chega a R$ 40,1 bilhões, impulsionado pela venda de ativos

A Petrobras fechou 2019 com o maior lucro líquido anual de sua história, sustentada pelos fortes desinvestimentos e ganhos de eficiência na extração de petróleo — fatores que compensaram os menores preços da commodity no exterior

De olho no balanço

Marfrig reverte prejuízo e registra lucro líquido de R$ 27 milhões no 4º trimestre de 2019

No acumulado do ano, o lucro líquido caiu para R$ 218 milhões, ante R$ 1,4 bilhão no ano anterior

Confira os números

Petrobras, Ultrapar, Marfrig, RaiaDrogasil e GPA: os balanços que vão mexer com a bolsa nesta quinta-feira

O dia começa recheado de balanços anuais das companhias listadas no Ibovespa

Recurso da estatal

TRF-4 nega recurso da Petrobras e mantém Odebrecht fora de ação da Lava Jato

No recurso, a estatal buscava o prosseguimento dos réus na ação cível e a manutenção do bloqueio de bens dos executivos

Seu Dinheiro na sua noite

Guedes fora, alta do dólar

Você se lembra de quando o dólar a R$ 4,20 era o grande “patamar psicológico” da moeda americana? Não faz tanto tempo assim, mas esse nível de cotação ficou para trás, e agora parece até um pouco distante. Hoje, o dólar à vista bateu um novo recorde de fechamento. Eu sei que você já leu […]

Mais um recorde: dólar à vista sobe a R$ 4,36 e renova a máxima nominal de fechamento

O dólar à vista subiu mais um degrau nesta quarta-feira (19): pela primeira vez, terminou uma sessão acima dos R$ 4,36, cravando um novo recorde nominal. É a oitava vez em 2020 que a moeda renova as máximas de fechamento

Ainda na liderança

Vitor Hugo crê que permanece como líder do governo; Terra diz não receber convite

O deputado disse que não recebeu sinalizações do presidente Jair Bolsonaro de que poderá ser substituído pelo ex-ministro Osmar Terra

O impasse continua

Após TRT suspender demissões, Petrobras quer negociar desligamentos em fábrica

Encerramento da operação da Ansa é o principal motivo da greve dos petroleiros

Ponto polêmico

Relator mantém trabalho aos domingos na MP do contrato verde e amarelo

Deputado Áureo manteve a permissão para que todos os trabalhadores sejam convocados para trabalhar aos domingos e feriados

Novidade no IR

Programa do IR virá sem dedução da contribuição patronal sobre domésticos

Fim da dedução é a principal novidade para as declarações de IR em 2020

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu