🔴 TOUROS E URSOS: PETRÓLEO EM DISPUTA: VENEZUELA, IRÃ E OS RISCOS PARA A PETROBRAS – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

O que o Fiat 147 ensina sobre a pandemia

Reaquecimento da economia se assemelha à partida de um carro a álcool: como e quando injetar a gasolina é a questão-chave.

10 de julho de 2020
12:19 - atualizado às 14:02
Fonte: Shutterstock -

Um dos primeiros carros de que tenho lembranças é um Fiat 147 branco a etanol, que meu pai comprou quando eu e meus irmãos éramos crianças.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Eu até poderia contar uma bela história de que a memória afetiva vem de todos os momentos felizes nas viagens de carro, com todos cantando a caminho da praia.

Embora tais eventos tenham ocorrido de fato, o carro me marcou de verdade pelos divertidos infortúnios que ele proporcionou: somos uma família de três irmãos.

Minha mãe, gentil desde sempre, constantemente oferecia carona a alguma tia, resultando em quatro pessoas espremidas no banco de trás do minúsculo carro, algumas décadas antes de veículos pequenos estarem na moda.

Poucas vezes houve tanto espaço naquele carro como no momento seguinte que a tia chegava ao seu destino.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Fiat 147, entre trancos e barrancos, foi um grande feito da engenharia brasileira, com todas as dificuldades que a criação de um motor a álcool impôs.

Leia Também

Em 1973, houve uma crise do petróleo, com a Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo interrompendo o fornecimento para todas as nações que apoiavam Israel durante a Guerra do Yom Kippur.

O preço do barril foi de US$ 20 para US$ 55 (a preços de hoje), e como o Brasil importava até 75% do petróleo que utilizava, o governo Médici retomou um projeto iniciado quase 40 anos antes, em 1925 (sim, as coisas já andavam nessa velocidade no país) para usar o etanol como combustível.

Em 14 de novembro de 1975, nascia o Programa Nacional do Álcool, o Proálcool. O Fiat 147 foi o primeiro veículo lançado com motor 100% a álcool, em 1979, e como tinha um consumo bem alto, ganhou o apelido de “cachacinha”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E assim, por funcionar a etanol, um outro problema frequente lá em casa era ir para a escola pela manhã.

A partida a frio no 147 funcionava da seguinte forma: gira a chave, pisa três vezes de leve no acelerador. O motor começa a vibrar, pisa até a metade do acelerador até que a vibração se estabilize.

Nessa hora, você precisava esperar o carro aquecer, o que deixava um inconfundível cheiro de álcool por toda a garagem. E, claro, se fosse um dia mais frio, ainda precisava apertar o botão para jogar gasolina no motor.

Com a economia gélida por quase quatro meses em razão do Covid-19, as cidades começam a reabrir. E todos os governantes estão se perguntando: onde eu aperto para jogar gasolina no motor e dar a partida?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Como reiniciar a máquina econômica

Se você está intrigado com a reabertura, com as pessoas se aglomerando nos bares quando há ao redor de 1.000 mortos por dia no país, enquanto essas mesmas criaturas chegavam às vias de fato por papel higiênico no começo da pandemia, a razão é a mesma pela qual os brasileiros lidavam com uma hiperinflação de mais de 230% ao ano na década de 1980: o ser humano aprende a conviver com qualquer desafio.

Sem julgamento de mérito aqui: o número diário de mortos passou a ser praticamente uma nota de rodapé, o que é mais uma evidência de que as pessoas pararam de prestar atenção, não porque sejam cruéis ou algo parecido, mas porque precisam seguir adiante.

Com a falta de maior pressão pública, portanto, o caminho que resta a todas as prefeituras é elaborar um plano para o regresso.

É claro que reabrir uma economia é mais complexo do que ligar um carro, especialmente com objetivos que à primeira vista parecem conflitantes: minimizar o número de mortes e maximizar a recuperação econômica.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Adicionalmente, queremos evitar uma segunda onda a qualquer custo, com consequências ainda mais devastadoras, tanto do lado da saúde quanto do lado financeiro.

Não se choque: a conta entre vidas e finanças é realizada constantemente por todos os governos do mundo, ou nenhum veículo (para continuar no tema) teria permissão para andar a mais de 30 km/h, por exemplo.

Do lado da saúde, como ainda não temos um remédio 100% eficaz ou vacina para minimizar o número de mortes, o melhor cenário que podemos almejar é um teste que a pessoa poderia fazer em cinco minutos antes de sair de casa.

Enquanto não temos essa perspectiva, devemos investir bastante em aumentar o número de testes: nesse quesito, hoje o Brasil ocupa a 105ª posição por milhão de habitantes, medindo pouco mais de 2% da população total.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A um custo médio de R$ 98 por exame para a União, testar toda a população brasileira custaria ao redor de R$ 20 bilhões.

Existe a questão operacional de como alcançar esse volume total de pessoas com profissionais hábeis, mas os economistas Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner, autores do livro Freakonomics, têm uma boa ideia: usar as farmácias.

Afinal, temos aproximadamente 89 mil farmácias no Brasil e cerca de 221 mil farmacêuticos, que possuem treinamento prévio de como realizar esse tipo de exame.

Além disso, há a questão dos incentivos desalinhados: para quem está sem sintomas, sair de casa para ir a uma farmácia para ser testado aumenta o risco de contrair a doença, o que poderia resultar em poucas pessoas optando pelo deslocamento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Uma medida possível seria estimular a população com uma loteria, por exemplo, no valor de, digamos, R$ 200 milhões por semana, o tamanho da Mega da Virada.

Assim, enquanto a pessoa testasse negativo para Covid-19, teria direito à um bilhete. Caso o teste fosse positivo, teria direito a R$ 1.000 por semana (por exemplo) para ficar em casa.

O auxílio emergencial, de R$ 600 por mês, foi uma medida neste sentido, mas desconfio que insuficiente para convencer os mais necessitados a não irem para a rua: você tem um agente econômico que busca maximizar sua receita, e o auxílio, como o próprio nome diz, é só uma ajuda, e não uma solução.

Se as providências do lado da saúde parecem caras, você tem razão. Vale acrescentar, de qualquer forma, que o governo estima que apenas o impacto fiscal custará R$ 520 bilhões aos cofres do país este ano. Colocar o programa acima em prática resultaria em apenas uma fração desse valor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se isso permitisse reabrir a economia com segurança e antecipadamente, parece que a relação custo-benefício compensa bastante.

Onde colocar gasolina

Se a ideia é realmente estimular a economia, faz sentido injetar capital em setores com maior retorno, para rapidamente fazer o motor girar. Antes, note que a pandemia não teve um efeito homogêneo sobre todos os segmentos.

De acordo com a Carta de Conjuntura do IPEA, os empregos mais afetados pelo Covid-19 estão nos setores de alimentação, alojamento, construção e comércio.

Já os setores de agricultura, serviços para empresas (informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas) e administração pública praticamente não foram impactados, tendo em vista que envolvem profissões cujas tarefas podem ser executadas à distância.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Portanto, os estímulos deveriam mirar diferentes setores, porém em diferentes horizontes de tempo.

Você já deve ter adivinhado: os setores que exigem a presença física têm mais urgência, já que foram os mais impactados, tais como bares, hotéis, restaurantes, transportes e correio.

Dado que setores de serviços e comércio respondem por aproximadamente 3/4 do PIB e por 10 milhões de empregos, o foco no curto prazo deveria se concentrar nestes segmentos, pelo menos quando avaliamos o país como um todo.

Dadas as aptidões econômicas de cada estado, o tamanho do país e os diferentes estágios do Covid-19 em cada região, melhor seria se cada governante identificasse as alavancas de emprego e renda e agisse sobre elas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda no curto prazo, todos os dados indicam que o agronegócio ficou literalmente imune à pandemia, enquanto a queda nos segmentos de hotéis e restaurantes, além de transportes aéreos e agências de viagens, impactou diretamente o setor de turismo.

Entretanto, o turismo é um setor que deve se recuperar no médio prazo: ao contrário das reuniões de trabalho, não é possível se substituir a ida à praia com uma caipirinha geladinha por uma tela de computador.

E antes de ver a movimentação nos bares do Rio de Janeiro, estava mais cauteloso em relação às indústrias que dependem de aglomerações, mas agora pode ser até que mesmo esses setores se recuperem mais rápido, a depender da anuência das autoridades.

Para finalizar, quem vai sair realmente vencedor da pandemia são as empresas de tecnologia e automação, que não somente desempenharam bem na crise, mas ainda tiveram um impulso fortíssimo em razão da necessidade de se acelerar o trabalho à distância.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Tudo indica que a cultura do home office chegou para ficar, o que por sua vez favorece ainda mais a substituição ou realocação da força de trabalho.

Isso é o que indica o estudo da McKinsey de 2017, a maior consultoria estratégica do mundo, que afirma que 50% dos empregos serão automatizados até 2030.

Ou seja, entre 400 e 800 milhões de pessoas podem ter que trocar de emprego, dos quais 75 a 375 milhões necessitariam aprender novas habilidades. No Brasil, esse número está estimado em 15,7 milhões. Sob o prisma atual, é o equivalente a 15 pandemias.

Portanto, para o longo prazo, o dinheiro investido com melhor retorno vai para a capacitação da futura força de trabalho, ou corremos o risco de, em vez de produzir engenheiros capazes de desenvolver carros com um novo tipo de combustível ou mesmo auto dirigíveis, teremos, infelizmente, apenas os motoristas que perderão suas vagas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E você, se puder, não espere o governo para investir em você mesmo.

Aproveito para indicar a leitura do Livro de um dos maiores gestores do mercado financeiro, "Who Cares?" de Pedro Cerize. Leitura essencial na vida de qualquer investidor, veja aqui.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Governo Trump pressiona, e quem paga a conta é a credibilidade do Federal Reserve

13 de janeiro de 2026 - 7:46

Além de elevar o risco institucional percebido nos Estados Unidos, as pressões do governo Trump adicionam incertezas sobre o mercado

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O agente secreto de rentabilidade entre os FIIs, a disputa entre Trump e Powell e o que mais move o seu bolso hoje

12 de janeiro de 2026 - 8:28

Investidores também aguardam dados sobre a economia brasileira e acompanham as investidas do presidente norte-americano em outros países

VISÃO 360

A carta na manga do Google na corrida da IA que ninguém viu (ainda)

11 de janeiro de 2026 - 8:00

A relação das big techs com as empresas de jornalismo é um ponto-chave para a nascente indústria de inteligência artificial

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação para ter no bolso com o alívio dos receios envolvendo a Venezuela, e o que esperar da bolsa hoje

9 de janeiro de 2026 - 8:27

Após uma semana de tensão geopolítica e volatilidade nos mercados, sinais de alívio surgem: petróleo e payroll estão no radar dos investidores

SEXTOU COM O RUY

Venezuela e Petrobras: ainda vale a pena reservar um espaço na carteira de dividendos para PETR4?

9 de janeiro de 2026 - 6:12

No atual cenário, 2 milhões de barris extras por dia na oferta global exerceriam uma pressão para baixo nos preços de petróleo, mas algumas considerações precisam ser feitas — e podem ajudar a Petrobras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os riscos e as oportunidades com Trump na Venezuela e Groenlândia: veja como investir hoje

8 de janeiro de 2026 - 8:24

Descubra oito empresas que podem ganhar com a reconstrução da Venezuela; veja o que mais move o tabuleiro político e os mercados

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: medindo a volatilidade implícita do trade eleitoral

7 de janeiro de 2026 - 19:48

O jogo político de 2026 vai além de Lula e Bolsonaro; entenda como o trade eleitoral redefine papéis e cenários

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empresas brasileiras fazem fila em Wall Street, e investidores aguardam dados dos EUA e do Brasil

7 de janeiro de 2026 - 8:25

Veja por que companhias brasileiras estão interessadas em abrir capital nos Estados Unidos e o que mais move os mercados hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Venezuela e a Doutrina Monroe 2.0: Trump cruza o Rubicão

6 de janeiro de 2026 - 9:33

As expectativas do norte-americano Rubio para a presidente venezuelana interina são claras, da reformulação da indústria petrolífera ao realinhamento geopolítico

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A janela para o mundo invertido nos investimentos, e o que mais move o mercado hoje

6 de janeiro de 2026 - 8:16

Assim como na última temporada de Stranger Things, encontrar a abertura certa pode fazer toda a diferença; veja o FII que ainda é uma oportunidade e é o mais recomendado por especialistas

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Notas sobre a Venezuela

5 de janeiro de 2026 - 14:01

Crise na Venezuela e captura de Maduro expõem a fragilidade da ordem mundial pós-1945, com EUA e China disputando influência na América Latina

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação do mês, o impacto do ataque dos EUA à Venezuela no petróleo, e o que mais move os mercados hoje

5 de janeiro de 2026 - 7:58

A construtora Direcional (DIRR3) recebeu três recomendações e é a ação mais indicada para investir em janeiro; acompanhe também os efeitos do ataque no preço da commodity

TRILHAS DE CARREIRA

O ano novo começa onde você parou de fugir. E se você parasse de ignorar seus arrependimentos em 2026?

4 de janeiro de 2026 - 8:00

O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

FIIs de logística agitaram o ano, e mercado digere as notícias econômicas dos últimos dias

2 de janeiro de 2026 - 8:28

China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado

RETROSPECTIVA

As ações que se destacaram e as que foram um desastre na bolsa em 2025: veja o que deu certo e o que derrubou o valor dessas empresas

31 de dezembro de 2025 - 8:51

Da Cogna (COGN3) , que disparou quase 240%, à Raízen (RAIZ4), que perdeu 64% do seu valor, veja as maiores altas e piores quedas do Ibovespa no ano de 2025

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empreendedora já impactou 15 milhões de pessoas, mercado aguarda dados de emprego, e Trump ameaça Powell novamente

30 de dezembro de 2025 - 8:43

Conheça a história da Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), e quais são seus planos para ajudar ainda mais mulheres

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: 10 surpresas para 2026

29 de dezembro de 2025 - 20:34

A definição de “surpresa”, neste escopo, se refere a um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, ele goza de uma chance superior a 50% de ocorrência

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como cada um dos maiores bancos do Brasil se saiu em 2025, e como foram os encontros de Trump com Putin e Zelensky

29 de dezembro de 2025 - 8:13

Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se na liderança, e o Banco do Brasil (BBAS3). Veja como se saíram também Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11)

DÉCIMO ANDAR

FIIs em 2026: gatilhos, riscos e um setor em destaque

28 de dezembro de 2025 - 8:00

Mesmo em um cenário adverso, não surpreende que o segmento em destaque tenha encerrado 2025 como o segundo que mais se valorizou dentro do universo de FIIs

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Mirassol das criptomoedas, a volta dos mercados após o Natal e outros destaques do dia

26 de dezembro de 2025 - 9:01

Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar