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Richard Camargo
Aposente-se aos 40 (ou o quanto antes)
Richard Camargo
Formado em Economia pela Universidade de São Paulo, Richard trabalhou por 5 anos na área tecnológica até chegar na Empiricus.
2020-06-19T18:36:24-03:00
PERDEU DINHEIRO... E AGORA?

O dilema do perdedor: realizar o prejuízo ou segurar um investimento que está no vermelho?

Não é justo consigo mesmo julgar suas decisões em retrospecto. O melhor a fazer quando se perde dinheiro é refletir sobre duas perguntas.

21 de junho de 2020
5:50 - atualizado às 18:36
Frustrado estressado homem de negócios
Imagem: Shutterstock

Olá, seja bem-vindo ao nosso papo de domingo sobre aposentadoria FIRE® (Financial Independence, Retire Early).  Na semana passada, comentei sobre o retorno dos IPOs e como você precisa ser seletivo para não surfar a onda errada. Hoje, vou encarar um tabu contigo. Vamos falar sobre perder dinheiro, como lidar com os prejuízos que invariavelmente acontecem.

The path dependence theory

Na estatística, é muito simples identificar se dois eventos são dependentes ou independentes entre si. 

Jogo uma moeda e deu cara. 

Se a moeda não é viciada, o fato ter dado cara no primeiro lançamento não têm absolutamente impacto nenhum no resultado do meu próximo lançamento. 

Se eu jogar a moeda de novo, têm 50% de chances de ser cara e 50% de chances de ser coroa. 

São eventos independentes entre si. 

Mas na sua vida financeira - especialmente se você está comprometido com um projeto de longuíssimo prazo, como uma aposentadoria antecipada - as suas decisões não serão perfeitamente independentes. 

A decisão de investimento que você toma hoje influencia diretamente as decisões que você tomará amanhã. 

Existe uma dependência futura causada pelo caminho que você decide seguir. 

A bifurcação

Apesar da dependência de caminhos, a matriz de resultados possíveis no investimentos é bastante simples: ou você ganha dinheiro, ou você perde dinheiro. 

Mas não se deixe enganar: a intensidade com que cada um desses eventos se materializa é determinante para o seu “Eu” futuro investidor. 

Os casos mais comuns são os seguintes:

1-Acertar uma porrada na Bolsa

O cara que acerta uma porrada, por exemplo um lucro de 50% com ações da Hertz (quebrada, sem qualquer perspectiva e largada à sorte nos EUA) em poucos dias, não consegue deixar de se empolgar. 

É muito fácil confundir a sorte e a aleatoriedade com mérito e capacidade analítica. 

Essa porrada vai influenciar os próximos investimentos desse suposto investidor. 

Ele vai buscar novas porradas sem sentido; coisas cada vez mais agressivas, na tentativa desesperada de repetir a performance alucinante e alcançar o nirvana do mercado de capitais em 1/10 do tempo que Warren Buffett demorou para fazê-lo.  

Com um mínimo de maturidade em investimentos, é fácil entender a falta de sustentabilidade desse plano. 

O segundo caso é o extremo oposto do primeiro:

2- Tomar uma porrada da Bolsa

E se você fez tudo certo e, mesmo assim, tomou xabu? 

Escolheu uma boa empresa de varejo; faz 24 meses que, todo mês, você aumenta marginalmente sua exposição nessa ação, que têm fundamentos sólidos, valuation interessante e boas perspectivas de crescimento. 

Você fez tudo certo, exatamente da maneira que manda o livro-texto. Só que aí vem o coronavírus e, em uma semana, traz seus 24 meses de investimento à estaca zero. 

A não ser que você seja um monge tibetano capaz de meditar por oito horas seguidas sem sequer precisar ir ao banheiro, esse acontecimento vai te influenciar. 

Você vai se sentir um imbecil. 

Especialmente porque o imbecil de verdade ganhou 50% com ações da Hertz enquanto você está puto, perdendo dinheiro.


E então, como lidar com um prejuízo?

“Talvez eu possa abrir mão da dor e do ressentimento do caminho não trilhado, porque o caminho não trilhado não é apenas o inverso do que eu sou. É um sistema infinitamente ramificado que representa todas as permutações da minha vida.”

O trecho acima pertence à ficção “Matéria Escura”, de Blake Crouch, um livro que não tem nada a ver com mercados financeiros, mas que inspirou essa coluna. 

A conclusão fala por si. 

Um prejuízo, necessariamente, pertence ao passado. 

Não é justo consigo mesmo julgar suas decisões em retrospecto, utilizando um conjunto de informações estupidamente relevantes que não estavam disponíveis no momento em que você tomou a sua decisão. 

As perguntas certas a se fazer são duas: 

  1. Naquele momento, com o conjunto de informações que você tinha disponíveis, você tomou a melhor decisão possível? 
  2. Agora que as novas informações mudaram por completo, você acredita que esse investimento valerá no futuro mais do que vale no presente? 

Se você responder “não” à primeira pergunta, existe um aprendizado a ser considerado aqui. 

Se responder “sim” à primeira e “não” à segunda, é hora de realizar o prejuízo, não importando se é um prejuízo de 1% ou de 99%.

E por último, se você responder “sim” à primeira e “sim” à segunda, permaneça com seu investimento, independente do prejuízo acumulado ser 1% ou de 99%. 

No final do dia, a decisão certa é que o deixará em paz consigo mesmo, afinal, com certeza ela vai influenciar suas decisões futuras.

Se você quiser receber sugestões de investimento para montar um plano de aposentadoria precoce a partir de R$ 150 ao mês, deixo aqui o convite para você ouvir o plano do Rodolfo Amstalden. 

Até semana que vem!

Obs1: Na semana passada, por um erro técnico, não foi disponibilizado o link para acesso e download gratuito do nosso aplicativo. Você pode se inscrever aqui e receber gratuitamente no futuro todos os relatórios de análise de IPOs e outras newsletter que a Empiricus produz sem custo algum para os leitores. 

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