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Richard Camargo
Aposente-se aos 40 (ou o quanto antes)
Richard Camargo
Formado em Economia pela Universidade de São Paulo, Richard trabalhou por 5 anos na área tecnológica até chegar na Empiricus.
2020-05-31T11:45:57-03:00
DE OLHO NO LONGO PRAZO

Ouro ou imóveis: qual o melhor investimento para defender seu patrimônio?

Na hora da crise, os dois investimentos são considerados capazes de salvar seu dinheiro do derretimento dos mercados no longo prazo.

31 de maio de 2020
5:50 - atualizado às 11:45
BALANÇA EMPRESÁRIO IMÓVEL OURO
Imagem: Shutterstock

Olá, seja bem-vindo ao nosso papo de domingo sobre aposentadoria FIRE® (Financial Independence, Retire Early). 

Na semana passada, trouxe alguns dos pontos essenciais na tese de investimentos em Eneva (ENEV3), que considero uma excelente ação para compor a carteira daqueles que buscam uma Aposentadoria FIRE.

Hoje, vou ao outro extremo da alocação de recursos, em vez de ações com alto potencial de crescimento, vou falar sobre a parte defensiva. Mais precisamente, vou responder ao questionamento de um dos leitores desta coluna:

“É melhor defender meu patrimônio com investimentos em ouro ou em imóveis?”

Excelente pergunta

A maneira mais objetiva de responder ao questionamento é por meio da restrição de recursos. 

Você consegue investir em ouro com apenas R$ 500 hoje em dia, mas precisa de alguns bons milhares de reais para adquirir um imóvel. 

A alternativa óbvia é recorrer ao investimento em imóveis através da Bolsa. Pode ser com ações de properties, ou com os fundos imobiliários. 

E aqui vem a resistência da maioria dos investidores que são assolados por dúvidas como a que mencionei acima: a marcação a mercado. 

Quando você compra um imóvel em seu nome, o preço dele não é atualizado todos os dias em seu home broker. 

Se você pagou R$ 300 mil (por exemplo), é muito comum manter-se ancorado a esse preço. 

Se estivermos em meio a uma crise como a atual, com baixa demanda por imóveis e você decida vender, muito provavelmente venderá por menos que o valor que você considera justo. 

Ainda sim, o custo psicológico desse processo é bem menos dolorido, afinal, você não foi confrontado com a verdade todos os dias. 

Por isso, só faz sentido seguir nessa discussão se você aceita a marcação a mercado.

Está conformado?

Neste caso, podemos ter uma discussão com mais fundamentos. 

O ouro ganhou as graças dos investidores principalmente no exterior. A questão aqui está no custo de oportunidade. 

Os juros de curto prazo em países desenvolvidos (boa parte da Europa e no Japão) pagam hoje rendimentos negativos. Nos EUA, o rendimento é praticamente zero. 

Isso significa que seu dinheiro paga para ficar parado. Estranhamente, um ativo como o ouro, que não têm rendimentos, tornou-se atrativo pela simples perspectiva de preservar o valor investido.

Num mundo em que os rendimentos são negativos, um rendimento nulo é um excelente negócio. 

O fluxo de recursos em direção ao ouro provocou uma natural valorização, dado que a oferta de ouro no mundo não acompanha o ritmo feroz de demanda dos investidores. 

Não à toa, o OZ1D - ouro futuro negociado na B3 - sobe mais de 70% em doze meses. 

Todas essas características fazem do ouro um investimento especulativo. 

Defensivo sim, por natureza; mas especulativo por ser uma commodity, com os preços variando por “N” fatores muito difíceis de racionalizar. 

Mas e os imóveis?

Diferente do ouro, os imóveis geram renda

Existem vários estudos - os principais desenvolvidos pelo professor Robert Shiller - que mostram como o valor dos imóveis tende a acompanhar a inflação em longo prazo. 

É um investimento que tende a preservar o poder de compra e ainda gerar ganhos adicionais através dos aluguéis. 

Mas o que poucas pessoas percebem é que - em longo prazo - os imóveis podem ser investimentos mais rentáveis e mais defensivos até mesmo que as ações. 

Entre 2012 e 2019, por exemplo, os retornos anuais dos fundos imobiliários (representados pelo índice IFIX) e a Bolsa (Ibovespa) foram bastante parecidos. 

Com a prerrogativa de serem menos impactos que as ações ao longo das crises, os FIIs inclusive acumulam um retorno bastante superior ao Ibovespa no mesmo período. 

E antes que você questione os dados com o eterno argumento das particularidades nacionais, eu preciso adicionar: nos EUA é a mesma coisa. 

Em longas janelas de tempo, os REITs (fundos imobiliários americanos) superam consistentemente os índices de ações. 

Por isso, eu não gosto do 'ou', prefiro o 'e'

Você não precisa escolher um ou outro. Pode ter os dois em seu portfólio, tanto na parte defensiva, quanto na parte agressiva, com fundos imobiliários. 

Inclusive, o Rodolfo Amstalden acabou de preparar um curso completo sobre real estate - como investir em imóveis e fundos imobiliários-, com base em algumas semanas que passou nos EUA, estudando com os maiores especialistas no tema. 

Sugiro que você dê uma olhada na entrevista que ele deu para o Seu Dinheiro sobre as perspectivas para o mercado imobiliário, oportunidades para você buscar - e furadas para passar longe.

Um abraço!

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