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Kaype Abreu

Kaype Abreu

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.

os segredos da bolsa

Investidor monitora retomada no exterior, Queiroz e ata; veja o que esperar da semana

Semana tem documento da última decisão de juros do Copom, relatório de inflação e IPCA-15, além de PMIs externos; investidores seguem temendo segunda onda de contágio da covid-19 no exterior

Kaype Abreu
Kaype Abreu
22 de junho de 2020
6:56 - atualizado às 15:17
Imagem: Shutterstock

As principais bolsas na Ásia fecharam no vermelho nesta segunda-feira (22), mas os índices futuros de Nova York estavam no campo positivo por volta das 7h. Os mercados seguem monitorando a covid-19 — está no radar também no Brasil. Mas a semana ainda tem indicadores e possíveis acontecimentos que também devem ajudar o mercado local operar.

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Investidores brasileiros esperam dados macroeconômicos e documentos que dimensionam a retomada das atividades no exterior e calibram as apostas para a Selic. Crise política e disputas comerciais também estão no radar.

Na terça-feira (23), o Banco Central divulga a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), depois da redução da Selic de 3% para 2,25%. Ainda que a autoridade monetária tenha adiantado que considera um novo corte, o documento deve evidenciar o que pesou na recente decisão e indicar mais detalhes sobre o futuro da taxa.

A divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) na quinta-feira (25) contribui para entender a leitura que o BC tem deste momento. Entre outras coisas, o texto traz projeções para a alta dos preços.

No mesmo dia do relatório, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o IPCA-15 de junho, após sucessivas desacelerações da inflação desde março. Em maio, o país chegou a registrar deflação de 0,38% - menor índice em 22 anos.

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O indicador tem sido decisivo para o BC seguir com os cortes de juros, além de outros dados macroeconômicos que evidenciam a paralisação da economia causada pela pandemia - evento que suspendeu, ao menos por ora, a agenda liberal do governo.

Leia Também

Indicadores locais

  • Terça-feira (23)
    • IPC-S da 3ª quadrissemana de junho
    • BC: ata do Copom
  • Quarta-feira (24)
    • Transações correntes de maio
    • IDP de maio
  • Quinta-feira (25)
    • IPC-Fipe da 3ª quadrissemana de junho
    • RTI do 2º trimestre
    • IPCA-15 de junho
    • INCC-M de junho

Retomada, Centrão e Queiroz

No final de semana, o Estadão informou que a reformulação das políticas sociais deve ser um dos principais focos do governo no pós-fase crítica da pandemia. Também estão na mesa iniciativas para simplificar a vida de empresas e investidores.

De imediato, a crise continua a demandar uma ação forte do governo para auxiliar a população mais vulnerável. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, cobrou neste final de semana que o governo seja mais ágil em estender o pagamento do auxílio emergencial para informais.

A agenda liberal do governo ainda deve passar por entraves em Brasília, diante da prisão do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, encontrado na semana passada em um imóvel do advogado do filho do presidente, Fred Wassef.

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A ação tende a aumentar o passe do Centrão no Congresso, e sem garantias de que o apoio ao governo será incondicional — em especial porque ainda são incertos os desdobramentos do caso e o legado da pandemia sobre a economia.

Mesmo com a recomendação de distanciamento social, o país teve mais um domingo de manifestações contra e a favor do governo. O presidente Jair Bolsonaro não participou do ato em Brasília, que acontece menos de uma semana após um grupo de extremistas se tornar alvo de busca e apreensão.

Na Argentina, milhares foram às ruas no sábado contra a tentativa do governo de expropriar uma empresa privada - a Vicentín, de alimentos agropecuários - e a quarentena. O país tem hoje tem 1 mil mortes por covid-19, segundo a Universidade de Johns Hopkins.

Coronavírus e disputa comerciais

O Brasil chegou a 50 mil mortes pela covid-19 neste final de semana, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, o mercado doméstico tem sido mais influenciado pela pandemia no exterior, onde já há processo de reabertura econômica - mas calcado no temor de uma segunda onda de contágio.

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Ontem, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou um recorde de número de novos casos diários de covid-19. Foram 183 mil, sendo 54.771 no Brasil e 36.617 nos EUA.

Neste domingo, a China relatou 25 novos casos de coronavírus, em um total de 2,3 milhões de pessoas testadas. O temor de um novo surto em Pequim levou ao fechamento do maior atacadista de alimentos local e dos turísticos túmulos Ming.

Na semana passada, a Apple anunciou que voltaria a fechar parte das lojas reabertas nos EUA por causa do aumento do número de casos da doença no país.

A medida influenciou o humor dos investidores na sexta-feira, que até então se mostravam otimistas com o a notícia de que a China vai acelerar a compra de bens agrícolas dos EUA, cumprindo os termos do acordo comercial firmado em janeiro pelos dois países. Os negócios estavam suspensos por causa da pandemia.

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O dia terminou com queda nos EUA: Dow Jones registrou baixa de 0,71%, S&P 500 caiu -0,55% e Nasdaq recuou 0,28%. No Brasil, o Ibovespa subiu 0,46%, aos 96.572,10 pontos — salto de 4,07% na semana — e o dólar caiu 0,98% na sexta, a R$ 5,3180, mas avançou 5,46% em cinco dias.

O movimento em parte foi um reflexo da queda da Selic, que reduziu o diferencial de juros entre EUA e Brasil — a subtração entre as taxas brasileira e americana —, tornando as aplicações brasileiras menos atrativas em relação às americanas.

É dos EUA que nesta semana surgem dados que podem indicar novos impactos da crise: PMIs e pedidos de bens duráveis de junho, além da revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre. Zona do euro também divulga PMIs.

Agenda externa

  • Segunda-feira (22)
    • Comissão Europeia revela o índice de confiança do consumidor em junho
    • Japão divulga PMI de serviços
    • OCDE realiza webinar sobre confiança após crise
    • 22ª Conferência EU-China (virtual)
  • Terça-feira (23)
    • Zona do euro divulga PMI do setor de serviços e composto de junho
    • EUA divulgam PMI do setor de serviços e composto de junho
    • Deptº do Comércio dos EUA: vendas de moradias novas em maio
    • Argentina: PIB do 1º trimestre
  • Quarta-feira (24)
    • FMI realiza videoconferência de imprensa com atualização do panorama econômico
  • Quinta-feira (25)
    • Deptº do Trabalho dos EUA revela pedidos de auxílio-desemprego até 20/06
    • Deptº do Comércio dos EUA: 3ª estimativa do PIB do 1º trimestre
    • RTI do 2º trimestre
    • BCE realiza reunião de política monetária

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