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de olho nas avaliações

Mercado espera onda de ajustes em IPOs

Investidores perceberam que muitas empresas estão tentando abrir capital com a expectativa de preço exagerado para suas ações

31 de agosto de 2020
8:06 - atualizado às 8:07
Ilustração relaciona IPO a casamento
Imagem: Pomb

Os investidores perceberam que muitas empresas estão tentando abrir capital com a expectativa de preço exagerado para suas ações. Por isso, é esperada uma onda de ajustes nas avaliações.

O movimento deixaria um pouco de lado a leitura de euforia por causa de juros baixos e excesso de liquidez no mundo.

Na semana passada, a rede de farmácias Pague Menos reduziu o preço de sua ação na tentativa de emplacar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

A incorporadora Lavvi também encontrou dificuldade para atrair investidores, levando a sua controladora, a Cyrela, a garantir 15% do IPO com recursos próprios.

"Essa revisão de preços vai começar a ficar frequente", disse um gestor, na condição de anonimato. Segundo ele, mesmo que exista de fato uma corrida de investidores para a renda variável por causa do juro real quase zerado no Brasil, a seletividade veio para ficar e a "euforia" do mercado acionário é, na sua opinião, apenas aparente.

Fila de IPO tem mais de 40 empresas

Hoje, na fila já com pedido de registro feito junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) há mais de 40 empresas, com grande concentração de incorporadoras: são 18 do total.

Apenas neste mês, foram cerca de 20 empresas fazendo o protocolo de oferta. Nas últimas semanas, houve duas tentativas frustradas de IPO. A Riva 9, da Direcional, e a You Inc. não encontraram demanda suficiente para colocar suas ofertas de pé, em uma prova de seletividade dos investidores.

Um segundo gestor disse, também na condição de não ser identificado, que, no médio e longo prazos, será positivo esse movimento de ajuste de preços das ofertas. Isso pode ajudar em um equilíbrio para a formação de preço nas próximas operações.

Segundo ele, um corte de preço como o feito pela Pague Menos, que diminuiu o piso da faixa indicativa de preço de R$ 10,22 para R$ 8,50, uma queda de quase 20% na avaliação esperada da companhia, gera uma desconfiança sobre o real valor do ativo.

Baixas após IPOs

Um olhar mais crítico em relação aos preços das ações nos IPOs ocorre ainda por conta do desempenho de alguns papéis após as ofertas. A rede de farmácias d1000 acumula baixa de 28%. A Panvel, que realizou um re-IPO, caiu 20% de lá para cá.

Ao lado da imensa quantidade de candidatas a estreia na B3, há ainda empresas que de forma oportuna poderão aproveitar o momento para fazer caixa, com oferta de ações.

O banco Inter, por exemplo, é um que já anunciou sua oferta, que pode superar o R$ 1 bilhão. Também com oferta subsequente (follow on) na rua está a Ômega.

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo

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