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2020-05-25T15:40:04-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Forte alívio

Ibovespa sobe forte e dólar cai a R$ 5,46, refletindo o alívio no risco político

O Ibovespa já se aproxima dos 85 mil pontos e o dólar fica abaixo de R$ 5,50. O mercado reage positivamente ao vídeo da reunião ministerial e aproveita o feriado nos EUA para ter um dia tranquilo

25 de maio de 2020
10:34 - atualizado às 15:40
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A semana começa bastante tranquila para os ativos domésticos: o Ibovespa avança mais de 3% nesta segunda-feira (25) e já ronda os 85 mil pontos, enquanto o dólar à vista tem um novo alívio e fica abaixo dos R$ 5,50 — e boa parte dessa calmaria se deve ao noticiário local.

Por volta de 15h40, o Ibovespa operava em forte alta de 3,99%, aos 85.451,95 pontos. Lá fora, as principais praças da Europa fecharam o dia ganhos de cerca de 2% — as bolsas dos EUA e do Reino Unido não funcionam hoje, em função de feriados locais.

No câmbio, o dólar à vista recuava 2,01% no mesmo horário, a R$ 5,4674 — é a primeira vez em maio que a moeda americana é negociada abaixo dos R$ 5,50. O real, assim, destoa do exterior: as principais moedas emergentes têm um comportamento mais estável em comparação à divisa americana.

Considerando o feriado nos EUA, o mercado doméstico acaba dando mais atenção aos fatores locais, em especial o vídeo da reunião ministerial do dia 22 — o conteúdo foi divulgado já no fim da tarde de sexta-feira e, assim, só é repercutido hoje.

A leitura do mercado é a de que o material não traz grandes implicações ao governo Jair Bolsonaro: por mais que o presidente cite a necessidade de proteção aos familiares, analistas e investidores não viram provas cabais de tentativa de interferência na Polícia Federal.

A possibilidade de o vídeo conter implicações mais graves era tida como um grande fator de risco político, podendo trazer desdobramentos que deteriorariam ainda mais o clima em Brasília. No entanto, a percepção é a de que, após dias de especulação, o conteúdo não apresentou o teor 'bombástico' que era esperado.

Essa reversão das expectativas, somada ao maior alinhamento mostrado entre Bolsonaro, governadores e Congresso na semana passada, diminui sensivelmente a percepção de risco — o que, em última instância, impulsiona os mercados por gerar um entendimento de aumento na governabilidade.

O tom positivo visto nas bolsas europeias também ajuda a tranquilizar os investidores domésticos, embora o clima lá fora seja mais turbulento: tensões entre EUA e China deixam o mercado em alerta e qualquer novidade nesse front pode mexer com o rumo das negociações.

No entanto, o processo de reabertura visto no velho continente inspira confiança aos investidores globais — e, ao menos nesse início de semana, o otimismo com a retomada das atividades se se sobrepõe à cautela geopolítica.

Juros em queda

O mercado de juros futuros também opera em queda nesta segunda-feira, tanto na ponta curta quanto na longa, fazendo companhia ao dólar à vista. Além disso, os investidores ajustam-se às projeções de contração cada vez maior no PIB do país, de acordo com o boletim Focus divulgado hoje.

Assim, a leitura é a de que o Copom terá que continuar cortando a Selic para dar estímulo à atividade doméstica — e o dólar mais baixo aumenta o conforto quanto à continuidade no ciclo de alívio monetário. Veja abaixo como estão os principais DIs:

  • Janeiro/2021: de 2,49% para 2,40%;
  • Janeiro/2022: de 3,44% para 3,22%;
  • Janeiro/2023: de 4,41% para 4,33%;
  • Janeiro/2025: de 6,20% para 6,13%.

Quase tudo em alta

O tom é majoritariamente positivo no Ibovespa, com quase todas as ações do índice reportando ganhos firmes. Confira abaixo as cinco maiores altas do momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
VVAR3Via Varejo ON11,15 +14,95%
CYRE3Cyrela ON16,59 +11,49%
CVCB3CVC ON13,84 +10,99%
MRVE3MRV ON16,48 +10,38%
BRDT3BR Distribuidora ON21,94 +8,99%

No lado oposto, destacam-se os ativos de companhias exportadoras, que devolvem parte dos ganhos recentes — o alívio no dólar reduz as receitas dessas empresas com as vendas ao exterior:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
SUZB3Suzano ON37,68 -2,41%
KLBN11Klabin units18,87 -1,72%
MRFG3Marfrig ON12,43 -1,58%
BEEF3Minerva ON12,67 -1,48%
JBSS3JBS ON20,53 -0,58%
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