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2020-10-05T16:54:09-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
Mercado hoje

Ibovespa sobe mais de 2% com melhora de Trump e alívio político; dólar cai para R$ 5,57

Melhora no quadro de saúde de Trump incentiva apetite nos mercados. Notícia de que Renda Cidadã respeitará o teto de gastos desafoga a percepção de risco fiscal, e juros futuros fecham em queda

5 de outubro de 2020
10:29 - atualizado às 16:54
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Depois do Ibovespa recuar 3,08% na semana passada, os investidores brasileiros começaram a semana mais otimistas, embalados pela melhora do quadro de saúde do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo alívio do cenário político doméstico.

O republicano, que segue internado, deixará o hospital Walter Reed às 19h30 no horário de Brasília, segundo tuíte.

"Me sentindo muito bem! Não tenha medo da Covid. Não deixe isso dominar a sua vida!", escreveu Trump em sua conta oficial na rede social. "Eu me sinto melhor do que há 20 anos!", completou o presidente.

Os sinais de avanço nas negociações em torno de um novo pacote fiscal nos EUA também ajudaram a tomada de risco nos mercados globais.

Hoje, a presidente da Câmara dos Deputados do país Nancy Pelosi conversou com o secretário do Tesouro Steven Mnuchin a respeito do pacote fiscal. Amanhã deverá ocorrer nova conversa entre os dois para definir um acordo sobre a legislação, que foi dificultado pela contaminação de Trump pelo coronavírus.

Às 16h50, as americanas exibiam altas firmes. O S&P 500 avança 1,69%, enquanto o Dow Jones subia 1,63% e a Nasdaq, 2,26%.

No mesmo horário, o Ibovespa subia 2,28%, para 96.162,33 pontos.

Temor sobre risco fiscal diminui

O principal índice da B3 também o repercute alívio do cenário político doméstico.

Mais cedo, o senador Marcio Bittar, relator do Renda Cidadã, disse que o programa social do governo respeitará o teto de gastos. A declaração foi dada ao lado de Paulo Guedes. O senador afirmou que "toda demanda tem que passar por carimbo da equipe" do ministro da Economia.

A previsão é de que uma proposta seja anunciada até quarta-feira (07).

"A perspectiva dessa notícia é positiva do ponto de vista fiscal, é possivelmente menos um problema sobre as contas públicas, os mercados reagiram bem", disse Paloma Brum, analista de investimentos da Toro Investimentos.

Ela observa que a bolsa subia refletindo o exterior positivo, mas apenas intensificou a alta após a fala de Bittar. "O dólar futuro, por sua vez, se firmou na queda, uma vez que oscilava próximo da estabilidade mais cedo", afirma.

Os juros futuros de contratos de vencimentos intermediários e longos também caíram, observa Brum, o que significa que a percepção do risco fiscal do país diminui na sessão de hoje.

As dúvidas sobre o financimento do programa Renda Cidadã geraram cautela nos investidores na semana passada, após a polêmica com a possibilidade do uso de precatórios e parte do Fundeb para financiar a medida.

Hoje, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que o governo estuda acabar com o desconto de 20% do Imposto de Renda para aqueles que entregam a declaração simplificada do IR.

O Renda Cidadã também tem causado mal estar entre ministros, com Paulo Guedes, da Economia, e Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, trocando farpas nos últimos dias.

Para discutir o assunto, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta manhã com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o senador Márcio Bittar e o ministro Marinho.

Top 5

As ações das siderúrgicas são o grande destaque do dia no Ibovespa, acompanhando a alta do índice de metais em Nova York. Confira as principais altas:

CÓDIGOEMPRESAVALORVARIAÇÃO
IRBR3IRB ONR$ 8,636,67%
GOAU4 Metalúrgica Gerdau PN R$ 9,84 6,38%
ELET3 Eletrobras ON R$ 31,53 6,27%
PETR4Petrobras PNR$ 20,145,89%
PETR3Petrobras ON R$ 20,215,37%

Enquanto isso, as ações da Cogna influenciam negativamente o setor de educação, após o JP Morgan rebaixar a sua recomendação de neutra para venda. O banco avalia o cenário é pior para o segmento de ensino presencial da companhia. Confira as principais quedas do índice:

CÓDIGOEMPRESAVALORVARIAÇÃO
CVCB3 CVC ON R$ 14,44-2,96%
BTOW3 B2W ON R$ 86,54 -0,92%
EMBR3 Embraer ON R$ 6,44 -0,77%
CIEL3 Cielo ON R$ 3,90 -0,76%
COGN3Cogna ONR$ 5,36 -0,74%

Dólar chega a cair 2%

Em meio a um cenário de busca por risco nos mercados globais, o dólar opera em forte queda de 1,73%, a R$ 5,57.

A perspectiva de alta de Trump e de que haverá mais estímulos enfraquece a moeda em relação ao real.

A moeda americana também cai forte em relação ao peso mexicano, par do real, e ao peso colombiano.

"Existe um noticiário favorável para essa queda", diz Camila Abdelmalack, economista da Veedha Investimentos. "Aqui, não há um fato novo muito ruim, ainda articula-se reaproximação entre [Rodrigo] Maia e Guedes, e, então, há um espaço para a recuperação."

Juros recuam

As taxas dos contratos de depósitos interbancários negociados em bolsa fecharam em queda, refletindo a melhora do risco fiscal com a perspectiva de que o teto de gastos vai permanecer intocado.

Os juros dos contratos com vencimento em 2022 e 2023, por exemplo, caíram 0,2 ponto, em um alívio comparado ao estresse do fim da semana passada.

"O mercado está em movimento de recuo em relação a sexta-feira", disse Paulo Nepomuceno, da mesa de derivativos da corretora Terra Investimentos. "Hoje vimos desde o início do dia indicações por quase todo meio político de que o teto de gastos será respeitado."

Segundo Nepomuceno, os agentes financeiros exageraram na cautela na sexta, quando os mercados locais foram arrastados pela quarentena de Trump e pelo desacordo entre Guedes e Marinho.

Na ocasião, diz ele, a curva de juros inclinou-se ainda mais, uma vez que a percepção de risco fiscal gerou a expectativa de que seriam necessários juros maiores no futuro.

"Agora, com a perspectiva de que o teto não vai ser furado, o mercado se acalmou e bem", afirma Nepomuceno.

Veja o fechamento as taxas de juros de alguns dos contratos:

  • Janeiro/2021: de 2,06% para 2,00%;
  • Janeiro/2022: de 3,43% para 3,23%;
  • Janeiro/2023: de 4,9% para 4,67%;
  • Janeiro/2025: de 6,74% para 6,51%.
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