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2020-06-03T16:12:47-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Sem tempo ruim

A festa continua: dólar cai a R$ 5,08 e Ibovespa sobe forte com otimismo se sobrepondo à cautela

O dólar à vista segue em queda firme e já se aproxima dos R$ 5,00, enquanto o Ibovespa sobe e busca os 93 mil pontos. Novamente, os investidores mostram-se otimistas com as perspectivas para a economia global e deixam de lado os fatores de risco

3 de junho de 2020
10:46 - atualizado às 16:12
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Dados econômicos mais fracos no Brasil, tensão social nos EUA, incertezas das mais diversas no mundo: nada disso é capaz de frear os investidores globais, que voltam a assumir uma postura otimista nesta quarta-feira (3) — e o Ibovespa o dólar à vista aproveitam o embalo.

Por volta de 16h10, o índice brasileiro avançava 2,04%, aos 92.900,89 pontos — é o maior nível intradiário desde 9 de março. Lá fora: as bolsas da Europa subiram mais de 1%, tom semelhante ao visto no momento nos mercados acionários dos EUA.

No câmbio, o alívio é igualmente intenso: o dólar à vista recuava 2,31% no mesmo horário, a R$ 5,0885 — e olha que, ontem, a moeda americana já tinha fechado em baixa de mais de 3%, cravando a maior baixa percentual numa única sessão desde 2018.

  • Eu gravei um vídeo levantando alguns fatores que explicam o rali dos ativos domésticos, mas também citei alguns fatores de risco que permanecem no horizonte dos mercados. Veja abaixo e deixe sua opinião:

No exterior, há um claro movimento de redução na aversão ao risco, com os mercados globais focando-se na reabertura das economias da Europa e dos EUA — e os recentes indicadores menos fracos que o esperado aumentam a esperança quanto a uma recuperação rápida da atividade.

A interrupção na escalada de tensões entre americanos e chineses também é comemorada pelos investidores, que se sentem mais confortáveis em aumentar as posições na bolsa e diminuir as proteções no mercado de câmbio, vendendo dólares.

Essa percepção mais otimista em relação aos rumos da economia global acaba se sobrepondo às preocupações quanto ao clima social mais conturbado nos EUA e os riscos quanto a uma segunda onda do coronavírus no Ocidente — e, de certa maneira, uma leitura parecida é vista no cenário doméstico.

Riscos ignorados

Por aqui, os investidores mostram-se animados com a melhoria vista no cenário político: após um pico de estresse, as relações entre governo, STF e Congresso parecem mais estáveis, sem indícios de deterioração no curto prazo.

Essa "pacificação" é suficiente para tirar boa parte da pressão vista na bolsa e no dólar durante a primeira quinzena de maio. No entanto, há diversos fatores de risco no horizonte que, a julgar pelo comportamento recente dos ativos domésticos, estão sendo deixados de lado.

A começar pelo próprio estado da economia: boa parte dos economistas já projeta uma baixa de cerca de 6% no PIB em 2020; hoje, foi revelado que a produção industrial desabou 18,8% em abril, o pior resultado da série histórica.

Além disso, há a própria pandemia de coronavírus, ainda longe de estar controlada no país, apesar do início do processo de reabertura das principais capitais. E, por fim, o cenário político ainda encontra-se tumultuado, apesar da trégua vista no momento.

No câmbio, há uma notícia que ajuda a trazer alívio extra ao dólar à vista: o Tesouro anunciou mias cedo uma emissão de dois novos títulos em dólares, movimentando até US$ 3 bilhões — o que implica numa entrada de recursos no país.

"É dólar entrando no país, além também das captações no exterior de empresas e do superávit na balança, entre outros pontos", diz um analista que prefere não ser identificado.

Esse forte alívio no câmbio, em conjunto com a percepção de fraquezada economia doméstica evidenciada pela queda forte na produção industrial, também provoca uma forte baixa no mercado de juros futuros.

Tanto os DIs curtos quanto os longos passam por ajustes negativos hoje, deixando cada vez mais claro que o mercado ainda vê amplo espaço para cortes na Selic:

  • Janeiro/2021: de 2,25% para 2,19%;
  • Janeiro/2022: de 3,05% para 2,99%;
  • Janeiro/2023: de 4,06% para 4,01%;
  • Janeiro/2025: de 5,72% para 5,66%.

Top 5

Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa hoje:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
IRBR3IRB ON9,85 +14,53%
GOLL4Gol PN17,16 +13,57%
CYRE3Cyrela ON20,15 +10,71%
AZUL4Azul PN18,54 +10,69%
GGBR4Gerdau PN15,56 +8,36%

Confira também as cinco maiores quedas do dia:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
JBSS3JBS ON20,62 -5,46%
BRKM5Braskem PNA27,90 -5,04%
BEEF3Minerva ON12,28 -4,66%
MRFG3Marfrig ON12,62 -3,07%
BTOW3B2W ON86,55 -2,96%
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