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A surpresa positiva com o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-BR) trouxe alívio ao mercado durante a manhã, mas a pressão vendedora de investidores estrangeiros zerou os ganhos
Uma sensação de alívio tomou conta das mesas de operação durante a manhã desta quinta-feira (16). Afinal de contas, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) superou as expectativas, dando força ao Ibovespa e tirando pressão do dólar à vista.
Só que a calmaria não durou muito tempo. Pouco a pouco, a animação do mercado foi diminuindo — e, como resultado, o Ibovespa zerou os ganhos e o dólar fechou em alta.
Por volta de 17h05, o principal índice da bolsa brasileira tinha leve alta de 0,02%, aos 116.439,00 pontos — ao longo do dia, oscilou entre os 115.961,42 pontos (-0,39%) e os 117.105,58 pontos (+0,59%).
Já o dólar à vista terminou a sessão com ganho de 0,14%, a R$ 4,1902 após tocar os R$ 4,1608 durante a manhã (-0,56%). É a maior cotação de encerramento desde 4 de dezembro.
Mas o que aconteceu para essa piora no humor? Agentes financeiros com quem eu conversei disseram que esse movimento de aversão ao risco não foi desencadeado por alguma notícia de última hora — em linhas gerais, o cenário permanece o mesmo.
Um operador que prefere não ser identificado me disse que a grande mudança foi a maior presença dos investidores estrangeiros na ponta vendedora da bolsa: segundo ele, as corretoras do Bank of America Merrill Lynch e do UBS passaram a se desfazer das ações com maior intensidade.
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Esse mesmo operador diz que, por outro lado, a corretura do J.P. Morgan atua na ponta compradora desde o início do dia, o que ajuda a dar alguma sustentação à bolsa brasileira.
Considerado uma prévia do PIB calculada pelo BC, o IBC-Br subiu 0,18% em novembro na comparação com o mês anterior — resultado melhor que a média das expectativas dos analistas consultados pelo Broadcast, que apontava para uma queda de 0,10% no período.
A surpresa positiva vem após a frustração do mercado com os dados de produção industrial e de vendas no varejo em novembro — números que elevaram a preocupação quanto ao desempenho da economia do país.
"Até o IBC-Br, todos os dados tinham vindo abaixo [do esperado]", diz Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos. "O número de hoje dá um alívio, um respiro, mas nada muito relevante".
Lá fora, os investidores seguem de bom humor: o Dow Jones opera em alta de 0,68%, o S&P 500 tem ganho de 0,59% e o Nasdaq avança 0,72%, dando continuidade ao movimento da sessão passada.
Segundo Beyruti, o fechamento da primeira fase do acordo comercial entre Washington e Pequim segue dando impulso aos mercados americanos — ele analisa que os termos foram bastante favoráveis à economia dos EUA.
Além disso, ele ressalta que foram divulgadas nesta manhã informações animadoras referentes à economia do país: o índice de atividade regional do Fed da Filadélfia superou as expectativas, e o número de novos pedidos de auxílio-desemprego ficou abaixo do projetado.
Nesse cenário, o dólar ganha força em escala global: o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta com as principais divisas do mundo — como o euro, o iene e a libra — sobe 0,10% no momento.
Em relação às divisas de países emergentes, o comportamento é o mesmo: o dólar se valoriza em relação ao rublo russo, o peso colombiano e o rand sul-africano, entre outras — o real, assim, até tentou se descolar dos pares, mas cedeu à pressão global.
Os dados mais animadores referentes à economia doméstica desencadearam um movimento de correção nos juros: ontem, com a decepção das vendas no varejo, o mercado aumentou as apostas num novo corte na Selic, de modo a estimular a atividade.
No entanto, com o resultado do IBC-Br, parte dessa leitura perdeu força — e, com isso, as curvas de juros fecharam em alta, devolvendo as baixas de quarta-feira.
Veja como ficaram os DIs mais líquidos:
Entre os destaques corporativos está a notícia publicada pelo Valor Econômico de que a Petrobras contratou os bancos para coordenar uma nova oferta de ações da BR Distribuidora, em uma operação que deve acontecer em fevereiro. A estatal, porém, negou a informação.
Como resultado, os papéis das duas empresas operam em queda. BR Distribuidora ON (BRDT3) cai 1,20%, mesmo sinal das ações da estatal, tanto as ONs (PETR3) quanto as PNs (PETR4), que recuam 0,55% e 0,51%, respectivamente.
Por falar em oferta de ações, o frigorífico Minerva anunciou na manhã de hoje uma oferta pública de ações que pode movimentar R$ 1,36 bilhão. O dinheiro vai tanto para o caixa da companhia como para os acionistas, que pretendem embolsar recursos com a venda de parte de seus papéis — as ações ON (BEEF3), que não fazem parte do Ibovespa, sobem 2,50%.
Outra notícia da manhã foi a de que a Weg fechou um acordo para a compra de uma das fábricas de transformadores da TSEA, no município de Betim (MG) — a conclusão do negócio ainda está sujeita à aprovação do Cade. As ações ON da companhia (WEGE3) sobem 0,60%.
Confira abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta quinta-feira:
Veja também as maiores baixas do índice no momento:
Foram mantidas C&A (CEAB3), Brava Energia (BRAV3), Suzano (SUZB3), Plano&Plano (PLPL3), Smart Fit (SMFT3) e Intelbras (INTB3)
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