Pequenos lojistas refutam alta em vendas dos shoppings no Natal
"A pesquisa da Alshop é falsa, é fake news. Ela está gerando desconforto e revolta entre os lojistas", disse, em entrevista ao Broadcast, Tito Bessa Júnior, presidente da Ablos

A divulgação de um crescimento forte nas vendas dos shopping centers durante o Natal desagradou uma parte dos varejistas, que alega não se sentir representada pelos números apurados, expondo uma briga no setor.
A Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos) encaminhou uma nota à imprensa afirmando que "contesta e repudia" os dados publicados nesta semana pela Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), que apontou uma alta de 9,5% nas vendas do Natal de 2019 em comparação com a mesma data comemorativa de 2018.
"A pesquisa da Alshop é falsa, é fake news. Ela está gerando desconforto e revolta entre os lojistas", disse, em entrevista ao Broadcast, Tito Bessa Júnior, presidente da Ablos e da rede de moda TNG. "Nós nos preparamos para termos um Natal melhor do que nos anos anteriores, mas isso não aconteceu, infelizmente".
A associação não tem uma pesquisa própria que apure o desempenho das vendas. Em vez disso, tem uma sondagem com seus associados, informa Bessa, na qual 70% afirmaram que as vendas natalinas de 2019 foram iguais ou piores do que as de 2018, enquanto só 30% disseram que as vendas melhoraram.
A Ablos reúne lojas de pequeno e médio porte. Elas são conhecidas no setor de shopping centers como satélites, em contraposição às varejistas que ocupam áreas grandes, também chamadas de âncoras. A Ablos tem 100 associados, entre eles TNG, Barred's e Mr. Officer (vestuário), Doctor Feet (serviços), Casa do Pão de Queijo (alimentação) e SideWalk (calçados), e respondem por 60% das lojas dos shoppings no País.
A Ablos foi fundada no começo de 2019 após um racha com a Alshop. Segundo Bessa Júnior, os lojistas de porte menor não se sentiam representados pelo trabalho da Alshop, especialmente nas negociações com os donos de shoppings envolvendo pagamento de aluguel, condomínio e fundos promocionais. Na avaliação do executivo, as lojas âncoras são privilegiadas nessas negociações.
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Em resposta às críticas da Ablos, a Alshop nega a falta de representatividade. A instituição existe há 25 anos e reúne 54 mil lojistas. "A Alshop tem credibilidade fruto dos resultados de um trabalho focado em geração de negócios, atuando em prol do varejo com importantes conquistas ao longo do tempo", declarou a instituição, em nota encaminhada ao Broadcast.
A Alshop também informou que sua pesquisa é feita por amostragem e explicou que o crescimento de 9,5% nas vendas de Natal é nominal, sem descontar a inflação. Por fim, acrescentou que as principais entidades de representação do comércio apresentam dados que corroboram sua estatística.
O Ibope Inteligência, também mencionado nas críticas da Ablos, esclareceu que não participa da apuração dos dados de vendas da Alshop, mas acompanha o fluxo de visitantes nos empreendimentos e monitora novos shoppings que estão prestes a ser lançados. O instituto foi citado na entrevista coletiva à imprensa feita pela Alshop no dia 26
Ao Broadcast, o diretor do Ibope Inteligência, Fábio Caldas, informou que também ficou surpreso com o forte crescimento das vendas apontado pela pesquisa da Alshop, mas ponderou que não conhece a metodologia deles para fazer uma análise detalhada. "Olhando de modo geral, houve de fato uma melhora no varejo. O fluxo nos shoppings melhorou em quase todos os meses, mas nada de forma absurda", acrescentou.
Vários economistas têm interpretado que há uma recuperação do varejo no País devido a um conjunto de fatores, entre eles a inflação estabilizada, a queda dos juros para financiamentos, e a redução gradual (ainda que pequena) do desemprego, o que tem elevado a confiança dos consumidores. Além disso, a liberação de saques do FGTS deu um fôlego extra para as vendas no fim do ano.
Como as pesquisas setoriais têm base de dados diferentes, elas não são comparáveis entre si. De todo modo, os levantamentos mais recentes têm apontado crescimento nas vendas, mesmo que em graus variados.
Em São Paulo, o varejo registrou um crescimento de 6,6% nas vendas de Natal, o maior aumento desde 2010, segundo os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A pesquisa considera dados apurados entre os dias 1º e 24 de dezembro. Já pelos cálculos da Cielo, o varejo teve uma expansão de 3,7% na semana do Natal, conforme dados apurados entre 19 e 25 deste mês.
A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) - que representa os donos dos empreendimentos - ainda não divulgou os resultados da sua pesquisa, mas a expectativa divulgada no início do mês era de uma alta de 10% nas vendas do Natal.
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