Os 17 mestres: Um papo lucrativo com Edmond Safra, um convite ‘indecente’ de Jorge Paulo Lemann e outras inspirações
Filho de assessor econômico de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, entre outros, relata grandes encontros ao longo da carreira e aconselha: escute as outras pessoas, aprenda com aqueles que acertam e, mais ainda, com os que erram

Como estou no segundo tempo da prorrogação da vida (79 anos de idade), quase indo para os pênaltis, tenho muitas histórias para contar. Hoje gostaria de falar sobre as pessoas que me influenciaram profissionalmente.
A primeira delas foi meu pai, Sebastião de Sant’Anna e Silva, que faleceu em 1995 aos 80 anos de idade. Sei que é meio clichê falar bem do pai, principalmente quando já se foi, mas o Dr. Sant’Anna, que é como quase todos o chamavam, inclusive minha mãe, integrou uma das primeiras levas de economistas brasileiros, geração intermediária entre o professor Eugênio Gudin e o embaixador, ministro, senador e deputado Roberto de Oliveira Campos, por sinal dois grandes amigos do velho.
Não tinha apenas um vasto conhecimento – o Dr. Sant’Anna se formara em Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, e se especializara em Economia na London School of Economics (1952/1954) −, mas também compartilhava o que aprendia no trabalho com os filhos na mesa do almoço e do jantar. Para mim era rotina, ainda com onze ou doze anos, ouvir o pai discorrer sobre inflação, deflação, Economia de Guerra (sua especialidade), socialismo, capitalismo, etc.
Tendo assessorado Getúlio Vargas, Eurico Dutra, Café Filho, Juscelino Kubitschek e Castelo Branco, sempre na área de orçamento, Dr. Sant’Anna nos transformava em insiders do poder. “Ontem o doutor Getúlio me pediu para estudar um aumento para os militares. A caserna não está satisfeita com os soldos atuais”, eu ficava sabendo desse tipo de coisa antes mesmo da imprensa.
Lições de alavancagem e vendas a descoberto
Aos dezoito anos, quando comecei a trabalhar no mercado financeiro, na H. H. Picchioni, em Belo Horizonte, tive dois mentores: Hugo Picchioni e Augusto de Assis Magalhães. Hugo era craque em câmbio. Foi uma das primeiras pessoas no Brasil a operar dólar futuro, num mercado informal, em negócios fechados apenas de boca, sem nenhum contrato entre as partes. Com ele, aprendi o conceito de alavancagem e de venda a descoberto.
Augusto podia ser descrito como a prudência em pessoa. Negociava títulos de renda fixa, à época letras de câmbio, e apólices do Estado de Minas Gerais. Ainda posso ouvi-lo dizer:
Leia Também
“Esse papel está com taxa boa, Ivan. Podemos nos expor um pouco mais. Fechei um bom lote. É meio desconhecido, porque a financeira está apenas começando. Mas é gente muito séria, ligada a (Cia. Siderúrgica) Belgo Mineira. Não vejo risco e dá pra gente ganhar um bom spread.”
Hugo e Augusto morreram muito cedo, entre 40 e 50 anos, se não me falha a memória. Nessa época eu já estava morando de volta no Rio, após fazer um curso de Mercado de Capitais na New York University. Anos mais tarde, quando escrevi meu primeiro livro, Os mercadores da noite, pus nele uma dedicatória para ambos.
3 mestres da NYU - e um só falou uma vez
Entre os professores e conferencistas da NYU, três deles exerceram forte influência em meu trabalho nos anos que viriam pela frente.
- John Kenneth Galbraith, talvez o maior especialista mundial em surtos especulativos, tema de boa parte de seus livros.
- Professor W. Edwards Deming, um dos responsáveis pelo soerguimento econômico do Japão pós Segunda Guerra.
- Moshe Dayan, que só vi uma vez, durante uma conferência na universidade, na qual discorreu sobre o eterno conflito árabe-israelense.
“Israel pode ganhar 100 guerras de seus vizinhos, mas não poderá se dar ao luxo de perder uma sequer”, ele disse para a plateia de estudantes.
A conversa mais lucrativa
Como, na NYU, tínhamos de fazer pesquisas de campo, entrevistando empresários e banqueiros, foi em Nova York que conheci Edmond Safra. O ano era 1966 e ele previu a grande alta do ouro, então cotado a US$ 35,40 por força do acordo de Bretton Woods (julho de 1944), que definiu a paridade entre as diversas moedas.
Quando, cinco anos após minha entrevista com Safra, Richard Nixon abandonou o gold standard, a onça do metal iniciou um bull market que a levou para US$ 850 em 1980. Se houve uma conversa que me rendeu conhecimentos e dinheiro, foi essa com Edmond Safra.
O pai do mercado financeiro
De volta ao Brasil, e atuando como operador de pregão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, conheci Marcello Leite Barbosa, o pai do mercado de capitais brasileiro.
Embora não tenha trabalhado na Marcello Leite (que era como nós chamávamos a corretora), eu ia lá quase todas as tardes. Como dizia Benedito Valadares, velha raposa da política mineira, ficava rouco de tanto ouvir os grandes espadas da época.
No pregão, minha grande referência foi o Luiz Carlos Barroso Simão, recentemente falecido, que disse em meu primeiro dia.
“Veja bem, Sant’Anna, tá vendo esse pessoal aqui? Tem mais de 200 operadores e nenhum deles é bobo. Nenhum!
Diálogo 'indecente' com Jorge Paulo Lemann

A partir do segundo semestre de 1971, o mercado se deslocou das ações para o open market. Nessa época, conheci três das maiores feras que já atuaram em uma trading desk no Brasil. Estou me referindo a Jorge Paulo Lemann, Antônio José de Almeida Carneiro (o Bode) e Alfredo Grumser Filho. Lemann, como todo mundo sabe, é hoje uma das maiores fortunas do Brasil (na verdade, ele mora na Suíça), juntamente com seus sócios Marcel Telles e Beto Sicupira.
Quando Jorge Paulo telefonava para mim (eu era sócio da Fator), ele sempre falava: “Vamos transar?”, numa conotação completamente diferente da que se usa hoje.
Se o Bode, cuja matemática era intuitiva, ligava para alguma outra corretora, e se identificava, não raro o cara da outra ponta da linha desligava o telefone. Ou ficava repetindo alô, alô, alô, como se a ligação tivesse caído. Pudera. Caso fizesse algum negócio, qualquer tipo de negócio, por melhor que lhe parecesse no início, era enrabada na certa. Convivo com Antônio José até hoje, e cada papo é um novo aprendizado. Não raro, tiro de nossas conversas temas para as newsletters que escrevo.
O próprio apelido de Alfredo Grumser o define: Malba Tahan. Era ótimo no open e, anos mais tarde, tornou-se o rei do mercado de opções de Vale do Rio Doce. Os strikes nos quais estava comprado davam exercício. Aqueles em que ficara short, viravam pó. Bode e Alfredo jogavam autobol (futebol de automóveis) comigo.
Os Alvaros do Lehman
A partir de 1983, deixei de operar nos mercados brasileiros e passei a fazer negócios apenas nas bolsas de futuro de Chicago e Nova York. Lá fora, meus primeiros mentores foram dois Alvaros: Alvaro Ancede e Alvaro Catão, brokers e traders da Shearson Lehman.
Ancede conhecia, como conhece até hoje, quase todos os mercados futuros: Lumber (que a gente chamava de “tauba”), barriga de porco (pork belly), feijão vermelho (negociado em Tóquio), fora os tradicionais S&P500, Treasury Bonds, currencies (moedas), softs (cacau, café, açúcar, algodão e suco de laranja), ouro, prata, platina, paládio, etc., etc.
Catão era grafista. Operava seguindo os métodos de Elliot Waves, candlestick e outros. Isso lhe permitia ter opinião sobre tudo. Bastava observar suas ferramentas e delas extraía uma conclusão.
Fazia toda hora alguma constatação do tipo: “Se o açúcar dezembro romper a resistência a 838 (oito centavos e trinta e oito centésimos de centavo) pode ir a nove, dez, ou até mais.”
Quando, em abril de 1996, troquei o mercado pela literatura, pedi a minha irmã, Sonia Sant’Anna, escritora, tradutora e revisora, para dar uma olhada nos originais.
“Você escreve muito mal, Ivan. Mas tem talento. Vou lhe ensinar as técnicas.” E assim fez. Tanto que outra das dedicatórias de Os mercadores da noite é dirigida a ela.
Um roteirista na conta
Em 2003, fui convidado pela Rede Globo de Televisão para ser um dos roteiristas da série Carga Pesada. Na emissora, tive como mestre Leopoldo Serran.
Entre dezenas de obras, inclusive “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “Gabriela, Cravo e Canela”, Serran escreveu dois roteiros de filmes indicados para o Oscar: “O que é isso, companheiro?” e “O Quatrilho”.
Leopoldo era daquelas pessoas que ensinam sem perceber que estão ensinando. Se a gente estava em um impasse, sem saber como montar o desfecho de determinada cena, ele dizia:
“Veja aqui, Ivan, como Clouzot (Henri-Georges Clouzot) montou uma cena de caminhão despencando da ribanceira em Le Salaire de la Peur (O salário do medo).”
Serran ia até uma prateleira, pegava uma fita de VHS e rodava o filme (de 1953), em preto-e-branco, até o trecho que queria mostrar.
Se o caro amigo leitor gosta de minhas crônicas, saiba que elas são produto de quase 70 anos de aprendizado ininterrupto e das críticas que recebo de leitores, inclusive, e principalmente, dos que mostram meus erros e defeitos.
Velho, eu?

Roberto Campos costumava dizer ao meu pai que a velhice só chega quando a pessoa perde o gosto por estudar, por aprender, por saber quais são as novidades nos diversos campos do conhecimento. Se isso é verdade, eu, mesmo chegando aos 80, sou relativamente jovem. E, quem sabe, morrerei jovem.
O conselho que dou àqueles que querem investir melhor seu dinheiro, ou fazer do mercado de capitais uma profissão, é simples e direto:
Escutem as outras pessoas, aprendam com aqueles que acertam e, mais ainda, com os que erram.
“Speak your truth quietly and clearly, and listen to others, even the dull and ignorant: they too have their story.” (Fale sua verdade, mansa e claramente, e ouça a dos outros, mesmo os obtusos e ignorantes; eles também têm a sua história).
Isso data de 1692 e está gravado na antiga igreja de São Paulo, em Baltimore, EUA. O autor é desconhecido. m/
PASSOU VOANDO
Mega-Sena acumulada alcança a marca R$ 150 milhões e deixa +Milionária comendo poeira
13 de outubro de 2026 - 7:19A PROVA DOS 9
Ibovespa no topo, agenda cheia: para onde o investidor deve olhar no pós-recorde da bolsa
12 de outubro de 2026 - 18:00SE CUIDA, NVIDIA?
Microsoft desafia Nvidia ao lançar novo chip de IA com capacidade de processamento 7 vezes maior que a geração anterior
12 de outubro de 2026 - 15:25R$ 1 BILHÃO JÁ FOI RESSARCIDO
Bets: quase R$ 160 milhões ainda não foram devolvidos aos apostadores; veja o prazo final para recuperar o dinheiro
12 de outubro de 2026 - 14:15O EFEITO DOMINÓ DA POLÍTICA
Nobel de Economia de 2026: a dupla que revelou como pequenas decisões ajudam a explicar os rumos da economia e dos juros
12 de outubro de 2026 - 9:06ABRE E FECHA
A bolsa abre hoje? Veja como será o funcionamento da B3, dos bancos, do Pix e dos Correios neste feriado
12 de outubro de 2026 - 5:10DISPUTA POLÍTICA
Split payment opõe Flávio Bolsonaro e governo Lula em debate sobre o caixa das empresas
10 de outubro de 2026 - 15:05ABRE E FECHA
A bolsa abre no feriado de Nossa Senhora Aparecida? Veja como será o funcionamento da B3, dos bancos, do Pix e dos Correios em 12 de outubro
9 de outubro de 2026 - 10:44MÁQUINA AZEITADA
Lotofácil 3800 faz 2 novos milionários e ainda premia um bolão; Mega-Sena 3068 acumula e prêmio agora está em R$ 112 milhões
9 de outubro de 2026 - 6:24PRESSÃO QUE VIROU CONDENAÇÃO
Eduardo Bolsonaro tem prisão decretada e passaportes cancelados por Moraes após condenação no STF
8 de outubro de 2026 - 16:53BUILDINGS SUMMIT 2026
Mercado Livre vê ‘longo caminho’ para o e-commerce no Brasil e aposta em nova fronteira — mas há um obstáculo para o setor
8 de outubro de 2026 - 15:39A CONTA DA GOVERNABILIDADE
A euforia com Flávio Bolsonaro pode virar frustração? Por que uma vitória sobre Lula não é cheque em branco para reformas
8 de outubro de 2026 - 11:38ALTOS PRÊMIOS
Lotofácil 3799 deixa duas pessoas a meio caminho do primeiro milhão de reais no Paraná; +Milionária 396 acumula com bola na trave impressionante
8 de outubro de 2026 - 7:10NO FOGO CRUZADO DAS ELEIÇÕES
Fim da escala 6×1: nova regra pode sair do papel antes do segundo turno? Entenda em que pé está a votação
7 de outubro de 2026 - 17:52ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro ou Lula no segundo turno? Moody’s compara cenários e aponta os riscos para investidores
7 de outubro de 2026 - 14:05FINANCIAMENTO SUSTENTÁVEL
ETF com selo do BID e que investe na Amazônia Legal? AMAB11 atrai R$ 66 milhões em apenas dois meses
7 de outubro de 2026 - 12:03RECEIO COM A IA
Ray Dalio volta a bater na inteligência artificial e defende que bolha está prestes a estourar. Quais são os sinais?
7 de outubro de 2026 - 11:47TEM PRA TODO MUNDO
Lotofácil 3798 tem 58 ganhadores, mas só um vai embolsar valor milionário; Mega-Sena 3067 acumula e prêmio atinge a marca de R$ 100 milhões
7 de outubro de 2026 - 7:16ESTÁ VALENDO
Primeiro dia sem bets e R$ 1,3 bilhão em saldo: o prazo para a restituição das apostas on-line começará a correr
6 de outubro de 2026 - 19:28SD EXPLICA