Mario Vargas Llosa: Em busca do liberal perfeito
Ainda neste ano, será lançado o livro de Mario Vargas Llosa no Brasil, "O chamado da tribo" - livro perfeito para quem defende e critica o liberalismo

"Não parece, mas trata-se de um livro autobiográfico."
Com uma única frase, Mario Vargas Llosa responde à pergunta que pode surgir aos leitores de pensamento mais linear que tomarem nas mãos seu próximo livro a sair no Brasil: o que teria a ver a decepção do Nobel de Literatura com a Revolução Cubana e até com Sartre e uma linhagem completa de pensadores liberais?
Em "O chamado da tribo", a história do liberalismo, ou melhor, do pensamento em torno de uma teoria liberal, torna-se uma jornada autobiográfica. Todos os autores que moldaram as ideias de Vargas Llosa ao longo dos últimos anos aparecem explicados – em suas teorias e suas trajetórias – pelo famoso peruano. O título chega ainda este ano às livrarias brasileiras, pelo selo Objetiva, da Companhia das Letras.
Aos menos chegados na história de vida da figura latina de Vargas Llosa, vale mencionar que ele não é pouco afeiçoado à vida pública (ou seria melhor dizer política?) – apesar de ser mundialmente conhecido mais pelos clássicos que emplacou na literatura. O escritor foi candidato à presidência do Peru em 1990 com uma plataforma (claro!) notadamente liberal.
A liberdade do indivíduo, a liberdade de expressão: esses são alguns dos preceitos que estão no centro da preocupação do autor, bem como dos pensadores por ele apresentados.
Adam Smith, José Ortega y Gasset, Friedrich von Hayek, Karl Popper, Isaiah Berlin, Raymond Aron e Jean François Revel entram nas páginas para desmascarar falsos liberais, no pensamento econômico, na política e até no dia a dia de governos vividos pelo próprio Vargas Llosa.
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Páginas que expõem o que "o espírito tribal, fonte do nacionalismo" causou a diferentes sociedades e como o liberalismo, na visão de Vargas Llosa, foi e é a principal arma contra ele.
A história da vida privada do autor e da vida pública se entrelaçam principalmente em momentos decisivos. Parte do que Vargas Llosa chama de transformação liberal toma lugar no governo de reformas na Inglaterra de Margaret Thatcher – e ele tece a narrativa sem deixar de mostrar suas contradições.
Nem todo livro precisa estabelecer um diálogo direto com o contexto em que é publicado. Não estou aqui para defender que essa seja uma obrigação das obras, sob risco de limitar nossas possibilidades de leituras. Mas O chamado da tribo termina por ser bastante simbólico para os tempos que estamos vivendo.
Especialmente neste início de novo governo presidencial, em que tomam corpo tanto discussões sobre o tamanho e papel da participação do Estado na economia e a forma de o governo conduzir o desenvolvimento econômico quanto na interferência que esse mesmo Estado pode ter na vida cotidiana da população.
Onde estão e quem são os verdadeiros liberais?
O chamado da tribo é, em essência, a desconstrução do que o senso comum chama de liberalismo, o retrato de uma vida longa, uma história do pensamento econômico bem contada e um convite a tantas outras leituras que você poderá fazer.
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