‘Falta apenas ouvir o Queiroz’, diz Bolsonaro
Presidente faz referência ao ex-assessor do gabinete de Flávio na Alerj; na principal investigação contra o filho de Bolsonaro, o Ministério Público do Rio apura se havia um esquema de repasse de parte do salário de funcionários do gabinete de Flávio

O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta segunda-feira, 22, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), seu filho mais velho, e disse que todas as suspeitas contra ele já foram "esclarecidas". "Está faltando apenas ouvir o Queiroz", afirmou o presidente, em referência ao ex-assessor do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Fabrício Queiroz.
Flávio é alvo de investigações em ao menos três órgãos. Na principal delas, o Ministério Público do Rio apura se havia um esquema de repasse de parte do salário de funcionários do gabinete de Flávio, prática conhecida como "rachadinha" . Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo em dezembro, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostrou que Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.
Relatório do Coaf também mostrou que Flávio recebeu em sua conta 48 depósitos, num intervalo de cinco dias, feitas em uma agência dentro da Alerj e no mesmo valor: R$ 2 mil.
"Esse depósito, feito por envelope, o limite é de R$ 2 mil. Não sei quantos, talvez milhões de depósitos são feitos por semana neste sentido", disse Bolsonaro ao justificar os repasses.
Em janeiro, em entrevista à TV Record, Flávio afirmou que as movimentações suspeitas identificadas pelo Coaf em sua conta bancária se referem à compra e venda de um imóvel na zona sul do Rio.
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Imóveis
O presidente também disse que outra acusação contra Flávio, na esfera eleitoral, já foi esclarecida. A investigação tramitava desde março de 2018 na Procuradoria Regional Eleitoral do Rio (PRE-RJ) e apurava possível crime eleitoral praticado pelo senador ao declarar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) imóveis comprados por meio de negociações relâmpago com valores supostamente abaixo do real. No inquérito, há a citação de que as negociações teriam resultado em aumento do patrimônio de Flávio e aponta possível lavagem de dinheiro. O caso também é investigado na esfera criminal pelo Ministério Público Federal.
"Disseram que ele teria pego R$ 1 milhão e pago uma dívida com a construtora. Está constatado, comprovado, que quem pagou essa dívida foi a Caixa. Então o primeiro escândalo está afastado", afirmou Bolsonaro. "Alguns imóveis ele comprou na planta e estava pagando mensalidade, um tempo depois vendeu. O Ministério Público do Rio disse que levou em conta que o valor total do preço estimado fosse dele. Não é verdade isso aí", afirmou Bolsonaro.
A mesma explicação já havia sido dada por Flávio em janeiro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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