BC sugere cautela com juros em meio à retomada da atividade econômica
Na semana passada, o colegiado reduziu a Selic (a taxa básica de juros) de 5,00% para 4,50% ao ano; foi o quarto corte consecutivo no atual ciclo de baixa da taxa básica

O Banco Central (BC) voltou a indicar nesta terça-feira (17), por meio da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária.
Na semana passada, o colegiado reduziu a Selic (a taxa básica de juros) de 5,00% para 4,50% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo no atual ciclo de baixa da taxa básica, após 16 meses de estabilidade.
Na ata do encontro, divulgada na manhã desta terça, o BC também repetiu uma ideia contida no comunicado da decisão da semana passada: a de que "seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação".
Na semana passada, economistas do mercado financeiro haviam avaliado, com base nestes comentários, que o BC tende a ser mais cauteloso na decisão de fevereiro do Copom. A expectativa é de que a Selic seja mantida em 4,50% ao ano em fevereiro ou passe por um corte menor, de 0,25 ponto porcentual.
Reformas
O Banco Central reafirmou na ata que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado. Ao mesmo tempo, o BC enfatizou que "perseverar nesse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia".
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Estas ideias já haviam sido expressas pelo BC no comunicado do último encontro do Copom, divulgado na quarta-feira passada, dia 11. Na ocasião, o colegiado reduziu a Selic de 5,00% para 4,50% ao ano.
Na ata agora divulgada, o Copom ressaltou ainda que "a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes".
Ociosidade
Os integrantes do Copom também reafirmaram na ata que seu cenário inclui fatores de risco "em ambas as direções" - ou seja, na direção de baixa e na de alta de inflação. A avaliação é a mesma feita no comunicado da semana passada.
Assim como registrado no comunicado, a ata desta terça traz mudanças significativas no balanço de risco do BC. De um lado, na avaliação do banco, o nível elevado de ociosidade da economia pode continuar produzindo uma inflação menor que a esperada.
Do outro lado, o Copom voltou a citar que o atual grau de estímulo - com quatro cortes seguidos que totalizaram 2 pontos porcentuais de redução na Selic - atua com defasagens sobre a economia.
Isso aumenta a incerteza sobre os canais de transmissão da política monetária e pode elevar a inflação. A novidade foi que o BC pontuou no comunicado e também na ata que essa incerteza ocorre em um contexto de transformações na intermediação financeira.
O presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem destacado em suas recentes apresentações que essas transformações ocorrem em todo o mundo, com o crescimento da oferta digital de produtos financeiros e com a entrada das chamadas fintechs no mercado de crédito.
Esse risco de uma inflação mais elevada, continuou o Copom, se intensifica nos casos de deterioração do cenário externo para economias emergentes ou eventual frustração em relação à continuidade das reformas na economia.
Mais uma vez, o Copom reconheceu que o processo de reformas econômicas tem avançado, mas repetiu que perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.
"O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes", reiterou a ata.
*Com Estadão Conteúdo
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