A utopia que atrasa as reformas no Brasil
Uma reforma previdenciária justa e duradora só seria possível no Brasil se fossem cortados direitos adquiridos. Mas isso simplesmente não acontece justamente por serem… direitos adquiridos
Na sexta-feira passada, 4 de janeiro, o Ibovespa subiu irrisórios 0,3%. Acho inclusive que teria caído, não fosse a alta de Nova York. O índice Dow Jones elevou-se 3,29%, no que me pareceu um rally de short covering após várias sessões de violenta baixa.
O que inibiu o Ibovespa na sexta foram as declarações desencontradas de autoridades do primeiro escalão do governo a respeito da reforma previdenciária. Ela precisa ser votada este ano, sob pena do Brasil permanecer no atual ciclo de crescimento pífio ou mesmo negativo.
Na quinta, dia 3, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deixou o mercado e os políticos com taquicardia ao declarar que, se as alterações nas regras da Previdência não fossem aprovadas, haveria um plano B, do qual constaria a desvinculação orçamentária. Nesse caso, a obrigatoriedade da União, estados e municípios de destinarem um percentual de seus orçamentos à educação e à saúde deixaria de existir.
Em entrevista à jornalista Miriam Leitão, da Globo News, o economista Gustavo Franco, presidente do Banco Central na gestão Fernando Henrique Cardoso, disse que Guedes estava blefando.
Na manhã seguinte, o presidente Bolsonaro afirmou que enviaria ao Congresso não uma proposta ideal para as contas públicas, mas sim um texto que tivesse chances de ser aprovado. E mencionou a hipótese de a idade mínima para aposentadoria ser fixada em 62 anos para os homens e 57 para as mulheres. Para surpresa geral, declarou que a verdadeira reforma seria feita por seu sucessor. Nessa hipótese, o problema ficaria para 2023.
Confusão
Como se não bastasse essa confusão de ideias, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, candidatíssimo à reeleição na Legislatura que se inicia em fevereiro, disse que, caso prevalecessem as idades mínimas de 62 e 57 para homens e mulheres, as regras de transição teriam de ser abolidas.
Leia Também
Esse pessoal da cúpula de Brasília fala as bobagens primeiro e depois raciocina, se é que o fazem. Vejamos a proposta de Maia:
Suponhamos que um homem que tenha começado a trabalhar em junho de 1984, aos 18 anos de idade, e está certo de sua aposentadoria por tempo de serviço (35 anos) em junho de 2019, ocasião em que terá 53 anos. Na hipótese cogitada por Rodrigo Maia, ele teria sua aposentadoria postergada em nove anos, sem que tivesse oportunidade de se preparar psicológica e financeiramente para isso.
Não é por acaso que existem regras de transição em toda reforma previdenciária proposta em qualquer lugar do mundo, já que as pessoas normais costumam planejar suas vidas.
Independente de reformas
O curioso é que, salvo algumas exceções, as autoridades públicas já têm seus benefícios garantidos e independem de reformas. Começando por cima, o presidente Jair Bolsonaro, acumulando salário e aposentadorias (estas do Exército e da Câmara dos Deputados), ganha R$ 70 mil por mês.
Michel Temer recebe R$ 45.055,00 (de que vale o tal teto?) como procurador aposentado do Estado de São Paulo. Jose Sarney, o imortal (em mais de um sentido), R$ 73.540,76. FHC foi compulsoriamente aposentado (coitado) aos 37 anos. Exilou-se (coitado) em Paris. Sabe-se lá quantos holerites saem em seu nome a cada mês.
Ao longo de sete mandatos como deputado federal, Bolsonaro se notabilizou muito mais como despachante dos militares do que como líder de correntes de pensamento liberal, coisa que só teve início depois que passou a pensar na Presidência. Nas propostas anteriores de reformas da Previdência, o capitão-deputado sempre votou contra.
Acho que algum tipo de reforma vai passar este ano, mesmo que adornada de jabutis que livrarão a cara de militares, policiais, juízes, procuradores, etc, etc.
Reformar a Previdência nunca é fácil. Que o diga o todo poderoso Vladimir Putin, que está enfrentando protestos em toda a Rússia, porque resolveu alterar as regras (aumentar a idade mínima) de lá.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, o Uruguai tornara-se um dos países mais prósperos do mundo em termos de bem-estar da população. Chegou a ser conhecido como a Suíça do Sul.
Na ânsia de promover um welfare state perfeito, o país criou um sistema de aposentadorias através do qual as pessoas podiam parar de trabalhar com 25 anos de serviço. Muitos uruguaios se aposentaram duas vezes. Resultado: o Tesouro quebrou. E até hoje, passados 70 anos, não se recuperou totalmente.
Não são apenas aposentadorias que destroem as contas de um país. O mesmo acontece com o seguro desemprego, quando não é criteriosamente administrado.
Em 1988, passei 40 dias viajando pelo Nordeste, após acertar uma tacada na Bolsa de Chicago. Em Morro de São Paulo, Bahia, conheci duas enfermeiras dinamarquesas, jovens ainda, que moravam no Morro e só visitavam seu país uma vez por ano.
Elas me explicaram que viviam do seguro desemprego através de uma estratégia tão singela quanto desonesta. Fixavam residência em uma cidadezinha no interior da Dinamarca na qual não havia hospitais, portanto sem empregos para enfermeiras. E recebiam o seguro, que representava uma nota preta em moeda brasileira naqueles tempos de hiperinflação.
Direitos adquiridos
Uma reforma previdenciária justa e duradora só seria possível no Brasil se fossem cortados direitos adquiridos. Mas isso simplesmente não acontece justamente por serem... direitos adquiridos.
Para que a economia brasileira recomece a crescer ainda em 2019, e inicie um longo período de desenvolvimento sustentado, é preciso que você, caro leitor, a não ser que faça parte do time da chapa branca, se conforme em pagar as contas com doses extras de sacrifício.
Há duas hipóteses:
Se é jovem, esqueça a previdência oficial. Pague-a mensalmente como se fosse um imposto e não um investimento para o futuro. Faça sua própria aposentadoria, investindo no mínimo 10% (o ideal seriam 20%) de sua renda todos os meses.
Se já tem 78 anos de idade, como é o meu caso, torça para morrer trabalhando. Torça também para que uma reforma previdenciária passe logo nas casas do Congresso. Será bom para o país.
Perda de tempo apostar numa nação justa e igualitária.
Mega da Virada de 2025 só em 2026! Caixa adia o sorteio. Veja quando ele vai acontecer.
Caixa atribui adiamento da Mega da Virada a problemas técnicos derivados do intenso movimento em seus canais eletrônicos
Chegou a hora da Mega da Virada de 2025; assista aqui ao sorteio ao vivo
Prêmio da Mega da Virada supera a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história; acompanhe aqui o sorteio.
Caixa encerra apostas para Mega da Virada, mas ainda há uma brecha para quem não conseguiu jogar
Até as 20h30, casas lotéricas de todo o Brasil seguirão comercializando as cotas de bolão ainda disponíveis para a Mega da Virada.
Ainda dá tempo de apostar na Mega da Virada de 2025, mas é preciso correr
Mega da Virada de 2025 sorteia hoje um prêmio estimado em R$ 1 bilhão. O valor é recorde na historia das loterias e não acumula.
Touros de 2025: Ibovespa, Axia (AXIA3), Galípolo e ouro — confira os melhores do ano, e uma menção honrosa na visão do Seu Dinheiro
Podcast Touros e Ursos faz a retrospectiva de 2025 e revela quem mandou bem na política, economia e investimentos; veja os indicados
China anuncia tarifa de 55% para importação de carne bovina; veja o que muda para o Brasil, maior exportador da proteína ao país
O Brasil, que responde por 45% da carne bovina importada pela China, terá uma cota isenta de tarifas, assim como outros grandes players
CVM terá novo presidente interino; colegiado da autarquia abrirá 2026 com 3 cadeiras vagas
Sem uma indicação pelo presidente Lula para liderar a reguladora, a presidência interina passará, na virada do ano, para o diretor João Accioly, o mais antigo na casa
Lotofácil 3575 faz 3 novos milionários na véspera da Mega da Virada
Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na faixa principal na terça-feira, 31 de dezembro, véspera de ano-novo e da Mega da Virada de 2025.
O ouro brilhou, mas o Ibovespa também! Já o bitcoin (BTC) comeu poeira… veja a lista dos melhores e piores investimentos de 2025
Principal índice da B3 fechou ano em alta de 34%, acima dos 160 mil pontos, atrás apenas do metal dourado, que disparou
Toffoli volta atrás e decisão da acareação em inquérito sobre o Banco Master fica nas mãos da PF; entenda o que está em jogo e como fica o processo agora
Nesta tarde, a Polícia Federal (PF) vai colher os depoimentos individuais dos envolvidos e, caso considere necessário, os participantes poderão passar por uma acareação
Desemprego até novembro cai para 5,2% e volta a atingir menor taxa da série histórica; renda média sobe
O indicador de desemprego tem registrado, sucessivamente, as menores taxas da série histórica desde o trimestre encerrado em junho de 2025
Bancos funcionam no Ano Novo? Veja o que abre e o que fecha
Bancos, B3, Correios e transporte público adotam horários especiais nas vésperas e nos feriados; veja o que abre, o que fecha e quando os serviços voltam ao normal
‘Imposto sobre Pix acima de R$ 5 mil’ é fake news, alerta Receita Federal
Órgão desmente alegações de taxação sobre transações financeiras a partir de R$ 5 mil
Desta vez não foi o PIB: as previsões que os economistas erraram em 2025, segundo o Boletim Focus
Em anos anteriores, chamou atenção o fato de que os economistas de mercado vinham errando feio as projeções para o crescimento do PIB, mas desta vez os vilões das previsões foram a inflação e o câmbio
Está mais caro comprar imóveis no Brasil: preços sobem 17,14% em 2025, mostra Abecip — mas há sinais de desaceleração
Considerando só o mês passado, na média, os preços subiram 1,15%, depois de terem registrado alta de 2,52% em outubro
Inflação, PIB, dólar e Selic: as previsões do mercado para 2025 e 2026 no último Boletim Focus do ano
Entre os destaques está a sétima queda seguida na expectativa para o IPCA para 2025, mas ainda acima do centro da meta, segundo o Boletim Focus
Novo salário mínimo começa a valer em poucos dias, mas deveria ser bem mais alto; veja o valor, segundo o Dieese
O salário mínimo vai subir para R$ 1.621 em janeiro, injetando bilhões na economia, mas ainda assim está longe do salário ideal para viver
O que acontece se ninguém acertar as seis dezenas da Mega da Virada
Entenda por que a regra de não-acumulação passou a ser aplicada a partir de 2009, na segunda edição da Mega da Virada
China ajuda a levar o ouro às alturas em 2025 — mas gigante asiático aposta em outro segmento para mover a economia
Enquanto a demanda pelo metal cresce, governo tenta destravar consumo e reduzir dependência do setor imobiliário
Como uma mudança na regra de distribuição de prêmios ajudou a Mega da Virada a alcançar R$ 1 bilhão em 2025
Nova regra de distribuição de prêmios não foi a única medida a contribuir para que a Mega da Virada alcançasse dez dígitos pela primeira vez na história; veja o que mais levou a valor histórico