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2019-12-17T14:16:08-03:00
Kaype Abreu
Kaype Abreu
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.
caso na justiça

Santander ganha causa em tribunal contra analista demitida por texto contrário a Dilma

Em junho de 2014, a funcionária do banco foi responsável por um documento divulgado a um grupo de clientes que afirmava que a reeleição da então presidente seria negativa para os mercados

12 de novembro de 2019
15:26 - atualizado às 14:16
Santander
Santander - Imagem: Shutterstock

O Santander reverteu a decisão da Justiça que havia condenado o banco a indenizar uma ex-analista da instituição, demitida após a repercussão de um relatório que projetava um cenário negativo caso a então presidente Dilma Rousseff fosse reconduzida ao cargo nas eleições de 2014.

A 4ª turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) absolveu a instituição do pagamento de R$ 450 mil à ex-superintendente de consultoria de investimento. A defesa de Sinara Polycarpo sustentava que a divulgação pública de seu nome e de sua demissão havia prejudicado sua imagem profissional.

No entanto, os ministros entenderam que o caso foi divulgado pela imprensa, e não pela instituição — o que não justificaria, segundo eles, o Santander ter de indenizar a ex-funcionária. No entendimento da Justiça, por se tratar de um caso envolvendo a presidente da República, era natural que a decisão repercutisse.

O relator do recurso de revista do Santander, ministro Caputo Bastos, disse que não viu na decisão do TRT fato que comprovasse o ato ilícito do banco capaz de atingir a vida da consultora a ponto de justificar a indenização. "Não se poderia exigir da instituição bancária que ela impedisse a veiculação na mídia do ocorrido", diz a sentença.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Sinara Polycarpo. O banco Santander, por meio da assessoria de imprensa, não comentou o assunto até o momento.

Entenda o caso

Em junho de 2014, a na época supervisora do Santander foi desligada sem justa causa em razão da divulgação de um texto que clientes preferenciais do banco haviam recebido. O documento, em nome do banco, indicava que a reeleição da presidente Dilma Rousseff representaria uma ameaça à economia.

Segundo o texto, se Dilma voltasse a subir nas pesquisas e fosse reeleita, o "câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice da Bovespa cairia, revertendo parte das altas recentes". "Esse último cenário estaria mais de acordo com a deterioração de nossos fundamentos macroeconômicos", dizia a análise.

À época, o extrato com a análise econômica do Santander foi noticiado por parte da imprensa, e ganhou repercussão nas redes sociais - parte o interpretou como uma campanha contra a na época presidente da República.

Quem seguiu, ganhou

Na reclamação trabalhista, a ex-funcionária atribuía a demissão a uma suposta perseguição política. O Santander sustentou que a empregada havia violado norma de conduta da instituição ao enviar conteúdo com conotação político-partidária aos clientes.

O irônico é que quem seguiu o alerta da analista ganhou dinheiro porque o cenário de alta do dólar e queda da bolsa se confirmou com a reeleição de Dilma.

A princípio, a decisão da Justiça indicou uma derrota para o Santander. O juízo da 78ª Vara do Trabalho de São Paulo entendeu que o banco havia se submetido às forças políticas ao demitir a empregada. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região (SP) teve entendimento semelhante e condenou a instituição ao pagar uma indenização de R$ 450 mil — decisão que foi revertida agora.

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