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Segundo o cientista político e vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha, episódio gera ruído para o governo, mas não altera perspectiva de aprovação
A prisão do ex-presidente Michel Temer repercute no mundo político e no mercado financeiro trazendo preocupações sobre o andamento da agenda de reformas do governo Jair Bolsonaro no Congresso. O evento é negativo, sem dúvida, mas não catastrófico.
Para o cientista político e vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha, apesar de criar um embaraço no curtíssimo prazo, o evento não altera a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência.
Noronha lembra que outros eventos de prisão de políticos relevantes como o ex-presidente Lula e o ex-deputado federal Eduardo Cunha também geraram expectativas de que a classe política poderia se rebelar, “mas nada disso aconteceu”.
Noronha e sua equipe já conversaram com diversos parlamentares depois do evento e a principal dúvida dos congressistas (e dele também) é a fundamentação da prisão não só de Temer, mas de outras pessoas envolvidas, e o motivo dessa ação estar ocorrendo agora.
Por ora, diz Noronha, com mais esse ruído, é possível que o governo tenha de aumentar sua cautela no diálogo com o Congresso, mas que esse é um evento de curto prazo.
“Gera ruído, tem consequências, mas não altera a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência”, diz Noronha.
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Para Noronha, a reforma dos militares, enviada ontem ao Congresso e já criticada por conter uma reformulação de carreiras, pode ser utilizada para reforçar os argumentos daqueles que já defendiam algum tipo de compensação ou suavização para determinados grupos dentro da reforma geral.
“O texto dos militares reforça esse argumento, mas também não inviabiliza a reforma. O governo vai ter de operar para que reforma dos militares não acabe criando justificativa para desidratar a reforma geral”, diz o especialista.
Dentro desse grupo que pode usar o texto dos militares para buscar benefício próprio, segundo Noronha, está o funcionalismo público, que para travar o andamento da reforma, propaga que o projeto tira direito dos mais pobres e entrega a Previdência para os banqueiros.
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