Reforma faz aumentar a procura do brasileiro por Previdência Privada
Executivos contam que o número de consultas e contratações de planos privados cresceu nas últimas semanas após a apresentação da proposta de reforma no Congresso

A expectativa do brasileiro em torno de uma reforma da Previdência já está impulsionando o interesse pelos planos de previdência privada. O texto que muda as regras foi levado pelo governo ao Congresso no dia 20 de fevereiro. De lá para cá, um levantamento feito pelo buscador de aplicações financeiras Yubb registrou um salto de 14 vezes no volume de consultas sobre os planos privados, na comparação com igual período do ano passado.
Em fevereiro, foram 987 mil buscas pelo termo dentro da plataforma, ante 66 mil há 12 meses, uma evolução de 1,24% do porcentual passado de buscas sobre os produtos financeiros dentro do site para, agora, 14,36%.
O interesse no assunto, conta o fundador do Yubb, Bernardo Pascowitch, começou a ganhar fôlego ainda na corrida eleitoral para a presidência da República. "A partir da vitória de Bolsonaro e o início do planejamento da reforma, o interesse do brasileiro por esses produtos e serviços se intensificou", afirma Pascowitch.
Procura
Nas corretoras e gestoras de investimento, os executivos contam que, de fato, o número de consultas e contratações de planos cresceu nas últimas semanas. Para o superintendente de Previdência da Icatu Seguros, Henrique Diniz, há uma correlação clara entre o avanço da reforma da Previdência e a busca pelas alternativas complementares no mercado financeiro. "Quando a aposentadoria avança no governo, a procura cresce aqui. Ainda não fechamos as contas para dimensionar o tamanho desse aumento, mas há, sim, uma alta na procura e na consulta por novos produtos", afirma o executivo.
Henrique Pocai, especialista de Previdência da XP, observa que, além da procura por novos clientes, a corretora vê também uma atenção maior daqueles que já investem nesse mercado em relação ao desempenho de seus planos contratados. "O investidor está mais atento. Ele redobrou a atenção com sua aplicação nesse mercado", diz ele, que aponta o avanço na portabilidade como um reflexo disso. Entre janeiro e dezembro de 2018, R$ 24, 2 bilhões desse setor trocaram das mãos de uma seguradora para outra. É o dobro do registrado dois anos antes, em 2016. E, para a coordenadora do curso de economia do Insper, Juliana Inhasz, esse movimento deve se manter ou até se intensificar em 2019.
"Não tem jeito, conforme praticamente todos falam nas regras mais apertadas para a Previdência, as pessoas vão percebendo que precisam pensar em alternativas para garantir uma aposentadoria com mais qualidade. A preocupação em torno da previdência privada é bastante natural", diz.
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Juliana Inhasz, contudo, chama a atenção do investidor para alguns perigos na contratação de um plano de previdência. O primeiro cuidado diz respeito à instituição escolhida. Ela lembra que o plano tem como objetivo garantir uma renda futura. "Nesse caso, não há espaços para gestores que sejam amadores e o investidor deve ficar atento às regras da previdência que escolheu, como cláusulas que levem em consideração portabilidade, carregamento e saída", afirma. "Também é importante ficar atento ao tipo de gestão, para garantir que a taxa de administração que se será cobrada seja a adequada ao produto."
Renda fixa
Se tudo permanecer como está, com inflação dentro da meta e juros básicos de um único dígito, o CDI deve reinar dentro da previdência privada. Em busca de retornos que superem a Selic, os gestores estão lançando cada vez mais fundos compostos por uma cesta que também inclui renda variável, reproduzindo a já bem-sucedida estratégia de fundos de multimercado no mercado tradicional de investimentos.
Segundo dados de janeiro da Anbima, associação que congrega as empresas do setor, os planos de previdência de renda fixa ainda detêm 83% dos quase R$ 818 bilhões aportados na área. Contudo, no último ano, os fundo de previdência multimercado cresceram 42,7%, ante 8,4% dos de renda fixa.
"O mercado caminha para um equilíbrio entre renda fixa e renda variável", diz o superintendente de previdência da Icatu Seguros, Henrique Diniz. No ano passado, a instituição abriu captação para 57 novos fundos. Destes, 49 eram multimercado.
Para a professora de economia Juliana Inhasz, do Insper, equilíbrio não é sinal de fuga do investidor da renda fixa. "As pessoas têm uma conexão com a renda fixa, elas enxergam esses fundos com segurança, sobretudo para o projeto de aposentadoria."
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