Reforma da Previdência passa na CCJ. Batalha, agora, será na Comissão Especial
Relatório modificado após acordo com centrão é aprovado por 48 votos a 18. Lideranças do governo e do PSL agradecem Rodrigo Maia e deputados do centro

Demorou mais de 60 dias e uma última sessão de 8h45 horas para a reforma da Previdência vencer a primeira etapa de tramitação. O parecer de Marcelo Freitas foi aprovado por 48 votos contra 18 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
Agora, o texto segue para a Comissão Especial, que deve ser instalada na quinta-feira. Lá a batalha será ainda mais dura para que o texto enviado pelo Executivo não perca sua potência fiscal de R$ 1 trilhão, cifra tida como necessária para o lançamento de um regime de capitalização. Estão previstas 40 sessões de discussões na Comissão Especial, mas só depois do feriado de 1º de Maio.
A votação foi possível após o governo fechar acordo com os partidos do “centrão”, que conseguiram fazer mudanças no texto já na CCJ. Foram retirados quatro pontos, que não têm impacto fiscal.
O presidente da CCJ, Felipe Francischini, adotou uma postura mais firme com relação aos pedidos da oposição sobre questão de ordem e outras manobras regimentais protelatórias, anda assim a sessão se arrastou.
O presidente disse, mais de uma vez, para os parlamentares não gritarem, cortou microfones e disse para a oposição: “parem de lamentar, recorram, o choro é livre, mas parem de lamentar".
Quando a votação dos itens da pauta se aproximava, após a derrubada de requerimentos, a oposição aumentou a “gritaria” e foi até a mesa da comissão, levando Francischini a discutir com Maria do Rosário.
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“Não aponte o dedo para mim que não sou moleque”, disse, depois de criticar a oposição como um todo, falando: “vocês falam em liberdade de expressão, mas processam Danilo Gentili”.
Depois disso, a oposição anunciou que tinha conseguido reunir assinaturas suficientes entre todos os parlamentares da Casa para pedir uma suspensão da tramitação da matéria por 20 dias, alegando falta de estudo sobre o impacto fiscal da reforma.
Francischini disse que essa era uma questão a ser decida pela presidência da Câmara. Essa discussão ocorreu na presença de Rodrigo Maia, que esteve na comissão e depois esteve reunido com líderes.
Mais tarde, por volta das 20h45, Francischini fez um comunicado à comissão, dizendo que a oposição não tinha conseguido reunir as 103 assinaturas necessárias, mas sim 99 assinaturas. O anúncio criou mais uma confusão na comissão, mas o presidente seguiu encaminhando votos para apreciação de requerimentos sucessivos que pediam adiamento, por cinco, três e duas e uma sessão.
Depois das 21h30, o painel eletrônico da comissão parou de funcionar, trazendo mais um transtorno, com votação de requerimento sendo feita manualmente. A votação da reforma começou 22h45, com o encaminhamento das bancadas e o resultado foi proclamado às 23h45, já com votação eletrônica.
Mas e a base do governo?
A líder do governo no Congresso, Joice Hasellmann pediu a palavra com tempo de liderança, atacando a procrastinação da oposição e falando que queria ganhar no voto, citando partidos do centrão, que, segundo ela, também queriam votar.
A fala não agradou, e o deputado Arthur Maia (DEM-BA) rebateu no instante seguinte, falando que não ia tolerar obstrução do governo e que iria retirar os deputados do plenário se as falas de membros do governo prosseguissem.
Arthur Maia também disse que o DEM não faz parte da base do governo. O deputado Rubens Bueno do partido Cidadania, ex-PPS, também criticou a atrapalhação do governo e as críticas à velha política, mas votou pela reforma.
Governistas e partidos “alinhados” evitaram falar para dar celeridade aos trabalhos, postura já adotada em outras sessões.
Mas esse tipo de rusga entre a líder do governo e os partidos “alinhados” serve para ilustrar a fragilidade dessa “base de apoio” do governo, de que diz abertamente votar pelas matérias do governo, apesar do governo.
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