Executivo e Legislativo devem governar juntos para que reforma seja aprovada até junho, diz Maia
Em entrevista, o presidente da Câmara destacou que o governo precisa melhorar sua comunicação não só com os parlamentares, mas também com a sociedade para garantir a maioria necessária para aprovação

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), comentou nesta quinta-feira, 28, o prazo para a aprovação da reforma da Previdência pretendido pela equipe do presidente Jair Bolsonaro. Para Maia, a aprovação até junho "é possível" se o Executivo der sinais claros aos parlamentares de que governará de forma conjunta com o Legislativo. As declarações foram dadas em entrevista à jornalista Miriam Leitão, na Globonews.
Embora reconheça uma evolução na comunicação entre os dois poderes, Maia alerta para a necessidade de melhora na área para construir um ambiente "maior" que a reforma da Previdência. Para o presidente da câmara, já é possível enxergar o ministro-chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni como articulador central com o poder Legislativo e ressaltou a importância de uma referência."Não é a velha nem a nova política, é a política que vai resolver os problemas do Brasil", acrescentou.
Para conseguir construir a maioria para aprovar a reforma na Câmara, Maia destacou que o governo precisa melhorar sua comunicação não só com os parlamentares, mas também com a sociedade. "Tem que saber enfrentar falsas informações, elas contaminam e continuarão contaminando (a discussão)", disse. "Esse período do Carnaval vai ser importante, porque sai todo mundo de cena e ficam só as redes sociais contaminando de forma negativa".
Mudanças para os militares
Rodrigo Maia acredita que o momento atual não é o melhor para tratar da reavaliação da carreira e da recomposição salarial dos militares, uma vez que essa não seria uma "boa sinalização" à sociedade. "[Fazer isso] junto, vai parecer o seguinte: você que está tirando de uns e está dando a outros. Fica um discurso meio desorganizado".
Na opinião de Maia, o governo criou um risco desnecessário à aprovação do projeto ao incluir a proposta do benefício pago a idosos pobres (Benefício de Prestação Continuada, ou BPC). Para Maia, além do item ser um dos mais polêmicos da reforma, a medida teria pouco impacto fiscal. "O BPC não é o embate real. O embate real são a regra de transição e as alíquotas progressivas".
O presidente da Câmara ainda afirmou que "o DEM não é governo" porque Bolsonaro "fez escolhas pessoais" para os cargos de ministro que foram dados ao partido e que não há sentimento ruim entre ele e Lorenzoni após o ministro ter interferido na eleição ao comando da Câmara. "Quem ganha a eleição tem que saber construir aliados, e não dividir a governabilidade da Câmara", disse.
Em relação à Venezuela, Rodrigo Maia avaliou que o Brasil está sendo "usado" pelos Estados Unidos em uma ação humanitária que inevitavelmente resultaria em conflito. "O Brasil não pode ser nunca um instrumento dos americanos para se ampliar o conflito e, através do conflito, construir uma solução".
*Com informações do Estadão Conteúdo
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