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Em coletiva de imprensa, o ministro da Casa Civil se negou a comentar qualquer aspecto do texto que está sendo construído pela equipe econômica
Apesar da preocupação de empresários e agentes do mercado financeiro com a ausência de detalhes sobre a proposta de reforma da Previdência que será apresentada ao Congresso Nacional pelo novo governo, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, se negou a comentar qualquer aspecto do texto que está sendo construído pela equipe econômica. "Só uma palavra sobre Previdência: nós vamos fazer a reforma. Próxima pergunta", disse após ser questionado sobre o tema.
Pouco antes, Lorenzoni havia se limitado a dizer que o ministro da Economia, Paulo Guedes, está preparando junto com sua equipe uma apresentação que será feita ao presidente Jair Bolsonaro "amanhã ou na próxima semana".
Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo nesta quinta-feira, 3, o empresário Winston Ling, primeiro a se encontrar com Bolsonaro após a posse, sugeriu ontem a integrantes da equipe de governo uma ofensiva ousada de comunicação para explicar as necessidades da reforma da Previdência antes das ações do Planalto no Congresso. "Eu acho que isso não está bem explicado para o público."
Em seu discurso de transmissão do cargo ontem, Guedes falou da importância da Previdência, mas citou que, sem a aprovação da reforma, a saída é desvincular o Orçamento. A mensagem, porém, foi vista com ressalva pelo ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Mailson da Nóbrega.
"Esse é o tipo de raciocínio que enfraquece o discurso da reforma da Previdência porque manda a mensagem para os congressistas, que não são nada simpáticos à reforma, de que tem uma saída", afirmou Mailson ontem ao Broadcast.
Nos últimos dias, integrantes do núcleo duro do governo têm fornecido informações desencontradas. Enquanto o vice-presidente, general Hamilton Mourão, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebbiano, afirmam que a ideia é partir da proposta já em tramitação no Congresso Nacional, Lorenzoni disse ontem que o texto (apresentado originalmente pelo governo do ex-presidente Michel Temer) não será aproveitado.
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Quando confrontado ontem sobre se o novo governo estaria então disposto a enfrentar todo o rito de tramitação de uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o que inclui passagem pelas comissões, o ministro da Casa Civil disse apenas que nada estava decidido.
O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, também indicou ontem que o caminho deve incluir o aproveitamento da proposta já em tramitação para ganhar tempo nas negociações.
Uma das alternativas é apresentar uma nova PEC e apensá-la à que já existe para viabilizar uma votação diretamente no plenário da Câmara dos Deputados, sem passar pelas comissões. Como mostrou o Broadcast, essa nova PEC poderia incluir outras "grandes mudanças", como as regras do abono salarial (benefício pago a trabalhadores que ganham até dois salários mínimos).
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