Maia e Guedes vão liderar articulação política para blindar Previdência
Apelos de empresários e lideranças políticas pesou na negociação entre o ministro da economia e o presidente da Câmara. Agenda liberal foi eleita como o "eixo de governabilidade"

Na reunião em que foi selada uma trégua na crise política, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, decidiram desistir de esperar e de pressionar o presidente Jair Bolsonaro para efetivamente entrarem em campo e liderarem a articulação política. Eles acertaram que, juntos, vão assumir o comando dessa articulação e tocar a reforma da Previdência.
Ministro e deputado definiram como "eixo de governabilidade" a agenda econômica liberal. Pesaram no acordo de paz os apelos de empresários e de lideranças políticas preocupados com os sinais desencontrados que Bolsonaro passa à sociedade, com os rumos da economia e com o aumento das incertezas após o abalo provocado pelos bate-bocas públicos entre os presidentes da República e da Câmara.
Durante almoço da residência oficial da presidência da Câmara nessa quinta-feira, 28, Maia negou que esteja articulando qualquer tipo de "pauta-bomba" que possa aumentar as despesas da União e se comprometeu a pôr a reforma da Previdência "nos trilhos" e a recuperar o tempo perdido com quase duas semanas de empurra-empurra entre Planalto e Câmara sobre a responsabilidade de angariar votos para aprovar a proposta.
Em contrapartida, Guedes vai ampliar sua participação na articulação política e passará a receber grupos de 15 parlamentares para discutir a aprovação da reforma e ouvir demandas dos deputados, como antecipou o jornal O Estado de S. Paulo.
Maia e Guedes acertaram também a formação de grupos de trabalho para definir outras pautas da agenda econômica no Congresso, além da reforma da Previdência.
O primeiro tema que será tocado por técnicos da Câmara e do Ministério da Economia será a reforma tributária, que já está mais avançada. Outros grupos devem ser criados e um dos temas a ser debatido em conjunto é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do pacto federativo, que tira as amarras do Orçamento e aumenta a distribuição de recursos para Estados e municípios. A estratégia é deixar os projetos em fase adiantada, enquanto a reforma caminha na Câmara.
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No almoço da paz, a crise foi avaliada como uma "curva de aprendizado" provocada pela falha de articulação do lado da Casa Civil, comandada por Onyx Lorenzoni, e da bancada do partido do presidente, o PSL, formada na sua maioria por parlamentares em primeiro mandato e com pouca vivência política no Congresso. Onyx se comprometeu a se aproximar das lideranças dos partidos do Centrão, bloco informal de 13 partidos, que já declarou apoio à reforma, mas com mudanças no texto. Sem esse grupo, o governo não conseguirá avançar.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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