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Mesmo sem a divulgação dos resultados deste trimestre, o economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita, diz que está preocupado
Depois de cortar a estimativa para o PIB do primeiro trimestre para uma queda de 0,2%, o economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita, destacou hoje (28) em um evento para jornalistas que a próxima projeção também é preocupante.
Segundo as estimativas preliminares do banco, o PIB deve crescer cerca de 0,1% no próximo trimestre. Mesmo sem a divulgação do PIB do primeiro trimestre - que ocorre nesta quinta (30) -, Mesquita disse que a fraca produção e os dados ruins em termos de crédito e confiança do empresário mostram sinais de alerta.
Dos últimos dados divulgados, o único que veio mais positivo são os do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e que mostraram criação de quase 130 mil vagas.
Já para o ano de 2019, a estimativa, que foi cortada várias vezes nos últimos meses, é de avanço de 1% e de 2% em 2020.
Segundo as projeções do banco, um dos pontos que preocupam é a produção fraca que está ligada ao baixo investimento público e privado. Nas estimativas dos analistas, os investimentos devem ter queda de 1,1%.
Alguns dos potenciais fatores para o declínio estão relacionados ao ambiente global de desaceleração. E isso já tem tido consequências no âmbitos dos negócios. Na opinião de Mesquita, a fusão recente da Fiat Chrysler com a Renault é um exemplo claro de uma tentativa de superar a falta de investimento e alavancar a produção.
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Para ele, outro ponto de atenção é a reforma da Previdência. O economista-chefe disse que ela é necessária para que haja ajuste fiscal, mas fez ressalvas ao destacar que "a reforma é necessária, mas não é tudo".
Na visão de Mesquita, a partir de segunda-feira com a divulgação do resultado, o economista espera que o governo busque mais medidas para estimular a infraestrutura e otimizar os investimentos.
Ainda segundo os economistas presentes, a reforma da Previdência deve passar no segundo semestre e se isso ocorrer haverá espaço suficiente para que o Banco Central faça mais um corte da taxa de juros, a partir de setembro deste ano.
"A inflação está benigna e o país tem capacidade ociosa suficiente para conseguir voltar a produzir em larga escala e cortar alguns preços no curto prazo. O aumento de preço que tivemos estava ligado mais a alguns choques temporários. Passado isso, a sinalização é mais positiva", destacou Mesquita.
Ainda assim, o economista alertou que mesmo que a inflação siga uma tendência mais benigna é preciso ficar de olho no câmbio. "Ele segue sendo o potencial de alta da inflação, se a reforma não avançar", afirmou Mesquita.
Mas não é só no Brasil que as projeções estão menos otimistas. Os números estão em linha com a redução das expectativas de crescimento global e de grandes potências como China e Estados Unidos.
Segundo as estimativas do banco, as economias norte-americanas e chinesas, por exemplo, devem ter crescimento de 2,4% e de 6,2% em 2019, respectivamente. Da mesma forma, a expectativa de crescimento da economia global em 2019 está em 3.3%.
Apenas a título de comparação, a economia norte-americana cresceu 2,9% e o PIB chinês aumentou 6,6% no ano passado.
E a guerra comercial pode impactar bastante no PIB dos Estados Unidos e da China, assim como de outros países mais. De acordo com as estimativas dos analistas do Itaú, o PIB dos norte-americanos, por exemplo, pode ter uma queda de 0,4 pontos percentuais no total por conta da elevação em 25% das tarifas sobre produtos chineses feita por Trump neste mês.
Já a China pode ter um declínio de 0,9 pontos percentuais em seu PIB, enquanto o crescimento mundial pode ter uma queda de 0,7 pontos percentuais graças à mudança na taxação entre as duas grandes potências mundiais.
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