2019-06-07T18:49:52-03:00
Estadão Conteúdo
Cade o R$ 1 trilhão?

Bancos divergem sobre economia que virá com reforma da Previdência

Estimativas apontam para uma economia que vai desde R$ 400 bilhões até de R$ 990 bilhões

3 de maio de 2019
14:06 - atualizado às 18:49
dinheiro
Economia mais baixa poderia trazer riscos para o Brasil nos próximos anos - Imagem: Shutterstock

A incerteza política tem dificultado as projeções feitas por bancos e consultorias sobre a economia que será gerada pela reforma da Previdência nos próximos dez anos.

Há desde estimativas que apontam para uma economia de R$ 400 bilhões - o que seria equivalente a apenas 32% do R$ 1,2 trilhão esperado pelo governo - até de R$ 990 bilhões (80%).

Mesmo dentro das instituições financeiras, o intervalo de aposta é grande, dada a dificuldade de se prever o que acabará ficando de fora do texto final.

O Itaú Unibanco, por exemplo, projeta economia de R$ 670 bilhões a R$ 990 bilhões. A aprovação da proposta no plenário da Câmara dos Deputados é esperada pelo banco para agosto. "A margem é grande por causa da incerteza", diz o economista da instituição Pedro Schneider.

Para Fabio Klein, economista da Tendências, há um empecilho extra, além da dificuldade de se prever o que sobrará do texto após a tramitação no Congresso: as projeções para vários indicadores econômicos, nos próximos dez anos.

A Tendências é uma das poucas a definir um número exato de economia esperada: R$ 640 bilhões. O viés, porém, é negativo.

"Quando a proposta foi apresentada, o viés era positivo, o texto era mais forte do que o proposto pelo governo Temer. Mas a coisa mudou rapidamente", diz ele.

"Nem uma semana depois da apresentação, o presidente Jair Bolsonaro já falou que poderia reduzir a idade mínima para mulheres se aposentarem."

Centrão

Na quarta-feira, em ato pelo Dia do Trabalho em São Paulo, o presidente licenciado da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (SD), disse que busca articular com o Centrão uma desidratação da reforma previdenciária para impedir a reeleição de Bolsonaro.

Segundo ele, uma reforma com economia de R$ 800 bilhões favoreceria Bolsonaro ao garantir recursos para serem investidos nos próximos três anos. Paulinho da Força defendeu uma reforma de, no máximo, R$ 600 bilhões.

Um resultado como esse, no entanto, seria perigoso para o Brasil, segundo economistas. Para Tony Volpon, economista-chefe do UBS no Brasil, uma economia inferior a R$ 600 bilhões poderia significar uma trajetória explosiva na dívida brasileira.

"O governo já está esperando alguma desidratação, mas estamos sustentando que, no final, teremos uma reforma robusta", diz.

Positiva

O economista Lucas Vilela, do Credit Suisse, também aposta em uma economia significativa, de R$ 750 bilhões.

"Ainda que perca força, uma reforma dessa teria economia maior do que a que estava em negociação no fim do governo Temer", afirma.

O primeiro texto apresentado pelo ex-presidente previa que o governo pouparia R$ 851 bilhões, em dez anos. Com as modificações que foram sendo acrescentadas, o valor no fim do ano passado era de R$ 553 bilhões.

O levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com 13 bancos e consultorias mostra que apenas dois deles (Itaú e Bradesco) acreditam na possibilidade de aprovação de uma reforma como a que Paulinho da Força pretende impedir.

Por outro lado, quatro casas consultadas - os bancos Citi, MUFG e BNP Paribas, além da consultoria política Eurasia - têm um número inferior aos R$ 600 bilhões citados pelo político.

Ainda de acordo com o levantamento feito pela reportagem, a MB Associados é a única a apostar na possibilidade de a reforma passar pelos deputados ainda neste primeiro semestre.

Apesar de não conseguir precisar as modificações que deverão aparecer na proposta aprovada pelo Congresso, a maioria dos bancos e consultorias concorda que a idade mínima, a aposentadoria rural e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) - pago a idosos pobres - sofrerão mudanças importantes, reduzindo a economia.

*Com o jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

FORTES SINAIS

Por que você deveria olhar a disparada de juros dos empréstimos imobiliários dos EUA com o risco iminente de recessão? Eles levaram à crise de 2008 e voltaram a subir

Os juros de financiamentos de até 30 anos saíram de 2,75% para mais de 6% em relação ao mesmo mês de 2021

skin in the game

Como os criadores do podcast Stock Pickers querem fazer a cabeça do mercado com o Market Makers

Em parceria com a Empiricus, Thiago Salomão e Renato Santiago lançam novo podcast e querem começar clube de investimentos

SÁBADO EM CRIPTO

Bitcoin acumula alta de 10% na semana, ethereum sobe 20% e criptomoedas tentam aproveitar alívio do noticiário para avançar hoje; confira

Entre os destaques dos últimos dias estão a nova parceria da Binance no Brasil, o ataque ao site do Tether (USDT) e os problemas na Celsius

OLHA A FOGUEIRA

Me ajuda, São João! Itens de festas juninas ficaram 13,52% mais caros do ano passado para cá; confira produtos que subiram mais

Os principais itens são aqueles relacionados às commodities, influenciadas pelas cotações internacionais e dólar

FOLLOW-ON

Novas ações da Eneva (ENEV3) começam a ser negociadas na terça-feira e aumentam o caixa da empresa R$ 4 bilhões

O preço por ação ficou em R$ 14,00, levemente abaixo do desempenho dos papéis em negociação da empresa, que fecharam a sexta-feira cotados a R$ 14,73

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies