‘Nova política não é falta de diálogo’, afirma Skaf
Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (MDB), clima entre empresários é de expectativa sobre as reformas da Previdência e tributária

Superado na reta final do primeiro turno das eleições de 2018 ao governo por Márcio França (PSB) e João Doria (PSDB), o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (MDB), afirmou que o governo Bolsonaro merece um crédito de confiança, mas fez um alerta que repercute o pensamento do empresariado: a nova política defendida pelos bolsonaristas não deve ser confundida com falta de diálogo. Segundo ele, há um preocupação da classe produtiva sobre a aprovação da reforma da Previdência. Ao jornal O Estado de S. Paulo, ele ainda defendeu que o MDB mude de nome.
A Fiesp foi para a rua contra o governo Dilma e fez protestos contra medidas do governo Michel Temer, mas tem poupado Bolsonaro. A Fiesp está alinhada com Bolsonaro?
No governo Temer teve uma reação muito forte quando houve uma ameaça de aumento de impostos. Independente de governos, nós defendemos princípios. O governo Bolsonaro tem três meses. A gente não quer criticar governo, mas que o Brasil dê certo. Temos e sempre tivemos muita independência. Esse governo está muito no início. Há poucos dias me perguntaram sobre ministério e eu respondi que estava satisfeito e feliz vendo o movimento do ministério da Economia, mas preocupado com o MEC. O governo tomou uma atitude com a mudança de ministro. A Fiesp não vai sair criticando o governo com três meses.
Esse governo, que viu sua popularidade cair em três meses, tem algum problema? Ouvindo o sr. parece que esta em céu de brigadeiro...
Quero ver resultados na Educação, mas começou uma grande reestruturação e redução de ministérios. Tenho certeza que o governo quer acertar. Espero que o diálogo com o Congresso seja melhor. Nova política não é falta de diálogo. Nova política é dialogo, serenidade e transparência. É fazer as coisas de forma séria. Tem muito o que melhorar em relação ao diálogo. Tem de se dar um tempo de afinamento. Política é sinônimo de diálogo e paciência. Democracia vive com política. Dar as costas à política é dar as costas à democracia.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, trava uma disputa com líderes das principais entidades do Sistema S, que ele critica. A Fiesp não vai se posicionar?
A Fiesp não fala em nome do sistema S, mas do Sesi e Senai de São Paulo. Sistema S é uma coisa muita abstrata.
Como está a relação dos empresários com o Bolsonaro?
O clima da classe produtora com o governo federal é de expectativa. Nem de otimismo, nem de pessimismo. A expectativa das reformas da Previdência e tributária, do ajuste fiscal. Preocupados, naturalmente, todos estamos. Há uma preocupação que as reformas sejam aprovadas e pela retomada do crescimento. O governo está começando. Três meses é pouco tempo.
O temperamento do presidente e suas declarações polêmicas causam apreensão?
O governo e o Congresso estão preocupados com esse momento de transição. Não é uma preocupação negativa, mas positiva. Temos de dar um voto de confiança para ele e ao governo dele.
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O governo não perde o foco quando fala o tempo todo em caçar esquerdistas?
Essa questão ideológica não importa. Ele é o presidente de todos os brasileiros. Talvez ainda haja uma ressaca da eleição do ano passado. Temos pautas mais importantes do que essa.
Bolsonaro e seu chanceler Ernesto Araújo já disseram que o nazismo foi um movimento de esquerda. Foram declarações infelizes?
Não quero entrar nesse campo. Sinceramente, esse é um debate totalmente inócuo agora.
O que achou da decisão de exaltar o golpe de 1964?
Temos pautas mais importantes para serem tratadas no País. Estamos em uma democracia, e isso pressupõe que as pessoas tenham liberdade de se manifestar.
O projeto de reforma da Previdência apresentado por Temer era melhor do que o de Guedes?
Não faço comparações. Não é o caso. O que temos na mão é essa reforma. O projeto apresentado pelo ministério da Economia é muito bom. O impacto fiscal está acima R$ 1 trilhão em dez anos. Há uma pequena gordura. Não adianta fazer uma reforma de faz de conta. Se for muito deformada, pode não fazer o efeito que o Brasil precisa.
Como avaliou a prisão do Temer?
Uma situação desagradável para o País. Nesse caso, com controvérsias.
O que o MDB precisa fazer para mudar sua imagem?
A imagem é ruim do MDB, PT, PSDB e de todos os partidos. Não vejo partido com imagem boa. Em relação ao MDB, o partido precisa se reinventar. Mudar suas direções nacionais, se repaginar e eu mudaria até o nome.
*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.
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