IPCA + 7,5%: receba esta e outras ofertas ‘premium’ de renda fixa no WhatsApp; clique aqui

Cotações por TradingView
2019-04-04T14:43:01-03:00
Estadão Conteúdo
Corrupção

Odebrecht pagou R$ 630 milhões a políticos na Venezuela, diz investigação

Valores são quase o dobro do mencionado no acordo entre a Odebrecht e o Departamento de Justiça dos EUA, de US$ 98 milhões

6 de fevereiro de 2019
8:02 - atualizado às 14:43
odebrecht
Odebrecht - Imagem: Shutterstock

Delações e documentos reunidos no Brasil e na Venezuela indicam que a construtora brasileira Odebrecht pagou mais de R$ 630 milhões (US$ 173 milhões) em propinas e financiamentos ilegais de campanhas venezuelanas em oito anos.

Os valores são quase o dobro do mencionado no acordo entre a Odebrecht e o Departamento de Justiça dos EUA que, em 2016, estimou os pagamentos de propina da construtora na Venezuela em US$ 98 milhões.

Autoridades da Venezuela que conduziram a fase inicial das investigações sobre a Odebrecht suspeitam que os pagamentos da construtora brasileira tenham, portanto, sido superiores ao que a empresa admitiu à Justiça americana.

Esses repasses se tornaram um dos pilares da manutenção da elite chavista, embora parte tenha sido destinada também a partidos opositores.

Apenas para a campanha presidencial de Nicolás Maduro, mais de R$ 110 milhões (US$ 30 milhões) foram destinados pela construtora, segundo a investigação. Em troca, a empresa brasileira foi favorecida em mais de uma dezena de contratos públicos entre 2006 e 2014.

Abandonado

As informações fazem parte da investigação conduzida pela Procuradoria da Venezuela, quando o organismo ainda estava sob comando de Luisa Ortega Díaz. Em 2017, ela fugiu para o exterior depois de entrar em choque com o governo Maduro. Parte dos dados foi levada por ela e seus assessores ao escapar. Em Caracas, o trabalho foi abandonado pelos procuradores que a substituíram.

Os valores sob suspeita seriam resultado de uma compilação de documentos confiscados, extratos bancários e informações colhidas a partir de delações premiadas.

Os investigadores analisaram os depoimentos dos ex-funcionários da Odebrecht, Euzenando Azevedo, Alessandro Gomez, Marcos Grillo, Hilberto Silva, Luis Eduardo da Rocha Soares, Fernando Miggliaccio e outros encarregados dos contratos da empresa na Venezuela.

Também consta na apuração o depoimento de funcionários do Bank Meinl, instituição financeira que serviu como banco privado da Odebrecht para centenas de transferências de propinas pela América Latina.

Os dados mostram uma ampla rede de empresas offshore usadas em paraísos fiscais na Europa e no Caribe para receber os valores ilegais, por meio de operadores e companhias de fachada. No inquérito aparecem políticos locais, regionais e nacionais, além do núcleo duro do chavismo. No caso da campanha de Maduro, havia menção a “contratos fictícios” entre empresas de fachada e contas no exterior.

Dados tabulados na investigação iniciada na Venezuela - e que não avançou após Maduro colocar Tarek William Saab como procurador-geral - apontam US$ 35 milhões para a campanha eleitoral de Maduro contra Henrique Capriles, em 2013.

Contratos fictícios

O conjunto de documentos aponta a transferência de US$ 29.331.107 por meio de 13 pagamentos, realizados entre 23 de setembro 2013 e 27 de maio de 2014. O período é posterior à eleição, realizada em abril de 2013. Parte do dinheiro, US$ 9,93 milhões, foi transferida a partir do Bank Meinl, no qual a Odebrecht mantinha contas que utilizava para fazer pagamentos não contabilizados. Uma dessas contas era da Cresswell Overseas, uma offshore vinculada à Odebrecht.

O intermediário entre a Odebrecht e Maduro, segundo a investigação, foi Americo Alex Mata Garcia. Coordenador da campanha presidencial de Maduro em 2013, ele teria pedido e recebido pagamentos da Odebrecht em nome do governo venezuelano. Ao final foram entregues US$ 35 milhões, embora o pedido inicial fosse de US$ 50 milhões.

Os documentos mostram que pelo menos US$ 30 milhões foram movimentados em operações não contabilizadas. Como se revelou nas investigações sobre o grupo empresarial, os contratos fictícios de prestação de serviços eram um dos meios utilizados pela Odebrecht para formação de caixa 2.

Na Venezuela, um dos contratos fictícios identificados está relacionado a obras do Projeto Agrário Integral Socialista José Inácio Abreu e Lima. O contrato foi firmado entre a Odebrecht e a PW Trading VC, empresa de representação comercial, que atua como intermediária entre fabricantes e compradores.

Procurado por e-mail, o governo venezuelano não deu respostas à reportagem. A Odebrecht, em um comunicado, indicou que “tem colaborado de forma eficaz com as autoridades dos vários países nos quais atua em busca do pleno esclarecimento de fatos narrados pela empresa e seus ex-executivos”. “A Odebrecht já usa as mais recomendadas normas de conformidade em seus processos internos e segue comprometida com uma atuação ética, íntegra e transparente”, disse a empresa.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

MERCADOS HOJE

Esquenta dos mercados: sombra Super Quarta pressiona e bolsas internacionais caem; Ibovespa acompanha primeiro dia de Copom

31 de janeiro de 2023 - 7:23

RESUMO DO DIA: O PMI chinês veio pior do que o esperado, mas rompeu a tendência de contração da atividade econômica. No entanto, isso não foi o suficiente para sustentar uma alta nas bolsas da Ásia. A Europa acompanha os dados preliminares da atividade na Zona do Euro. O prato principal da semana, porém, é […]

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Mas só se fala em política monetária? Então saiba o que esperar da Super Quarta dos bancos centrais

31 de janeiro de 2023 - 6:43

Os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos decidem os juros na quarta-feira; na quinta-feira será a vez da zona do euro e da Inglaterra

LOTERIAS

Lotofácil tem 4 ganhadores, sendo 2 em uma mesma lotérica (de novo)

31 de janeiro de 2023 - 5:51

Enquanto a Lotofácil segue fazendo a alegria dos apostadores, Mega-Sena está acumulada desde o sorteio da virada

DIA 30

“Vocês fizeram falta, caro Lula” — a conversa com Olaf Scholz, o ministro alemão, que teve até recado duro para a China

30 de janeiro de 2023 - 20:26

Mercosul, OCDE e guerra na Ucrânia estiveram na pauta do encontro, mas teve um assunto que arrancou aplausos da plateia formada pela delegação da Alemanha: o meio ambiente

NÃO VAI VOLTAR?

Bolsonaro entra com pedido de visto de turista nos EUA — veja quanto tempo ele pode ficar por lá

30 de janeiro de 2023 - 19:05

O pedido foi apresentado na sexta-feira (27), de acordo com o Financial Times. O visto diplomático que ele usou para entrar no país em 30 de dezembro vence hoje.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies